Descemos juntos, a Paulinha estava séria mas ao mesmo tempo parecia feliz.
- Me ajuda com o almoço?
- Claro. Mas eu acho que não é só com o almoço que você quer ajuda.
- Deu pra ler pensamentos agora? - sorri meio chateado.
- Eu vi o jeito como você estava olhando pra Érin quando ela estava no meu colo e pra ela ter te pedido desculpa é porque o negócio foi feio ontem.
- Nem tanto, ela só não me deixou chegar perto, tava muita agressiva, deu a entender que não queria ter se casado comigo. Já tive dias piores com ela.
- Mas você ficou chateado dessa vez. - falava enquanto abria os armários na cozinha tentando encontrar as panelas - Você já teve dias piores mas hoje te incomodou mais que das outras vezes.
- Eu não esperava pela reação dela, das outras vezes eu sabia que ia acabar em briga. A gente estava bem dessa vez, eu só queria que ela confiasse em mim. Desculpa Paulinha, mas não quero ter que te chamar toda vez que a Érin entrar em crise.
- Da um tempo pra ela Erick, a Érin mudou muito depois que vocês casaram. Eu sei que cansa, mas a Érin melhorou muito depois que você voltou. Ela tá muito mais permissiva, ela se aproxima mais das outras pessoas, ela não fica mais com tanto medo quando alguém se aproxima, ela não gosta, mas não gostar é diferente de sentir medo.
- Não precisava ela ter falado tudo que falou ontem, era só ter contado o que tinha acontecido. Ela mentiu pra mim hoje de manhã, mentiu pra defender o pai.
- Não é bem assim, ela mentiu porque ainda estava com medo. Conversei com ela enquanto você foi a farmácia, ela só não te contou porque ainda tem medo de confiar em você.
- Ela disse isso?
- Não exatamente, mas a Érin a gente lê nas entrelinhas. Ela disse que tinha medo de você denunciar o pai dela. Você cresceu, não é mais aquele moleque de dezesseis anos que ia só abraçar e deixar ela chorar. Qualquer pessoa que conheça a história da Érin quer denunciar o seu Aquiles, mas seja como for ele ainda é o pai dela e não tem um jeito de fazer isso sem machucar a Érin.
- Tem horas que eu não sei o que fazer, ela me proibiu de fazer qualquer coisa com o pai dela. A Érin defende tanto esse homem, isso nunca vai acabar se alguém não fizer alguma coisa.
- Erick eu vou te contar uma coisa, mas você tem que prometer que não vai contar pra Érin que eu te falei.
- Você sabe que eu não vou contar.
- A Érin reagiu pela primeira vez quando o seu Aquiles bateu nela. Ontem ela não se deixou ser agredida, foi a primeira vez que ela fez alguma coisa pra impedir que o pai batesse nela. É por isso que ela está tão assustada, tem medo da reação do pai.
- É sério?
- É. Erick o que você está fazendo pela Érin é algo que não tem como explicar, a Érin está aprendendo a ser amada, está aprendendo que agressão não é algo que as pessoas merecem. A Érin sabe agora que é errado, que ela merece mais do que isso, você está fazendo ela acreditar em merece mais do que os maus tratos do pai. Talvez um dia ela mesma denuncie o pai, mas a gente não pode ficar pressionando, a Érin é o tipo de pessoa que só cresce se ninguém estiver olhando.
- Tem tanta coisa que eu não sei sobre ela, eu perdi tanto da vida dela Paulinha. Eu perdi a confiança dela, eu sei que ela ainda gosta de mim, mas até o amor dela é diferente agora. As vezes parece que eu tô casado com uma estranha, eu não sei mais nada sobre ela, eu sabia tudo e agora eu não sei nada.
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Entre o amor e a vingança
RomanceEla: Érin, 23 anos, virgem. Sem muitos amigos, perde o único irmão e melhor amigo aos onze anos. Sofre diariamente com os maus tratos de um pai violento, vê sua vida mudar aos doze anos com a entrada de um novo aluno na escola que em pouco tempo se...
