Cap. 39 Desculpa se eu não sei mais demonstrar

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A primeira coisa que a Érin fez foi dar o dia de folga para o Mathias.

- Pode tirar o dia de folga Mathias.

- Mas dona Érin..

- Dona Érin? Mathias nada mudou pra mim, só Érin e vai logo ficar com os seus sobrinhos.

Ele olhava sem jeito pra mim, eu sorria olhando pra Érin, tão simples, nunca olhou pro Mathias como um empregado. Nunca entendi a proximidade dos dois mas ver o jeito simples como ela o tratava me fez entender porque ficou tão chateada comigo. Trata as pessoas de igual pra igual,nunca foi patroa.

- Mathias, desculpe pelo outro dia.

A Érin me olhava de um jeito doce, parecia feliz com a minha atitude. Sempre tratei o Mathias como um mero empregado, mas vendo o quanto a Érin gosta dele não me sinto no direito de o tratar diferente.

- Não precisa se desculpar. O doutor teve os seus motivos. - respondeu meio seco e de empregado para patrão, falava com a Érin como amigo, mas me olhava de baixo para cima. Se sentia menor.

- Mathias, perdoar é o que faz você diferente dos outros.

- Você devia ouvir os próprios conselhos Érin. - falou de um jeito doce e ressentido ao mesmo tempo, ela ficou em silêncio olhando para homem a sua frente, tentando reconhecer nele o amigo de todos os dias - Já que eu estou dispensado por hoje, com sua licença.

-Mathias espera!

Ia em direção a ele quando a segurei pela mão.

- Deixa ele ir. Não importa.

- Importa sim.

Saiu atrás dele e eu morri de ciúmes. Se importa mais com a opinião do motorista que com a minha. Fui atrás dela e ouvi quando falava com o Mathias, não que eu seja de ouvir conversas, mas quando a ouvi falando recuei, fiquei sim ouvindo, mas porque queria entender o que se passa em sua cabeça.

- Vai deixar de ser meu amigo por causa do que aconteceu?

Falava com um olhar triste, ele era realmente importante para ela e eu quase morri de ciúmes pensando que ela poderia sentir por ele o que sentia por mim quando criança. Tive que fazer muito esforço para lembrar que o cara é gay.

- Não quero mais problemas Érin. Eu gosto de você, você é diferente, não é uma garotinha mimada e metida a besta só porque tem dinheiro. Você olha para as pessoas e vê o que elas são não o que elas tem, mas seu marido não é igual a você. Eu não quero ninguém me tratando diferente só porque sou gay, então eu acho melhor que a gente seja só patrão e empregado. Sempre soube que essa amizade não ia dar certo.

- Você não pode me julgar por algo que eu não fiz. Você esta sendo injusto comigo, eu não sou o Erick e você sabe que eu nunca te tratei diferente.

- Injusto é ser tratado feito um leprento só porque minha opção sexual é diferente dos outros, injusto Érin é ser forçado a expôr minha vida pessoal só porque o patrão precisa ter certeza que você é gay.

- Você não precisa agir assim, você é um cara legal. Eu sei que o Erick errou, mas você é diferente dele, você é melhor do que isso.

- Você da conselhos que você mesma não ouve.

- Só falo porque acredito que é verdade.

- Você quer que eu seja diferente e perdoe o seu marido, mas você já o perdoou?

- É diferente Mathias. - a voz dela era mais baixa.

- Diferente porque é você?

Não aguentei ouvir mais nada.

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