Cap. 76 Vai pintado de prata

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Depois daquela choradeira toda, não tinha clima de ir embora. Ficaram os três um lambendo as feridas do outro, ninguém perguntou a Érin sobre a surra que ela nunca havia contado, não que o Erick não tenha sentido vontade de perguntar, mas ali ele sabia que ninguém tinha o direito de perguntar detalhes, eram feridas grandes e ninguém tinha o direito de enfiar o dedo na ferida um do outro.

Nos dias que seguiram a Érin também não quis a companhia da Paulinha, não por ressentimento, mas por não saber lidar com tudo que lhe foi contado. Se resumiu a mandar uma mensagem para a amiga pedindo desculpa pela visita inesperada, disse que não tinha nada haver com aquele plano mas que precisava de alguns dias para colocar as idéias no lugar. Na faculdade as duas não desgrudavam, mas o Nando foi assunto proibido por alguns dias. A Paulinha sofre mas não da o braço a torcer, doeu quando o Nando parou de procurá-la, no fundo ela sente falta da insistência nas ligações, nas visitas inesperadas em sua casa, sente falta de olhá-lo pela janela enquanto ele toca a campainha de sua casa sem resposta, ou quando sua mãe abria a porta e dizia que ela não estava. Ela nunca vai contar a verdade, mas chora toda noite com saudade do amado.

Já havia se passado uma semana quando a Érin criou coragem e falou com a Paulinha.

- Amiga desculpa, eu não posso mais ficar sem falar com o Nando.

- Érin eu não quero saber nada do Nando.

- Eu sei, eu queria parar de falar com ele, mas não dá amiga. Sempre foi só nós duas sabe, era bom assim, mas eu não consigo parar de falar com ele depois do último final de semana.

- Érin, olha eu não quero saber nad..

- Tá eu prometo que não falo nada sobre o Nando, só não me pede pra parar de falar com ele de novo.

- O que te deu? Você nunca foi de se apegar assim a ninguém.

- Eu gosto do Nando. Desculpa amiga, mas eu gosto muito dele e depois de sábado eu não consigo mais parar de falar com ele.

- Olha eu nunca te pedi para parar de falar com ele, você é livre para falar com quem você quiser, pelo menos da minha parte é. - disse olhando para o Victor que acabava de entrar na sala - A única coisa que vou te pedir é pra não fazer que nem o Erick e ficar armando encontro escondido com ele.

- Eu prometo. - disse erguendo a mão.

Por mais que a Paulinha já tenha voltado a sorrir está na cara que ela ainda sofre. E o Nando por sua vez nem disfarça que está mal. A Érin tem saído para almoçar com ele mais vezes depois de todo aquele desabafo, faz isso escondido da amiga. Mas um dia deixou o celular em cima da mesa na faculdade e foi ao banheiro, o celular dela tem senha, mas amigos como ela têm a senha um do outro. Aquele maldito celular tinha que vibrar,tinha que mostrar que era mensagem do Nando. Desde quando a Érin tem contato assim com o Nando, até onde ela sabia a amiga se quer tinha ele na lista de contatos.

Parecia errado, mas ela só quis pensar nisso depois. Era só digitar a senha, a data do primeiro beijo, dia e mês que ela sabe de cór. A tela estava desbloqueada, a foto dela com a Júlia e o Erick no papel de papel de parede. Que feio, invadindo a privacidade da melhor amiga, abriu o whatsapp e lá estava uma mensagem do ex convidando a amiga para almoçar. Ela nem leu o resto da conversa, por respeito e porque não deu tempo, só rolou a conversa para cima e viu que se falavam bastante. A Érin quando entrou na sala viu a amiga mexendo no seu celular mas não ligou, sentou ao lado da Paulinha e tentou prestar atenção na aula.

- Não sabia que você estava tão amiguinha do Nando. - disse toda emburrada, a Érin só olhou curiosa - Ta te chamando para almoçar. E colocou o celular em cima da mesa.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora