A primeira coisa que a Érin fez foi dar o dia de folga para o Mathias.
- Pode tirar o dia de folga Mathias.
- Mas dona Érin..
- Dona Érin? Mathias nada mudou pra mim, só Érin e vai logo ficar com os seus sobrinhos.
Ele olhava sem jeito pra mim, eu sorria olhando pra Érin, tão simples, nunca olhou pro Mathias como um empregado. Nunca entendi a proximidade dos dois mas ver o jeito simples como ela o tratava me fez entender porque ficou tão chateada comigo. Trata as pessoas de igual pra igual,nunca foi patroa.
- Mathias, desculpe pelo outro dia.
A Érin me olhava de um jeito doce, parecia feliz com a minha atitude. Sempre tratei o Mathias como um mero empregado, mas vendo o quanto a Érin gosta dele não me sinto no direito de o tratar diferente.
- Não precisa se desculpar. O doutor teve os seus motivos. - respondeu meio seco e de empregado para patrão, falava com a Érin como amigo, mas me olhava de baixo para cima. Se sentia menor.
- Mathias, perdoar é o que faz você diferente dos outros.
- Você devia ouvir os próprios conselhos Érin. - falou de um jeito doce e ressentido ao mesmo tempo, ela ficou em silêncio olhando para homem a sua frente, tentando reconhecer nele o amigo de todos os dias - Já que eu estou dispensado por hoje, com sua licença.
-Mathias espera!
Ia em direção a ele quando a segurei pela mão.
- Deixa ele ir. Não importa.
- Importa sim.
Saiu atrás dele e eu morri de ciúmes. Se importa mais com a opinião do motorista que com a minha. Fui atrás dela e ouvi quando falava com o Mathias, não que eu seja de ouvir conversas, mas quando a ouvi falando recuei, fiquei sim ouvindo, mas porque queria entender o que se passa em sua cabeça.
- Vai deixar de ser meu amigo por causa do que aconteceu?
Falava com um olhar triste, ele era realmente importante para ela e eu quase morri de ciúmes pensando que ela poderia sentir por ele o que sentia por mim quando criança. Tive que fazer muito esforço para lembrar que o cara é gay.
- Não quero mais problemas Érin. Eu gosto de você, você é diferente, não é uma garotinha mimada e metida a besta só porque tem dinheiro. Você olha para as pessoas e vê o que elas são não o que elas tem, mas seu marido não é igual a você. Eu não quero ninguém me tratando diferente só porque sou gay, então eu acho melhor que a gente seja só patrão e empregado. Sempre soube que essa amizade não ia dar certo.
- Você não pode me julgar por algo que eu não fiz. Você esta sendo injusto comigo, eu não sou o Erick e você sabe que eu nunca te tratei diferente.
- Injusto é ser tratado feito um leprento só porque minha opção sexual é diferente dos outros, injusto Érin é ser forçado a expôr minha vida pessoal só porque o patrão precisa ter certeza que você é gay.
- Você não precisa agir assim, você é um cara legal. Eu sei que o Erick errou, mas você é diferente dele, você é melhor do que isso.
- Você da conselhos que você mesma não ouve.
- Só falo porque acredito que é verdade.
- Você quer que eu seja diferente e perdoe o seu marido, mas você já o perdoou?
- É diferente Mathias. - a voz dela era mais baixa.
- Diferente porque é você?
Não aguentei ouvir mais nada.
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Entre o amor e a vingança
RomanceEla: Érin, 23 anos, virgem. Sem muitos amigos, perde o único irmão e melhor amigo aos onze anos. Sofre diariamente com os maus tratos de um pai violento, vê sua vida mudar aos doze anos com a entrada de um novo aluno na escola que em pouco tempo se...
