Capítulo 62

5 1 0
                                        

O clima era absurdamente sombrio e tenso quando o doutor Brandon Davis chegou ao laboratório provisório da Organização Ômega. O virologista estranhou assustadoramente o fato de a doutora Kassandra Winslet estar em pé, na abertura da caverna, com uma expressão séria, sem resquício algum do costumeiro deboche que ela costumava ostentar. Seu olhar estava profundamente amedrontado e, assim que avistou o doutor Davis, ela apressou o passo ao encontro dele.

— Por favor, me diga que o hospital foi tomado!

A voz da mulher estava carregada de urgência e agonia, o que fez com que Brandon desistisse imediatamente de tecer qualquer comentário irônico ou tentasse esconder a situação com qualquer outro assunto.

— Eu... enviei um exército de mortos para invadir o hospital. Havia centenas deles contra o grupo da doutora Zhang e aquele policial intrometido! Tive que fugir do local, pois aqueles desgraçados do Bruce e do Frank resolveram passar para o outro lado!

Furiosamente, Kassandra agarrou Brandon pelo pescoço e, violentamente o fez encostar na parede fria da caverna.

— Só responda o que te perguntei! O hospital foi tomado?

Brandon olhou apavorado para a doutora Wisnlet, que tinha os olhos marejados de lágrimas.

— É impossível que tenha dado errado, doutora Wisnlet! Estou falando de quase trezentos zumbis... Eu não vejo como aqueles desgraçados poderiam conseguir fugir ou proteger o hospital sem virar o banquete principal!

— É mesmo, doutor Davis? Então é melhor vir comigo!

Kassandra agarrou Brandon pelo braço e o arrastou furiosamente caverna adentro. O homem estava prestes a puxar seu braço de volta quando a pistola semi automática da cientista foi posicionada subitamente na direção do seu rosto.

— É melhor me obedecer! Acredite em mim, Brandon... estamos em sérios problemas!

Ele resolveu não oferecer mais resistência e acompanhou Kassandra até o bunker construído no subterrâneo absoluto. Brandon estranhou o silêncio enquanto descia as escadarias do bunker. Em situações normais, era possível ouvir os virologistas conversando e trabalhando no projeto Orpheu. Assim que ele chegou ao andar inferior, o doutor Mark Denver o estava aguardando, com uma expressão inabalável e impiedosa.

— Doutor Brandon Davis... Para lhe ser sincero, jamais sustentei minhas expectativas em sua competência que, por sinal, é extremamente duvidosa. E no dia de hoje, infelizmente descobri que mais uma vez a minha intuição não me enganou.

— Doutor Dever... o que exatamente está querendo me dizer? Não sei se tem notícias dos últimos acontecimentos, visto que o senhor vive enfurnado nessa maldita caverna torcendo pela nossa ruína. Ocorre que eu, pessoalmente, enviei tropas de Carnívoros para o hospital de Westfield e agora nós temos uma infinidade de recursos à nossa disposição. A partir de agora, podemos transferir nossa central de operações para o hospital e concluir definitivamente o desenvolvimento do Hades, o último estágio do vírus Orpheu.

— Vejo que a sua fuga vergonhosa do hospital foi tão prematura que não se atentou ao que aconteceu depois! — interrompeu o doutor Denver — Como pode nos dizer com tanta certeza que o hospital de Westfield está desocupado?

Com a fúria em seu olhar, Brandon caminhou na direção de Mark Denver até ficar a pouco menos de vinte centímetros de distância do cientista.

— Você não estava lá... Nunca está! Sempre se esconde atrás desse seu olho de vidro e age como se fosse o membro principal dessa operação. Eu sou o responsável pelo sucesso do Orpheu e ninguém mais além de mim! Vocês estão aqui para me dar um suporte, mas saiba que são totalmente dispensáveis. Todos vocês não passam de aproveitadores que não fazem nada a não ser me enfurecer!

De repente, uma voz calma e ao mesmo tempo amedrontadora irrompeu do lado escuro da caverna, mais adiante.

— Doutor Davis... Vejo que está enfrentando dificuldades em dar seguimento ao projeto que nós iniciamos!

Brandon sentiu um vento frio percorrer sua espinha de cima a baixo.

— Essa voz... o que ele está fazendo aqui?

O dono da voz prosseguiu, ainda nas sombras.

— Ainda que tenhamos soldados indestrutíveis, um pelotão que não cumpre o que lhe foi outorgado é absolutamente desnecessário.

— Senhor, eu... eu tenho certeza. O hospital de Westfield já está à nossa disposição! — Brandon tremia compulsivamente e já não conseguia olhar para frente, pois estava cabisbaixo de pavor — Os nossos... soldados, eles... eliminaram a nossa principal obstrução!

De repente, a caverna, que estava quase que totalmente escura, foi tomada por um intenso clarão, advindo de sete projeções gigantes que surgiram nas paredes das cavernas. As projeções mostravam o estacionamento do hospital sem os Carnívoros e o prédio intacto. No lado de fora, uma jovem chorava ajoelhada enquanto era amparada por outra mulher com um alforje de flechas em suas costas. O policial, a agente Mia Zhang e sua filha, Annchi, virologista da Ômega também estavam no local, acompanhadas por um espadachim oriental, um fuzileiro de cabelos grisalhos longos e um árabe, que levava as mãos aos olhos, em uma postura de lamento e tristeza. Todos estavam vivos e inteiros, não ser pela tristeza por perderem o companheiro jogador de baseball. Ao ver a cena, Brandon ficou pálido e caiu de joelhos no chão.

— Isso... não pode ser verdade! Para onde eles foram? Não, isso não faz sentido! Como podem ainda estarem vivos?

— Um absoluto desperdício de tempo e recursos, é o que vejo! — comentou o homem, finalmente mostrando sua forma. Se tratava de uma figura usando um sobretudo preto, botas e luvas também pretas, e uma máscara teatral da tragédia. Ele se aproximava de Brandon e sua voz ecoava pela caverna — Como você me promete conquistar todos os governos do planeta com o vírus Orpheu se não consegue eliminar um grupo de dez pessoas inofensivas, dadas as circunstâncias?

Brandon continuava de cabeça baixa. Ele sequer conseguia se mexer.

— Senhor, eu realmente devo ter calculado incorretamente. Mas eu posso tentar novamente, sem o menor problema, é só uma questão de tempo...

Brandon ainda estava falando quando um cientista veio correndo para falar com o doutor Mark Denver.

— Doutor Denver! Minha equipe e eu realizamos os testes em mais uma classe de antígeno e parece que os resultados...

A frase do homem foi interrompida por um tiro direto em sua cabeça, disparado pelo homem mascarado. O cientista caiu morto no chão. Brandon, Mark e Kassandra testemunharam a cena, tomados de pavor. O mascarado guardou o revólver no coldre e voltou a atenção para o doutor Davis, enquanto um outro cientista retirava o cadáver do local.

— Como eu dizia, doutor Davis... um dos fatores que eu considero inaceitável é o desperdício de recursos e a falta de resultados! E temo que essa constante incompetência me faça desenvolver dúvidas sobre a continuação do projeto! Como CEO da Organização Ômega, não posso arriscar a minha empresa à falência! O que sugere que façamos, doutor Davis? Devo descartar meus colaboradores principais e talvez... criar um plano alternativo?

— De forma alguma, senhor! — respondeu Brandon — Essa foi a minha última falha! A partir de agora, cada passo será dado com o máximo de prudência. É uma promessa, doutor Lee Lim!


CODINOME: DELTAOnde histórias criam vida. Descubra agora