❝ Eu costumava beber álcool para me inspirar
Mas você me parece tão bonito, meu novo fornecedor
Eu gostava de fumar para parar todos os meus pensamentos
Mas eu encontrei um agito diferente ❞
Eu pensei que fosse brincadeira, no começo. Não acredita...
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Eu sinto dor antes de sequer abrir os olhos. Todo meu tronco protesta com a mínima respiração, e a vontade de chorar chega me enforcando. Tento me manter imóvel. Céus, eu caí direto no colo de Lúcifer, só pode.
Cerro os punhos e sinto um tecido fino ser amassado entre meus dedos. Um excelente tecido. Franzi a testa e me obriguei a abrir os olhos. A primeira coisa que me deparei foi com uma parede de vidro à minha esquerda. A visão de árvores e chuva me deixou confusa. Eu estou em casa? Varri o ambiente com os olhos, bem, definitivamente não é minha casa.
Eu estou num quarto novo, tem uma estante de livros que vai do chão ao teto na minha frente, completamente preta, diferente de todo o ambiente que aparentemente foi projetado para ser claro. A parede à minha direita possuí um quadro enorme próximo da porta. Ladeando a porta branca tem um guarda roupa preto e rústico, que deveria custar umas vinte picapes minhas.
Tem um teclado do meu lado, se eu esticar a mão, o alcanço. Volto meus olhos para o quadro gigante. Sua tela branca manchada por diferentes tons de vermelho parece uma pétala com respingos de sangue. Eu fico imersa naquela pintura, levo a mão à barriga, mal processei que estava recebendo soro na veia quando a porta se abriu. Era Bella. Aposto que nossos rostos se iluminaram ao mesmo tempo.
Bella se aproximou de mim com cuidado, logo atrás, estava papai, o cenho franzido de preocupação.
— Oi— sorri fraco, Bella se ajoelhou no meu lado e segurou minha mão direita beijando as costas da mesma. Meu pai se sentou perto dos meus pés na larga cama de casal— Onde eu estou?— perguntei olhando para meu pai. Eu tinha quase certeza de onde, mas também não tinha como eu saber para meu pai.
— Estamos na casa dos Cullen— meu pai disse, colocando a mão em meu tornozelo— Como você está, querida?
— O que aconteceu?— desviei da pergunta porque seria sequer capaz de mentir sobre meu estado e não precisava que eles se preocupassem muito. Eles entenderam o recado e se remexeram no lugar, desconfortáveis. Olhei para o rosto de minha gêmea e reparei que ela chorava. Bella sorriu para mim.
— Me desculpa, me desculpa— ela dizia. Uni as sobrancelhas, confusa.
— Do que está falando?— perguntei, papai colocou a mão no ombro de Bella e ela deitou a testa em minha mão.
— Deve ter sido sua concussão, Carlisle disse que você estaria confusa mesmo— Charlie disse, balancei a cabeça.
— Concussão? Como assim?
— Você caiu lances de escada, Caterine, não se lembra de nada?
A única coisa que eu sou capaz de pensar é no abraço da morte que recebi. Passei a língua nos lábios, estou completamente seca. Balancei a cabeça em negação.
— É culpa minha— Bella disse, chorosa, sem erguer o rosto. Levo a mão livre para a cabeça e noto que está enfaixada. Ah, por isso a pressão— Você tentou me conter, mas e-eu...