Capítulo 47

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                        LARA

Finalmente deu a hora do intervalo, não aguentava mais ouvir sobre o código de ética. Tom finalmente me deixou em paz, desde a festa lá em casa nem ele e nem o papai me deixam respirar. Tom, porque acabou tendo que viajar no dia e papai, porque soube da festa e eu tenho certeza que foi o babaca do meu namorado quem contou.

— Ei, Lara. — olhei para trás e me deparei com a minha gatinha de rua. Boára me olhava séria mas tudo o que pude fazer foi sorrir.

Se ela soubesse o quanto senti a falta daquela voz chamando o meu nome.

Olhei a nossa volta para ver se tinha alguém prestando atenção. Estávamos próximo às escadas de emergência por isso, estávamos sozinhas.

— Amor! — me apressei para abraçá-la mas Bô nem me deu chance, só se desviou antes mesmo de eu me aproximar. — Uau, você ainda está hostil. — cruzei os braços. Ela mordia o lábio inferior como se estivesse contendo a raiva, só não sabia ao certo o porquê.

— Tô precisando bater um papo contigo, — ela colocou as mãos nos bolsos da blusa de frio.

— Ok. Fala. — joguei uma mecha do meu cabelo para trás.

— Aqui não. Pode ser lá na quadra coberta? — ela estava estranha.

— Por que? — questionei.

— Porque o lance é sério, mas firmeza, se não quiser...

— Ok, eu estou indo pra lá. — me rendi.

No fim das contas era melhor, lá ninguém nos veria e eu poderia beijá-la como eu venho desejando desde aquela manhã de sábado que ela saiu da minha casa depois de ter me matado de foder.


[...]

Bô me pediu para esperá-la em baixo das escadas da pequena arquibancada, foi o que fiz mas já estava esperando à dez minutos e nada dela aparecer.

Também, era só o que me faltava Boára, me fazer perder tempo e paciência. — soltei um suspiro irritado.

— Lara! — uma voz inesperada me chamou atenção. Em pouco tempo Alex apareceu para a minha infeliz surpresa.

— Alex? — o encarei, confusa.

— E aí. — disse ele.

— O que faz aqui? — me recompus.

— Tá legal. Sakei o jogo. — ele sorriu e se aproximou de mim. — Esse é o código. Muito esperto da sua parte Lara. — pegou na minha cintura e me envolveu num abraço apertado.

— O que é isso? Ficou louco idiota? — tentei me soltar mas Alex me beijou antes mesmo de eu começar a socá-lo e a gritar. O beijo molhado me embrulhou o estômago, era como beijar o Tom, só que cem vezes pior.

— LARA! — um rugido bem conhecido, me fez estremecer. Alex me largou no mesmo instante e os meus olhos se voltaram para Tom, que me encarava furioso e tão fora de si que cogitei correr.

E falando na fera.


[...]

— Thomas, para! — o barulho de socos na porta atrás de mim, me faziam lembrar que mexer com o ego de um cara era como mexer com a comida de um leão.

Quando percebi, Alex tinha sumido e ao me ver sozinha corri para dentro do pequeno quarto de limpeza, onde ficam coisas que eu nunca tinha visto e que eu até tenha visto mas mal me lembrava o nome, como uma vassoura por exemplo. Eu não teria sorte se continuasse na frente do escroto do meu namorado, até porquê a quadra interna quase não era usada e as vezes ficava até trancada então, eu não seria salva.

— Sua filha da puta! Eu vou te matar! — um estrondo na porta me fez suspirar.

— Se quer bater em alguém é melhor que seja no idiota do seu amiguinho. Foi ele que me beijou. — abri minha bolsa e peguei um pequeno espelho, olhei para o meu reflexo e vi a extrema necessidade de um batom.

— Lara, é melhor você sair daí e vir me explicar essa história direito. — mais um estrondo na porta me fez bufar enquanto eu procurava o meu batom.

— Tom, chega! Eu não vou sair daqui enquanto você não se acalmar, ok? — encontrei o batom e o contornei em meus lábios. — E o que você estava fazendo aqui, hein? Anda me seguindo? Thomas, se você estava me seguindo eu juro que...

— Eu recebi a merda da sua mensagem! Sai logo daí Lara! — rugiu.

— Mensagem? Que mensagem? — parei de passar o batom.

— Abre essa porra! — outro estrondo.

Enquanto Tom tentava arrombar a porta, meu cérebro começou a funcionar. Comecei a procurar meu celular, revirei a minha bolsa e nada. Não demorou muito pra me dar conta do que realmente estava acontecendo.

— Agora entendi. — falei pra mim mesma.

— Entendeu o que, sua desgraçada? — mais um estrondo, dessa vez menos barulhento.

Boára, o que você fez, sua cretina?

MaloqueiraOnde histórias criam vida. Descubra agora