Os dias passaram rápido, uma semana? Duas? Não sei. Só sei que passsou rápido. A gente finge que não dói, tudo bem, mas lá no fundo ainda dói lembrar daquele dia, minha amiga ou o que sobrou dela, quebrada em um milhão de pedacinhos tão pequenos que não dava para juntar. O que falar do Nando? A Paulinha passou feito um trator por cima dele e o que sobrou daquele lá acho que nem colando da para juntar. A merda toda é saber que ela não está errada, eu mesma sou adepta de uma chance só eu não estou falando de segunda chance, veja bem, quando alguém entra na sua vida você já deu uma chance, então se a pessoa erra, game over para ela. O Erick só teve uma segunda chance porque eu não tive a primeira, ninguém me deu uma chance de fazer o que a Paulinha fez e se tivesse dado eu teria feito pior. Mas no meu caso ninguém disse que eu podia dizer não, meteram uma papelada na minha cara e uma aliança no meu dedo e lá no fundo, por mais feliz que seu seja, ainda existe uma pontinha de ódio toda vez que o brilho dela reluz nos meus olhos.
Contar ou não contar eis a duvida que me atormenta, por isso eu não sei dizer quantos dias se passaram, pra mim foram muitos, mas talvez no tempo normal do leitor sejam dois ou três dias. Uma mente atormentada vê o tempo passar dobrado. Esses dias eu até pensei contar a Paulinha a história do Nando, mas a consciência pesou, falou alto lá dentro dos meus pensamentos, segredo foi feito para ser guardado.
Depois daquele dia o Nando nunca mais procurou a Paulinha, orgulho ferido é uma merda, não importa o quanto você ame, não tem nada que te faça dar o braço a torcer, eu mesma no lugar dele não procurava mais. A vida tem dessas coisas, faz todo mundo parecer certo e ao mesmo tempo faz todo mundo parecer errado, Nando e Paulinha deixaram de ser só nomes e se tornaram dois pontos num campo de batalha. Difícil é escolher qual lado você assume nessa guerra, essa historia de lá e cá já está me cansando, dói quando a gente sai e são só três, fica sempre um vazio e isso está fazendo a Paulinha se afastar, com o Nando eu até consigo sair, ou conseguia porque depois daquele dia ele não quer a companhia de ninguém, mas a Paulinha se isola num mundo só dela. Tentativa inútil de não sentir a falta dele. Essa história de não procurar é só desculpa para a gente sofrer mais.
Não fosse aquela aula insuportável de economia eu nem saberia que hoje é sexta feira. Meus dias tem passado apagados de mais, a Paulinha quase não sorri e quando o faz é aquele sorriso falso que a gente sabe que é só para agradar. Até os meninos já notaram isso. Hoje de manhã mandei mensagem avisando que iria almoçar com ele e que não aceitava um não como resposta.
Nando: O Erick está em reunião, vai almoçar na rua.
Érin : Ótimo não disse que queria almoçar com ele. Preciso falar com você é importante.
Nando : Pode ser outro dia? Não estou muito afim de companhia.
Érin : Não. Te espero no restaurante italiano.
Parece mentira almoçar fora daquele restaurante de gente que fede a dinheiro. Coisas tão pequenas.. É bom poder almoçar fora sem me preocupar com as crises de ciúmes do Erick, é bom fazer as minhas próprias escolhas. A Paulinha disse que queria ficar sozinha e eu não tive outra escolha a não ser respeitar, a deixei em casa e fui direto encontrar o Nando.
- Achei que você não chegasse mais.
- Desculpa, - dei um beijo em seu rosto - fui deixar a Paulinha em casa.
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Entre o amor e a vingança
RomanceEla: Érin, 23 anos, virgem. Sem muitos amigos, perde o único irmão e melhor amigo aos onze anos. Sofre diariamente com os maus tratos de um pai violento, vê sua vida mudar aos doze anos com a entrada de um novo aluno na escola que em pouco tempo se...
