Me fazer descer com o coração revirado foi jogada de mestre e ele sabe disso, soube desde o primeiro momento. Lá no fundo ele sabe que ter os sentimentos a flor da pele é uma falha na segurança, é uma passagem secreta nos muros feitos de aço. Olhar para o Nando com aquela cara de cachorro arrependido não ajudava muito a manter a imagem de vilão que eu queria, por alguns instantes ninguém falou nada, o Nando não parecia desejar aquela conversa também. O Erick foi o primeiro a falar.
- Antes de qualquer coisa eu acho que você deve pedir desculpa a Érin.
- Me desculpa Érin.
Era difícil entender o significado daquela cena. O Nando de cabeça baixa feito um garotinho levando bronca do pai, eu não entendo esse poder que o Erick exerce sobre as pessoas, ele fala e todo mundo se curva, o que só me faz lutar com todas as forças para não baixar a cabeça diante dele.
- Nando não é que eu não goste de você, mas você machucou uma pessoa que eu gosto muito.
E no fim das contas você baixa a cabeça sem perceber, o amor faz parecer que tudo é certo e que nada é errado. Você se curva sem perceber que está curvado e no final você ainda vai achar que ganhou a batalha, sem perceber que entregou a vitória em uma bandeja de prata para o suposto inimigo.
- Eu não queria ter colocado você no meio disso, não era pra você saber também. Não estou querendo culpar a Paulinha, mas você só soube porque ela fez questão de contar.
Ele continua falando com aquele jeito de cachorro que cai da mudança e perde o rumo, a casa antiga não é mais um lar e pra casa nova ele não sabe o caminho. Completamente perdido e sem rumo, cachorro que uiva baixinho com saudade do dono.
- É claro que ela ia me contar, a gente estava junto nisso. A Paulinha não é o tipo de pessoa que esconde a felicidade, se ela está feliz ela vai dividir isso com as pessoas que ela ama e eu sempre fui essa pessoa. Olha não é que eu tenha que te perdoar, isso é tarefa pra ela, mas você entende que a minha melhor amiga não quis a minha companhia hoje? Você entende que eu estou sem chão, que eu perdi o rumo?
- Talvez você entenda como eu me sinto. Eu também perdi o rumo, tirando você e o Erick eu tô sozinho aqui, minha família está toda em outro país, a Paulinha era a pessoa com quem eu mais gostava de estar e agora ela não quer me ver nem pintado de ouro.
- E com razão né?
Você pode até estar com a guarda baixa, mas lá no fundo você ainda sabe como empunhar as armas que tem em mão.
- Eu entendo que ela tenha se machucado, mas ao mesmo tempo eu não entendo não. Quando a gente começou a sair ela também só queria sexo ai de repente parece que tudo mudou. Eu já tentei ligar, eu já tentei ir na casa dela, já tentei mandar mensagem, eu já tentei de tudo e ela nem se quer me escuta.
- Você tem procurado ela? - por que eu não sei disso? Por que ela escondeu que o Nando a estava procurando?
- Todos os dias, mas ela não quer falar comigo.
O Nando parecia cansado, vencido, exausto de buscar algo que ele sabe que não terá.
- As pessoas mudam, os sentimentos mudam. Não quer dizer que porque a Paulinha disse que só queria sexo no começo que ela não possa ter mudado.... - respiro fundo e solto devagar todo o ar de dentro dos pulmões - E pelo jeito não foi só os sentimentos dela que mudaram não é?
- Eu só quero pedir desculpa para ela.
- Se era só isso você já pediu e ela não aceitou. Se era só isso você já fez a sua parte, já pode deixar minha amiga em paz.
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Entre o amor e a vingança
RomanceEla: Érin, 23 anos, virgem. Sem muitos amigos, perde o único irmão e melhor amigo aos onze anos. Sofre diariamente com os maus tratos de um pai violento, vê sua vida mudar aos doze anos com a entrada de um novo aluno na escola que em pouco tempo se...
