Cap. 74 Escolhas

840 50 3
                                        

Erick

Já passou um mês desde que a Paulinha e o Nando terminaram, meu primo anda quieto de mais, queria que ele se abrisse um pouco e conversasse comigo como a gente fazia quando moleque. De repente parece que tudo na minhaf vida está de pernas pro ar, a vida ficou meio sem graça com a separação dos dois, agora eu não consigo mais juntar meus dois melhores amigos em nenhuma atividade, por mais simples que ela seja. A Érin até tenta fingir que nada mudou, mas desde o dia em que ela foi na empresa falar com o Nando ela anda muito calada.

A vida não tem sido fácil, de repente eu não conheço mais a minha mulher, essa coisa de se isolar do mundo eu até já estou acostumado, mas pegar ela chorando pelos cantos, se escondendo de mim, fugindo de conversa, isso eu nunca vou me acostumar. A Érin não é o tipo de pessoa que fica sofrendo por ninguém, não alguém que tenha magoado ela, o normal dela é se afastar, ficar mais agressiva. Mas ela sempre vinha para os meus braços, agora eu não sei o porque mas ela se isola, nem com a Paulinha tem conversado muito. Além de tudo ela nunca me contou que esteve na empresa e que cortou relações com o Nando, ela continua mentindo para mim. Tem dias em que eu tenho vontade de brigar com ela, de jogar na cara que eu sei de tudo, mas eu ainda fico esperando ela me contar.

O trânsito estava lento o que me ajudava bastante, mais tempo para pensar. A proposta do Nando não é tão difícil, meu único medo é gerar mais briga com a Érin, mas em parte o Nando tem razão, se ela não me disse a verdade eu não tenho que agir como se soubesse. Droga, o que eu faço para entender a minha mulher, eu só queria que ela me dissesse a verdade.

Cheguei em casa e ela estava deitada vendo tevê, deitada não, jogada na cama, a cabeça nos pés da cama, totalmente alheia a realidade, olhava para a tevê e nem conseguia se prender a imagem na tela. Peguei o controle em cima do criado mudo e desliguei a tevê, ela ainda levou alguns segundos para reagir.

- Erick!

- Você nem estava prestando atenção.

Ela nem tentou argumentar, encostou a cabeça de novo no travesseiro e ficou em silêncio. Sentei a seu lado e acariciei seu cabelo.

- Por que você não me diz o que está acontecendo?

- Não é nada, uma hora vai passar.

Uma hora a amizade dele para de fazer falta. O pior de tudo é pensar que se pra ela que só perdeu um amigo está doendo tanto, imagina a amiga que perdeu um amor.

- Tomara que passe mesmo.

Beijei o topo de sua cabeça e fui para o banho. Será possível que tudo isso é só porque ela terminou a amizade com o Nando? Demorei um pouco mais no banho pensando se eu devia ou não aceitar a proposta do Nando. Analisando a situação não tem nada de mais, o que pode dar errado? Sai do banho e nem me preocupei em perguntar se a Érin queria jantar, ultimamente ela não tem jantado, ou quando janta mal meche na comida. Deitei e ela ainda levou alguns segundos até perceber que eu estava deitado, pegou o travesseiro e veio deitar ao meu lado, veio toda manhosa, triste e ressentida com a vida. Deitou a cabeça no meu peito e se aquietou, o coração pesando uma tonelada no peito, chorou baixinho no meu colo mas não quis dizer o que era.

- Por que você não me conta o que está acontecendo? - a abracei mais forte - Eu não gosto de te ver assim.

- As pessoas são ruins amor, elas só sabem machucar, eu queria ficar longe de todo mundo, mas não dá.

- Por que você está dizendo isso?

Tentei erguer seu rosto mas ela afundou ainda mais o rosto em meu peito.

- Porque sempre foi assim, eu é que sou muito idiota e fico achando que um dia a vida muda.

- A vida não é mais como antes meu amor.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora