Cap. 84 Melhor sensação do mundo!

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O dia começou bem, uma promessa silenciosa de que vai dar tudo certo daqui pra frente, talvez não dê, mas ter a chance de pelo menos tentar já significa muito para mim. A manhã foi incrível, foi a primeira vez que o Erick veio até minha faculdade e pode parecer besteira mas foi incrível poder conversar com ele no portão, ser beijada antes do "sinal tocar", saudade boa de um tempo que não volta. Até a aula de macroeconomia parecia menos chata, mas algo me chamava atenção, o Victor estava longe, parecia triste.

- Você está longe.

- Desculpa, não prestei atenção.

- Você está longe, ta tudo bem?

- Está sim.

- Não parece.

Tanto tempo presa dentro de si serve pra alguma coisa, você aprende a ler as pessoas, não é difícil perceber quando alguém está triste, basta olhar uma segunda vez e retirar a venda do egoísmo.

- Tô um pouquinho chateado hoje, mas não foi nada.

- Se quiser conversar depois da aula.

- Não precisa, está tudo bem.

As aulas passaram rápido, é incrível mas felicidade faz o tempo passar mais rápido. Na saída convidei o Victor para almoçar comigo, ele não parecia nada bem, mas não quis dizer o que era. Só sei que no fim a gente se divertiu bastante, tanto que a hora passou rápido, o Victor me olhava de um jeito diferente, um olhar triste e meio distante, enquanto eu não conseguia e nem queria disfarçar minha felicidade.

- Você é o tipo de pessoa que contagia, você está tão feliz que eu nem consigo ficar triste do seu lado.

- ...

Eu quase morro de vergonha com as coisas que o Victor me fala, mas tem um gosto bom, faz parecer que por algumas horas eu sou igual as outras pessoas. Ele sabe que eu fico sem jeito e respeita, nunca me zuou quando eu fico sem saber o que dizer, nunca cobrou nada além do que eu podia dar. Eu nunca tinha ficado corada na frente dele, pelo menos até hoje. Senti o rosto pegando fogo, nem precisava me olhar no espelho para saber que eu estava corada feito um tomate. Baixei a cabeça morrendo de vergonha.

- Você fica linda quando está com vergonha, só não sei está com vergonha de quê.

- Dá pra parar? - e o mais engraçado é que nós dois riamos da situação.

Ele me puxou para perto e beijou minha testa, me abraçou e continuou rindo.

- As vezes parece que você saiu de um conto de fadas, você parece uma princesinha, só que uma princesinha moderna. Kkkkkkkk

- Não tem graça.

É no minimo engraçado que o Victor queira me comparar a uma princesa, o coitado não faz ideia da fera que está em seus braços. Quando vi já era quase cinco horas, a hora voou e eu só consegui pensar no atraso do Victor, mas ele disse que estava de folga e tudo se acalmou outra vez. Cheguei em casa perto das seis horas, mau entrei e a campainha tocou, voltei e um rapaz de no muito dezoito anos estava parado no portão com um enorme buquê de flores.

- Pois não?

- A senhora Érin Albuquerque por favor.

Érin Albuquerque? Senhora Albuquerque... É, você não percebe mas a vida muda, até ontem eu era só uma menina amargurada e anônima sofrendo num quarto escuro e de repente você vira a senhora Albuquerque e levar o sobrenome dele no final do meu tem um gosto estranho e não é gosto de vitória, derrota consentida é esse o gosto que eu sinto toda vez que assino meu nome nas provas da faculdade, toda vez que preencho o cadastro de algum site de compras. Se você olhar para dentro tem um abismo que te arrasta para outra dimensão e você se perde ao ponto de esquecer que tem um moleque na sua porta segurando um buquê de rosas vermelhas esperando para sair e continuar a vida sem saber que ativou o bichinho a dor dentro de você.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora