Cap. 43 A gente vai voltar a estudar

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Disfarçar a vergonha nunca foi meu forte, mas ver o Erick com vergonha me faz acreditar que ele ainda é o mesmo menino de antes. Depois que a Jessica deixou a gente sem graça um com o outro, o Erick me levou para conhecer o resto da empresa, me mostrou cada setor e explicou pra que servia, conheci algumas pessoas responsáveis por cada setor e depois finalmente conheci a sala dele. Era uma sala grande, em uma das paredes a mesa de madeira cara, cadeira de couro, no outro lado uma estante cheia de livros e pastas, muito bem organizada. Havia um sofá de dois lugares de couro também na parede de frente para a mesa, no final da sala havia uma porta que dava para o banheiro.

Em cima da mesa ficava o computador pessoal do Erick, um notebook de ultima geração, tinha uma pilha de papéis e dois porta retratos e um porta canetas. Assim que entrou ele sentou a mesa e ligou o computador.

- E essa é a minha sala. A Jessica fica na ante sala como você já viu e aqui é meu universo particular, onde eu passo a maior parte do tempo.

Parei de frente para a mesa, na parede atrás dele havia um quadro com uma foto antiga dele recebendo algum tipo de premiação. Os traços mais jovens, lindo como sempre. Bateu uma pontinha de tristeza por não ter visto o meu menino se transformar nesse homem tão lindo que agora esta à minha frente me olhando com cara de bobo. Dei a volta e sentei em cima da mesa ao lado da cadeira onde ele estava sentado.

- Tem uma cadeira atrás de você.

- Aqui eu fico mais perto de você.
Só por curiosidade olhei para os dois porta retratos que estavam em cima da mesa. Um tinha a foto dos pais dele quando eram mais novos, o outro tinha uma foto minha ainda criança, uma foto que eu havia dado a ele com doze anos. Na época disse que era pra ele não esquecer de mim, era final de ano e eu estava morrendo de medo dele trocar de escola. Havia até uma dedicatória atrás da foto. Na foto eu devia ter uns dez ou onze anos não sei ao certo, mas foi a única que consegui roubar do álbum de fotos da minha mãe. Meus olhos se encheram quando vi aquela foto em cima da mesa dele, eu nem lembrava mais daquela foto. Ele olhava junto comigo para o porta retrato, ficou em silêncio esperando eu dizer alguma coisa.

- Você ainda tem essa foto. - a voz quase não saia.

- Era pra eu nunca esquecer de você, lembra?

No dia em que dei a foto ao Erick nós dois sabíamos que o pai dele estava querendo transferir ele para um colégio melhor no ano seguinte. Entreguei aquela foto com lágrimas nos olhos, fiz ele prometer que não ia me esquecer, que continuaria sendo meu amigo mesmo que a gente não conseguisse mais se ver. Ele disse que nunca deixaria de gostar de mim, que ia dar um jeito da gente continuar se vendo. Chorei tanto naquele dia que ele prometeu que não ia trocar de escola, pediu ao pai pra continuar no mesmo colégio e assim ganhei mais um ano com ele. Naquele dia nós dois choramos juntos, eu quis tanto beijá-lo, mas perdi a coragem quando ele disse que eu era sua melhor amiga. Uma lágrima caiu dos meus olhos, ver aquela foto me deixou emocionada de verdade.

- O que foi amor?

- Nada. - disse secando as lágrimas com as mãos.

- Por que você esta chorando?

- Porque eu sou uma boba.

Ele afastou a cadeira da mesa e me puxou para seu colo. Estava meio sem graça, um jeito meio tímido de agir.

- Eu nem lembrava mais dessa foto.

- Eu nunca esqueci.

Beijei de leve seus lábios.

- Obrigada por não ter me esquecido.

- Obrigada por ter me esperado, mesmo que isso tenha custado tanto pra você.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora