cap. 107

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Voltamos!!!!!!
Eu só tenho a agradecer pelo carinho, pela preocupação e por todas as mensagens carinhosas que recebi no tempo em que estive fora.  Peço desculpa pela demora, mas só Deus sabe o caos que minha vida estava. Enfim, não vou me alongar muito, mas é com pesar que começo a me despedir do nosso querido casal, estamos entrando na reta final e daqui para frente vão ser muitas emoções.

Ah sim!!!! Dêem uma olhada no video deste capitulo e ouçam a música no final, na cena do restaurante até o final do capitulo. Considerem essa a musica deste capitulo e do próximo.
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Eu nunca disse um "eu te amo" sem ouvir um "eu também" de volta, quando o Erick e eu nos beijamos tive a certeza de que independente de qualquer coisa a gente se amava e quando a idiota da Carla entrou na sala do meu príncipe (que saudade de chamar ele assim) eu só queria esfregar na cara dela que mesmo que ela pudesse ser melhor que eu, é a mim que o Erick ama. Eu quis que ela se sentisse tão pequena quanto me senti naquele banheiro. Fiz questão de beijar o Erick na frente dela, mas confesso que morri de medo dele não dizer que também me amava, foi um tiro no escuro mas acabou dando certo. Agora sentada aqui sozinha enquanto o motorista do táxi me leva até o cartório estou pensando se o que fiz foi certo, não tenho dúvidas de que foi certo com a Carla, mas e o Erick? Ele se preocupa comigo, pode ter todos os defeitos do mundo, mas do jeito torto dele, ele sempre zelou pelo meu bem estar e a minha segurança, não me parece certo reacender uma velha esperança de um casamento afundado uma vez que não tenho a intensão de ficar.

O Erick é de fato o amor da minha vida, mas não é justo condená-lo a uma vida infeliz ao meu lado. Uma vez o Victor me disse que deixar ir também é uma prova de amor e só agora entendo o que ele quis dizer e o porque dele ter aceitado com tanta resignação o divórcio, no fundo, assim como eu sei agora, ele sabia que não era o suficiente para fazer sua esposa feliz. Dizem que amar alguém é desejar a felicidade da outra pessoa mesmo que o motivo não seja você e agora repensando toda a minha vida eu percebo que por mais dolorido que possa ser, eu desejo que o Erick seja feliz sem mim. Saber que ele tem uma chance me traz um mínimo de paz, ás vezes é bom saber que a minha tristeza não precisa contaminar todas as vidas que eu tocar.

Cheguei no cartório em cima da hora de fechar e por sorte consegui autenticar todos os documentos, a sensação de missão cumprida me dava um pouco de paz. A volta para a empresa foi mais tranquila, enviei uma mensagem para o celular do Erick avisando que os documentos estavam prontos e aproveitei o tempo livre para pensar um pouco, talvez o psiquiatra estivesse certo sobre algumas coisas, mas daí a dizer que a minha vida seria normal, como dizem por ai, ele viajou na maionese. Era impossível aceitar uma felicidade que vem de um comprimido, dizer que um remédio vai amenizar essa dor imensa que carrego no peito é uma afronta a minha inteligência, nenhum remédio vai diminuir a dor de não ter o meu irmão ao meu lado, ou apagar os anos de terror no colégio e em casa, todas as noites sem dormir, ou mesmo todas as noites em que dormi no cemitério. Foi difícil aprender a não ter medo de ficar lá, é assustador, ainda mais para uma criança de dez anos, acho que essa é a fase em que a gente ainda tem medo de bicho papão e eu estava lá aprendendo a superar o medo dos ruídos da noite e dos fantasmas que a gente sabe que existem nos cemitérios, sério mesmo que o psiquiatra acha que pode curar a minha vida com remédios? Estou começando a achar que aquele médico jogou o diploma no lixo quando me entregou aquelas receitas.

A viagem de volta para a empresa parecia bem mais longa, mas acho que era só porque eu estava pensando na minha vida. Pode parecer egoísta, mas tudo que quero agora é poder me divorciar do Erick, não é falta de amor, é excesso dele. Não acho justo prender o Erick a uma vida infeliz ao meu lado, até hoje de manhã eu tinha a esperança de ficar bem algum dia, a terapia tem me ajudado muito, não sinto mais aquela necessidade de descontar nas outras pessoas o peso da minha vida e as vezes nem me sinto mais tão pesada, normalmente já descarreguei toda minha raiva no divã. Quando o Erick se aproxima não tenho mais tanta raiva, aos poucos foi ficando mais fácil aceitar o carinho dele e entender que é carinho sim, nem todo toque é agressão e por mais que ele já tenha errado tinha ficado mais fácil perdoar também, mas agora toda minha esperança foi pelo ralo, o resultado daqueles exames vieram como uma sentença á forca e eu não sabia mais como encarar o Erick depois daquele eu te amo, a gente se ama e ninguém pode mudar isso, mas o que a gente faz quando não da pra ficar junto? Se eu contar toda a verdade para o Erick não tenho dúvidas que ele vai ficar ao meu lado, mas que tipo de vida eu poderia oferecer a ele? Viver enfiado em consultórios médicos, controlar os meus remédios controlados, se trancar no quarto comigo quando eu não quiser sair, se privar da vida porque eu não quero viver? O Erick merece uma vida melhor, não é justo que depois de tudo que já fez por mim, essa vida medíocre seja tudo que tenho para oferecer. Eu já estava na porta da empresa quando meu corpo todo foi tomado pelo pânico de encontrar o Erick. Eu só queria que esse dia acabasse e eu pudesse me trancar de novo no quarto. Respirei fundo, sentindo os olhos arderem da vontade de chorar, se a viagem de volta pareceu longa o caminho do portão até a sala do Erick parece ter acontecido na velocidade da luz. Senti minha mão vacilar antes de bater na porta.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora