O corpo do horrendo cão de duas cabeças jazia morto, sob o imenso lustre que estava agora em pedaços. Tracey caiu de joelhos, a fadiga estava quase a dominando completamente. Alex, Annchi e os outros correram ao seu encontro e o grupo estava reunido novamente. Os mortos-vivos que os perseguiam foram derrotados, mas isso não significava que a batalha fora vencida. O barulho do lustre caindo com certeza atrairia mais monstros em breve e, a julgar pela variante do Ômega que estava presente nos cientistas contaminados, uma outra horda já estaria perseguindo os sobreviventes em poucos instantes. O grupo se apressou em continuar percorrendo o corredor. Nada de Carnívoros até aquele momento e finalmente o elevador de carga já estava à vista.
O elevador era nada mais do que uma plataforma de alumínio suspensa, sustentada por grossos cabos de aço e a operação de subir e descer era feita em um painel digital, inserido em uma espécie de pedestal improvisado. O grupo subiu na plataforma e se certificou de que o elevador suportaria o peso de todos eles sem travar ou até mesmo despencar de lá de cima. O painel luminoso estava em vermelho, o que significava que o elevador estava travado na posição de estacionamento. Rapidamente, Alex identificou os comandos para movimentar o equipamento e acionou o dispositivo de descida da plataforma. A luz do painel, que antes era vermelha, tornou-se verde e o elevador deu um pequeno tranco antes de começar a descer lentamente em meio à escuridão do acesso entre andares. Após descer por segundos que pareciam horas, o elevador finalmente chegou ao andar inferior da biblioteca que, diferente do saguão principal, era pouco iluminado e as paredes não haviam recebido o acabamento, o que dava ao local uma aparência de caverna sinistra. Uma única luz podia ser vista na extremidade oposta de onde o elevador havia descido. O computador mencionado pelo doutor Bill Hurley estava ligado, aparentemente aguardando a chegada de Alex e os outros.
— Annchi, estamos aqui! — murmurou Alex para a virologista — Estamos perto de acabar com toda essa merda.
Annchi assentiu com a cabeça e seguiu a passos curtos em direção ao computador. O equipamento estava travado na tela de bloqueio, aguardando para que a senha fosse digitada. A virologista seguia tão ansiosa em direção à mesa onde estava o computador que não percebeu a figura gigante e sinistra que andava lentamente com suas oito patas pelas sombras, apenas esperando a mulher se aproximar mais um pouco para agarrá-la e envolvê-la em seu casulo da morte. Por sorte, Alex correu em sua direção e a agarrou, tirando Annchi da mira da aranha infectada assassina, de quase três metros de comprimento. Assim que a criatura finalmente saiu de seu esconderijo, todos deram um sobressalto e, instintivamente, sacaram suas armas. O aracnídeo era rápido e extremamente asqueroso. Ele deslizava pelo chão e subia pelas paredes em questão de segundos, fazendo com que o grupo de sobreviventes se sentisse inevitavelmente acuado. Uma vez presa ao teto, a aranha atirava seus jatos de veneno em direção aos sobreviventes. Embora o salão fosse grande, tornava-se apertado para que a fuga do ataque da criatura fosse eficientes.
Frank recarregou novamente a sua pistola automática e começou a atirar contra a aranha. Ele se adiantou e gritou a Annchi.
— Doutora, acesse o computador! Eu vou distrair essa coisa, precisamos da senha!
O soldado atirava insistentemente na criatura na intenção de afastá-la do grupo. Bruce se juntou a ele e a dupla se encarregou de manter o monstro ocupado. Sem perder tempo, Annchi correu até o computador e digitou a senha. Conforme orientado pelo doutor Bill Hurley, lá estava a área de trabalho e uma única pasta, denominada "Chave do Reino". Annchi acessou a pasta e um único memorando estava disponível para consulta.
Memorando Eurídice - Última Esperança
Em todos esses anos de pesquisa e desenvolvimento, contemplei um sofrimento nunca visto antes por ninguém e uma dor que jamais imaginei que pudesse existir. A vida humana se tornou objeto de egoísmo e ganância e o vírus Orpheu pode, sem sombra de dúvidas, ser classificado como a arma mais grotesca da qual a humanidade já teve notícia. Hoje concluo a criação do antivírus. Batizei- o ironicamente com o nome Eurídice, fazendo alusão à Mitologia. Não sei se ainda estarei vivo para realizar os testes necessários ou até mesmo inserí-lo na sonda que enviará o sinal para o satélite, que também desenvolvi secretamente, longe dos olhos do doutor Brendon Davis e de sua casta de virologistas renegados. Sei que esse memorando não cairá em mãos erradas, pois ele foi cuidadosamente preparado para aqueles que estão designados há muito tempo para a salvação do mundo. Não sei quanto tempo se passou até que você pudesse estar lendo esse arquivo, mas saiba que o antivírus se encontra armazenado na base secreta da Ômega, que a essa altura já deve ter sido construída pelo doutor Mark Denver. Escondi o tubo com o Eurídice no último lugar que alguém pensaria em procurar: O pequeno refrigerador está guardado dentro da caixa de energia do dispositivo de auto-destruição do laboratório. Ao inserir a senha escrita nesse memorando, o dispositivo se anulará, os isentando de qualquer risco. O tubo deve ser inserido na sonda, que está escondida na base do painel de controle. A sonda enviará um único sinal ao satélite da Ômega, que lançará o antivírus através de ondas de rádio, que se misturarão à camada de Ozônio, e se distribuirão por todo o planeta. Sejam rápidos, pois essa é a única chance.
A você, os meus respeitos e o meu desejo de boa sorte.
A senha para o receptáculo do Eurídice é 2236.
Annchi leu rapidamente o memorando e não acreditava no que acabara de armazenar em sua memória. A partir daquele momento, ela tinha em suas mãos não apenas a senha para conseguir o antivírus, mas também as instruções para acabar de uma vez por todas com o apocalipse gerado pelo vírus Orpheu. Alex também olhou para o documento, pôde sorrir por um breve instante e murmurou.
— Isso é fantástico! Temos o antivírus e... sabemos exatamente o que fazer! Quase não estou acreditando!
— Temos que ser rápidos! — exclamou Annchi, se voltando para a batalha contra a aranha. Da parte de cima do salão, próximo ao teto, um ruído em alto volume foi emitido de um auto falante. Seguido da estática, a voz do doutor Delta falava, em seu tom sinistro e sarcástico.
" Ora, ora, ora... olha só pra vocês! Não pensei que tivessem a ousadia de chegar até aqui, mas entraram em nossas dependências, destruíram os meus espécimes de ensaio e o que é pior... mataram o meu cachorrinho! Eu amava tanto o Victor... filhos da puta!"
— Desgraçado! — Alex xingou e fechou a mão esquerda, mesmo sabendo que o doutor Delta não iria ouví-lo — Espere só até eu colocar as minhas mãos em você! Tirou tudo de mim... tirou tudo de todos nós!
Solomon baixou a cabeça e lamentou, com desgosto.
— Arthur... Por que você...
" Mesmo assim, não pensem que estou magoado... não! Apesar de tudo, eu gosto de vocês, pois me divertem e me distraem no meu dia de trabalho! Já devem conhecer a Lady Octopussy! É mais um dos mascotinhos que criamos com o vírus milagroso. Infelizmente, por causa dela, a minha diversão irá acabar a partir de hoje, porque... bem... ela tem muita fome, sabem? E não costuma deixar ninguém escapar da sua teia! Espero que se divirtam bastante antes de viajarem para o estômago de Lady Octopussy! Foi legal conhecer vocês e... Papai... Eu sinto muito! Tentei ser um bom menino, mas você não foi um bom pai!"
Alex se enfureceu e correu para baixo do auto falante, como se com isso pudesse ser ouvido por Brendon.
— Seu miserável! Como se atreve a dizer uma coisa dessas, mesmo agora...
— Está tudo bem, Alex! — Solomon pôs a mão eu sem ombro! — Arthur está tentando nos desequilibrar, não se perturbe. Já estamos tão perto...
Alex olhou de volta para o homem, com admiração.
— Solomon...
Frank e Bruce continuavam atirando em Lady Octopussy, tentando, de todas as maneiras, atingir o seu crânio, mas a criatura era extremamente rápida e se movimentava de maneira asquerosa pelas colunas do salão. Assim que se viu relativamente livre dos disparos, a aranha gigante disparou sua teia, que se esticou até o pescoço de Frank, e o envolveu como uma forca. O soldado imediatamente perdeu as forças e soltou a sua pistola automática.
— FRANK — gritou Bruce, voltando a atirar freneticamente na criatura. Todos começaram a atirar contra o monstro, mas todos os disparos foram em vão. Lady Octopussy era extremamente resistente e parecia ser revestida por blindagem. De repente, a teia que saiu da boca monstro se tornou mais grossa e Frank se via totalmente enrolado na teia. Um grande casulo se formava dos pés a cabeça do homem e em pouco tempo, nem o rosto de Frank podia ser visto em meio ao macabro casulo de teias. Bruce entrou em desespero.
— MONSTRO DESGRAÇADO! FRAAAANK!
Bruce correu na direção do companheiro para tentar livrá-lo de alguma forma da prisão de teia, mas antes que ele pudesse dar mais um passo, Frank foi sugado pela aranha, da mesma forma que um sapo agarra uma mosca. O homem foi capturado em uma velocidade incrível e entrou de forma grotesca pela boca do monstro. O grupo continuava atirando desesperadamente, mas não mudaram em nada o cenário trágico. Bruce correu até debaixo do monstro e tentou atirar contra o seu rosto, mas foi surpreendido por uma das oito patas de Lady Octopussy, que golpeou, de maneira assustadora, os dois olhos do soldado, esmagando as suas órbitas, deixando-o com uma expressão horrenda, com dois orifícios de sangue no lugar dos dois olhos. Bruce mal teve tempo de gritar e lamentar por sua agonia, pois uma segunda pata foi violentamente introduzida em sua boca e atravessou sua garganta, matando o homem de forma cruel e impiedosa. Assim, o grupo de sobreviventes sofria mais duas baixas.
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CODINOME: DELTA
TerrorWestfield é uma grande e importante metrópole. Regida quase que completamente pelo capitalismo, abriga diversas empresas e oferece oportunidades a muitas pessoas, o que a torna uma cidade convidativa e perfeita para se viver. Porém, tudo muda radica...
