Acordei com a minha mãe batendo na porta, não que eu quisesse levantar, mas fui abrir a porta.
- Oi filha, bom dia.
- Oi mãe. - voltei para a cama e me sentei na beirada dela.
- Querida você já deveria ter se levantado, daqui a pouco chega o pessoal que vem pra te arrumar.
- Como assim?
- O Erick me ligou e disse que você se recusou a ir ao spa que ele havia reservado para você, então ele mandou uma equipe aqui pra casa pra cuidar de você.
- Eu não acredito. - ponho o rosto entre as mãos.
- Filha o que está acontecendo?
- Nada mãe! - digo um pouco rude. - se a senhora não se incomodar eu quero ficar sozinha.
Minha mãe sai do quarto um pouco triste, mas não me sinto culpada por isso. Se ele tivesse fugido comigo nós teríamos a chance de ser feliz agora e talvez eu tivesse me apaixonado por alguém legal e não estaria sendo entregue a esse casamento como um objeto, como uma mercadoria qualquer.
Bom não vai adiantar nada eu ficar aqui chorando e lamentando o meu futuro, o que me resta é sair com classe da minha própria vida, porque a partir de hoje ela não é mais minha. Minha liberdade foi negociada e meu futuro só Deus sabe o que pode acontecer.
Assim que terminei o banho a Paulinha chegou e isso era a única coisa que me confortava, só pra ela eu tenho coragem de mostrar as minhas sicatrizes sem sentir vergonha de mim. Logo em seguida chegou umas três moças, uma para arrumar o meu cabelo, outra pra unha e outra para a maquiagem, graças a Deus nenhuma era massagista. Passei o dia todo entre penteados e maquiagens, as meninas estavam todas muito animadas e não paravam de falar sobre o quanto eu tinha sorte por ter um noivo tão bonito e tão rico. A beleza do Erick se tornou o assunto mais comentado e por um instante isso me incomodou um pouco, não era ciúmes, mas era pelo menos incômodo a maneira como elas falavam do Erick.
Quando finalmente consegui ficar a sós com a Paulinha, me despi e deixei que ela visse as minhas marcas. Ela me olhou com tristeza, pena nunca algo que minha amiga sentiria de mim, segurei as lágrimas para não borrar a maquiagem e vendo a minha dor ela sorriu, cono todas as outras vezes ela fazia.
- Amiga você ainda vai ser a noiva mais linda, e depois seu vestido cobre as marcas.
Eu não precisava dizer que estava com vergonha, não pra ela, a Paulinha sabia o que eu sentia através de um simples olhar. Mesmo sabendo que suas palavras não iam mudar meu humor ela ainda tentava me animar e fazer esquecer a parte ruim desse casamento.
- Eu não ligo pra ser a noiva mais bonita, eu só queria ser uma noiva normal. Quantas garotas na minha idade são forçadas a casar?
- Olha amiga se você for parar pra pensar no assunto, muitas. Em quantos países as mulheres não são obrigadas a se casar com homens que elas nunca viram na vida? A diferença é que elas não são obrigadas a se casar com o amor de suas vidas.
- Ta que seja, mas acontece com todas elas e não só com algumas. E segundo o Erick não é o amor da minha vida!
- Eu não disse que era. - disse zombando de mim como sempre. As vezes eu me pego pensando porque a Paulinha quis ser minha amiga. Somos tão diferentes.
- Cala a boca e vem me ajudar com o vestido antes que aquelas chatas voltem.
Assim que terminei de colocar o vestido as mulheres que cuidaram da minha maquiagem chegaram, o vestido ainda estava aberto e ainda era possível ver os hematomas. Assim que me viu com o vestido aberto uma delas se apressou em me ajudar, mas antes que ela chegasse até mim eu recuei.
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Entre o amor e a vingança
Storie d'AmoreEla: Érin, 23 anos, virgem. Sem muitos amigos, perde o único irmão e melhor amigo aos onze anos. Sofre diariamente com os maus tratos de um pai violento, vê sua vida mudar aos doze anos com a entrada de um novo aluno na escola que em pouco tempo se...
