❝ Eu costumava beber álcool para me inspirar
Mas você me parece tão bonito, meu novo fornecedor
Eu gostava de fumar para parar todos os meus pensamentos
Mas eu encontrei um agito diferente ❞
Eu pensei que fosse brincadeira, no começo. Não acredita...
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O silêncio é gritante e eu sinto que vou surtar com isso. É como se eu estivesse sozinha nesse espaço pequeno e eu não quero ficar assim. Em um ato de pura impulsividade, antes de chegarmos ao destino, eu paro o carro no meio fio e o desligo. Tomo coragem, e tiro o cinto indo me jogar no banco de trás. Não me importei de deixar minhas pernas sobre as de Jasper, sei que ele tampouco ligou. Ele continuou no chão e eu fitei o parabrisa. Não sei porque esperei, era claro que ele não iria quebrar o gelo.
— Está com raiva de mim?— bufei, estressada. Jasper girava seu anel entre os dedos e demorou em me responder. Como não sou do tipo paciente, agarrei o anel da mão dele e o obriguei a olhar para mim. Me inclinei em sua direção e agarrei seu queixo. Ele não resistiu em erguê-lo.— Está com raiva de mim?— perguntei mais uma vez, receosa, olhando no fundo dos seus olhos.
— Claro que não, Caterine.— ele soprou— Você não fez nada.
— Então o que foi?
— Só estou pensando.
— Em que?— eu queria me aproximar mais pois a posição que eu estava, estava machucando minhas costas. Eu no banco, me inclinando em sua direção, ele no chão, apesar de ser grande, não facilita em nada. Se a gente namorasse, ou melhor, estivesse ficando, eu subiria em seu colo para ter sua atenção, mas não dá pra fazer isso agora.
— Eu me vi nele. Da mesma forma que você falou. Foi como... olhar no espelho do tempo, talvez eu fosse ficar daquele jeito se eu envelhecesse. Quais as chances, Caterine? O que ele está fazendo em Forks, de tanto lugares no mundo, por que logo aqui, tão perto de mim? De você?— ele balançou a cabeça, abismado. Jasper esfregou o rosto e manteve as mãos ali. Foi novidade ver alguém que eu considero indestrutível demonstrar tanta vulnerabilidade, eu me senti inútil, sem saber o que lhe falar para oferecer conforto.— Eu vou investigar isso a fundo. Agora eu tenho que saber.— ele deixou as mãos caírem no colo e me encarou como se estivesse cansado, com medo.
— E se, no fim, ele for mesmo alguém da sua família?— arrisquei, falávamos baixo e eu estou com frio por conta do meu longo banho de chuva gratuito— Quer dizer, eu não sei quanto aos outros Clifford... mas e se...?
— Não vai mudar nada na vida deles— Jasper resmungou, baixando o olhar.— Não é como se desse para eu me aproximar e falar quem eu sou, o que eu sou. Não faria sentido. Não seria nada além de colocar a vida deles em risco.— ele fechou os olhos e balançou a cabeça dando um sorriso amargo.— Cacete. De tantos lugares...— ele riu, sem humor. Fiquei quieta, apenas escutando.— Sabe, Caterine... Eu o vi, então eu o vi com você. Cara, eu acabei com tudo, não é? Eu não devia ter voltado— ele dizia. Franzi a testa, sem entender.
— O que quer dizer com isso?— dei outro toque em seu rosto, exigindo que ele me olhasse. Ele não obedeceu, segurava a própria cabeça e bagunçava ainda mais seus cabelos selvagens.