Cap. 69 Cachorrinho no portão

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Voltar pra casa parecia ótimo até eu ter que entrar naquele troço outra vez. Definitivamente avião e Érin não combinam, toda aquela pressão nos meus ouvidos, o medo daquela joça cair, nunca mais quero andar naquilo. Pela graça de Deus meu príncipe estava ao meu lado e com ele eu me sinto segura em qualquer lugar. Voltar pra casa tem um gosto bom, saber que a gente tem um lugar pra onde voltar, que tem um cantinho só seu te esperando, coisas que fizeram falta nos últimos anos. Botar os pés no Brasil de novo fez meu coração bater forte de saudade, saudade da minha mãe, da Constância e do Mathias, deu saudade até do Victor e do Pedro, mas nunca que eu vou comentar isso com meu príncipe.

Era começo de janeiro, tudo na santa paz. O Erick ficou os primeiros dias em casa comigo, ressaca de dias maravilhosos e sem briga, da vontade de não parar mais. Desde aquela noite de natal as coisas mudaram um pouco entre a gente, o carinho foi perdendo a inocência e a gente quase explode de tanto tesão, ainda não me sinto muito confortável com o Erick, mas quando a gente está junto eu não consigo lembrar que não me sinto confortável. A gente como sempre ferve dentro do corpo, ele sempre respeita meus limites, um dia eu até tentei deixar acontecer, mas ele como príncipe que é parou, disse que eu não precisava ter pressa, que ele não tinha pressa também.

Tem dias em que essa falta de pressa do Erick me irrita um pouco, não sei o que mais ele espera de mim. Ele sempre diz que quer que eu tenha certeza, mais certeza do que eu tenho quando a gente está junto acho impossível. Um dia a gente até conversou um pouco sobre isso, mas eu não quis levar muito adiante e ele também não.

- Eu não quero que você tenha pressa, de você eu só quero certeza.

- Eu não entendo, você fala tanto em certezas, mas parece que você duvida o tempo todo do meu amor.

- Não é nada disso. Não fala assim que eu até fico chateado, não duvido do seu amor.

- Mas também não acredita.

- Olha se a gente faz amor hoje eu tenho certeza que amanhã você vai estar arrependida e eu não quero isso.

- Como você tem tanta certeza de que vou me arrepender? - talvez minha mãe esteja certa, vai ver ele tem tanta certeza porque sabe que vai embora depois.

- Eu só não quero que você se arrependa, da pra ver que você ainda não está pronta e eu quero que você aproveite ao maximo cada momento nosso. - ela não entende que também tenho uma dívida grande com ela. Se a Paulinha abandonou os estudos para esperar por ela, ela abandonou a própria vida para esperar por mim. Quero devolver a ela os anos de solidão e as muitas vezes em que não teve a oportunidade de descobrir o próprio corpo. - Amor desculpa, mas você sabe que não está pronta, me diz, se a gente fizer amor hoje você tem certeza que não se arrepende amanhã?

De fato eu não tinha essa certeza. Eu tenho certeza de que quero fazer amor com ele, mas não tenho certeza de que não vou me arrepender se ele for embora. Naquela noite achei melhor não continuar a conversa e o Erick por sua vez deu o assunto como encerrado, não voltou a falar sobre e nem me deu oportunidade de falar também. As vezes esse jeito todo errado de fazer as coisas me irrita, mas de todo jeito janeiro foi um mês incrível.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora