A parte mais difícil de me divorciar é não ter a Paulinha para me consolar, ela mau suporta ouvir o nome do Erick e só por hoje queria que ela ainda fosse a mesma pessoa de antes. Tem dias em que sinto que a faculdade mudou a Paulinha, ou talvez tenha sido a vida, ou o retorno do Erick, verdade seja dita o retorno do Erick mudou a nossa vida para sempre. Acho que a Paulinha nunca mais vai ser aquela garota sorridente e palhaça de sempre e eu... bem, acho que nunca mais vou ser a mesma. Sinto como se a volta do Erick funcionasse como uma injeção de humanidade, como se estar perto dele tivesse ligado o botãozinho dos sentimentos e agora não sei como desligar, se antes eu não me importava com as pessoas, hoje me importo até de mais, me importo tanto ao ponto de abrir mão da minha felicidade para que o outro seja feliz, coisa que nunca imaginei fazer.
Quando o Erick aceitou o divórcio senti como se algo tivesse quebrado dentro de mim. A gente vai realmente se separar, meus sonhos foram por água a baixo, me guardei por tanto tempo para ele e agora a gente ta se separando sem que eu ao menos saiba a sensação de ser sua mulher, sem nunca ter provado o gosto de estar com o homem que eu amo.
- Tem alguém ai? - a voz do Victor me traz de volta a realidade.
- Oi?
Ele sorri gentil.
- Você esta jogando dinheiro fora pagando por essa aula, você nem esta prestando atenção. Ta tudo bem?
- Não... acho que a minha vida está toda fora do lugar.
- Quer conversar?
Olho para a Paulinha que estava sentada ao lado de outra garota.
- Quero... - digo muito magoada.
- Vamos lá pra fora, a gente toma um suco e...
- Eu preciso me concentrar, já perdi muitas aulas na semana passada. - digo seca.
No finalzinho da última aula me aproximei da Paulinha, faz tanto tempo que a gente não conversa de verdade, eu realmente precisava dela agora.
- Quer almoçar comigo? Te deixo no trabalho depois.
- Nooooossa!!! Até que enfim você lembrou de mim. - diz sorridente.
- Nunca me esqueceria de você.
A Paulinha se despediu das outras meninas e seguimos para o restaurante. Havia uma sombra no olhar da Paulinha e pela primeira vez eu não sabia o porquê. Fazia tempo que não ficávamos um tempo juntas só nós duas e por um minuto me perguntei se desde o incidente com o Nando eu estava sendo uma boa amiga, eu me aproximei tanto do Nando e em outros tempos eu teria tomado as dores da Paulinha e agiria da mesma forma que ela age com o Erick, mas por que com o Nando era diferente? Será que eu havia mudado tanto assim? O Nando sabia que eu tomava remédios, como me sentia com eles e a Paulinha nem se quer sabia que eu já havia começado o tratamento com os medicamentos de tarja preta. Quando foi que a gente deixou de ser melhores amigas?
Fizemos o pedido e deixei o celular sobre a mesa, ficamos conversando sobre coisas banais, sobre o trabalho, a faculdade e as aulas que eu havia perdido, ela ficou de me passar a matéria no dia seguinte, mas eu sentia falta de poder falar como realmente me sentia. Queria poder dizer que meu coração estava partido e que eu se quer sabia para onde ir após o divórcio, não queria voltar para a casa dos meus pais, já tinha aprendido que aquilo não era vida e queria começar uma vida nova, mas a vida luxuosa que vivi no último ano havia me deixado meio covarde, tudo era muito fácil de conseguir com a conta milionária que o Erick mantinha para mim, mas eu sabia que daqui para frente teria que caminhar com minhas próprias pernas e ainda não tinha certeza se o Erick manteria meu emprego. Eu tinha tantas dúvidas e tantos medos, mas sobre nenhum deles me sentia confortável para dividir com a Paulinha.
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Entre o amor e a vingança
RomanceEla: Érin, 23 anos, virgem. Sem muitos amigos, perde o único irmão e melhor amigo aos onze anos. Sofre diariamente com os maus tratos de um pai violento, vê sua vida mudar aos doze anos com a entrada de um novo aluno na escola que em pouco tempo se...
