Cap. 117 - Os pingos encontram os i's

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A mão perde a força para segurar o celular, o meu Erick está no hospital. Sinto um aperto muito forte no peito, como se aqueles fossem os meus últimos momentos com ele, não tenho boas experiências com hospitais, foi em um que descobri que o Erick havia me abandonado e agora o medo de que nossa história seja encerrada em um hospital toma conta de mim. Visto a primeira roupa que vejo pela frente e pego o carro, eu com certeza não estava em condições de dirigir, mas era madrugada e o Mathias não estava. Ao entrar no escritório do Erick para buscar as chaves sinto um vazio imenso no peito e pensar que um dia fugi de casa faz eu me sentir meio idiota, talvez eu devesse ter ouvido o que ele tinha para falar. A gente se amava não é? Então por que ficar junto se tornou algo tão difícil? Respiro fundo sentada ao volante do carro enquanto sinto minhas mãos tremendo, digo a mim mesmo que sou capaz. Eu não sabia chegar no hospital, uso o GPS do celular para me guiar até onde meu príncipe se encontra ferido. As ruas estavam desertas e frias, ninguém caminhava por elas, uma sensação de que o mundo havia perdido a cor. A sensação de solidão invade o carro, meus olhos começam a molhar, respiro fundo tentando ser forte, o Erick havia dito que se eu preferia ele morto eu não precisava mais fugir e agora temo o que ele fora capaz de fazer. Quero ligar para a Paulinha, mas saber tudo o que fiz e que ela bloqueou minhas chamadas me faz perder a coragem.

Ligo para o Nando, ele demora para atender, mas enfim sua voz me traz um mínimo de equilíbrio.

Ligação on

- Nando! Pelo amor de Deus volta pra cá. - digo aos prantos.

- O que aconteceu Érin?

- Eu to com muito medo, o Erick sofreu um acidente... ligaram do hospital, eu to indo pra lá agora e.... É tudo minha culpa Nando!

- Como assim o Erick está no hospital? - Ele pergunta assustado.

- Eu não sei! Ligaram do hospital e...

Não consigo dizer mais nada. Paro no sinal que esta fechado e me entrego ao choro.

- Fica calma, me diz qual é o hospital.

Digo o nome do hospital e o sinal abre, enxugo o rosto com as costas das mãos e sigo com o carro.

- Fica calma ta? Eu to indo pra la.

- Por favor volta pro Brasil, eu não aguento mais tudo isso.

- Ta, mas fica calma ok.

Ligação off

Chego ao hospital e paro o carro de qualquer jeito. Desço correndo e vou direto para a recepção, tem pessoas na minha frente, meu corpo gela com o pânico de estar dentro de um hospital novamente. Saber que o Erick está machucado me deixa em pânico, passo a frente de todas aquelas pessoas e pergunto desesperada.

- Eu preciso saber como esta o meu marido!

Pela primeira vez chamá-lo de "meu marido" não incomodava.

- Qual o nome dele senhora?

Me faziam tantas perguntas, era impossível pensar em tantas coisas. Eu só queria que alguém me dissesse que ele estava vivo. Me fizeram esperar porque não tinham notícias além de que ele estava em cirúrgica, era preciso esperar o médico para saber e o médico estava ocupado tentando salvar a vida do meu grande amor. O médico não sabe, mas ta tentando salvar duas vidas.

O Nando não me atende mais... imagino que ele tenha conseguido um avião. Era assustador aquele lugar, a emergência de um hospital é horrível, pessoas chegando machucadas, pessoas lutando pela vida, uma criança chega muito ferida, seus pais não param de chorar, lembro do dia em que acordei no hospital. Meu corpo todo treme de medo. Já havia mais de uma hora que eu estava ali e nenhuma notícia. O Nando não me atende. Vou até a recepção e peço para usar o telefone, ela não vai atender se eu ligar do meu celular. Ela demora a atender, mas finalmente ouço sua voz.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora