Durante o almoço a Érin se manteve distante, tanto o quanto pode, mas o Nando havia notado que ela estava diferente e começou a puxar assunto. Aos poucos ela começou a se soltar.
- E os carinhas de la? Devem estar doidos com as duas dondocas que vão para a faculdade de motorista particular.
- Fala sério Nando. - a Érin fez pouco caso - Tô nem ai para aquela gente chata, mas tem hora que é chato, fica todo mundo olhando pra cara da gente como se a Paulinha e eu fôssemos duas patricinhas metidas a bestas.
- Ai primo te chamou de metido a besta.
- Mas eu não ando com motorista particular. - eu ri um pouco da situação.
- Vai ver que é porque ninguém te obriga a andar com um. - soltou assim, como se não tivesse dito nada, falou e voltou a comer, a cabeça baixa distraída com a própria comida, nem parece que foi uma indireta.
- Se você quiser eu vou lá fora agora e mando o Mathias embora.
Ela me olhou séria e o Nando ria, a Paulinha já havia percebido que as coisas entre a Érin e eu não estavam nada bem e que aquilo não era só uma piada.
- Reclama do motorista mas não fica sem ele. - o Nando dizia rindo, totalmente a parte do que estava acontecendo.
- Tô acostumada com o Mathias, só não lembrava o quanto é chato ter um monte de gente me olhando de cima a baixo na faculdade.
- Bom você devia estar acostumada com isso, ainda mais porque você e a Paulinha andam juntas direto, a beleza de vocês chama a atenção.
- Não vejo a hora de acabar a faculdade.
Naquele momento percebi que talvez a Érin estivesse incomodada com outras coisas e não só comigo. Nem me dei o trabalho de pensar em como estaria sendo para ela voltar a estudar, nem lembrei a dificuldade que ela tinha de se relacionar com outras pessoas, achei que essa dificuldade com pessoas tivesse acabado depois da escola. Nem lembrei o quanto de lembranças ruins a faculdade podia trazer. Foi por causa da faculdade que ela descobriu que eu ia me casar com a Raquel, achei que ela já tivesse esquecido isso depois que nos acertamos, mas quando ela disse que queria terminar logo a faculdade percebi que não era algo que ela fazia com amor.
Me senti tão idiota por não ter percebido o jeito como ela havia mudado desde que decidiu voltar a estudar, só enxerguei a menina feliz que devolvia a faculdade da amiga, mas não vi a mulher ferida que mergulhava de volta no passado. Fui eu que me ausentei da conversa agora, me perdi em meus pensamentos, fiquei em silêncio olhando para ela, observando cada movimento e absorvendo cada informação que eles traziam. A que preço você devolve a faculdade da Paulinha? Nenhum de nós parece ter percebido o quanto isso significa de verdade para você. Seu coração se parte em mil pedaços para devolver o que você acha que roubou da sua melhor amiga, me pergunto agora se é ela quem tem a metade do tamanho agora.
Terminamos o almoço naquele clima falso de felicidade, o Nando e a Paulinha paparicavam e enchiam de elogio a Constância. A Érin disfarçava bem, ninguém notava que ela estava quebrada, sofria em silêncio como todos os anos de sua vida. Tive vontade de pegá-la no colo e acolher sua dor, me sinto um idiota por a ter deixado sozinha durante a manhã, eu devia ter ido atrás dela, ter abraçado e ter ficado o tempo todo com ela, devia ter feito com que entendesse que não está mais sozinha.
Depois do almoço decidimos assistir um filme para fazer hora para irmos para a piscina. A Paulinha e o Nando sentaram em um canto do sofá e a Érin e eu no outro. Ela estava toda encolhida, parecia tão pequena e ninguém notava que enquanto todos sorriam a Érin lutava contra sentimentos gigantes que mau cabem em seu peito. A puxei para um abraço e a escondi do mundo como sempre fiz. Ela parecia tão pequena nos meus braços, a diferença de tamanho parecia maior agora. Por ser mais velho e homem eu sempre fui maior que ela e com o passar dos anos isso não mudou, a Érin não cresceu muito, um metro e sessenta tem a minha pequena, magra e com curvas que me deixam louco. Hoje a diferença de tamanho entre a gente é gritante, eu fiquei mais alto, mais forte e ela continuou sendo só uma miniatura de mulher.
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Entre o amor e a vingança
RomanceEla: Érin, 23 anos, virgem. Sem muitos amigos, perde o único irmão e melhor amigo aos onze anos. Sofre diariamente com os maus tratos de um pai violento, vê sua vida mudar aos doze anos com a entrada de um novo aluno na escola que em pouco tempo se...
