Capítulo 68

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A horda de mortos-vivos, cães e abutres infectados se dissolvia rapidamente com o ataque do Kraken-Dylan que, furiosamente, esmagava e pisoteava as criaturas, limpando a estrada até a biblioteca Vale do Eclipse. Beatrice parecia passar os comandos de ataque ao monstro que, para surpresa de todos, obedecia a jovem e por incrível que pudesse parecer, poupava os sobreviventes de seu ataque. Kai correu até perto do Kraken e gritou para o alto.

— Pirralha! Desce já desse bicho!

— Está tudo bem! — respondeu Beatrice — Eu acabei descobrindo que consigo me comunicar com o sistema nervoso de Dylan. É mais uma característica do Orpheu!

— E como foi que você descobriu isso?

— Eu não sei! — ela respondeu, se segurando firme para não cair das costas de Dylan — Eu só pensei em tentar e deu certo!

Dylan avançou uma vez mais, abatendo outro grupo de Carnívoros. Outra pequena horda surgiu correndo na direção do embate, ao que Alex iniciou um contra-ataque, disparando com a Magnum diretamente nos crânios dos monstros. Ele sacou o comunicador e apertou o botão de modular.

— Doutor Hurley, pode me ouvir?

"Alto e claro, policial Stevens!" — respondeu a voz no aparelho.

— Já deve saber que o monstro de quatro braços está em atividade. Podemos confiar nele?

"Com toda a certeza! Quando o Orpheu entra em contato com organismos vivos, pode se estabelecer uma comunicação entre os sistemas neurais, ainda que a atividade seja mínima durante o período de infecção. Para ser sincero, eu não esperava que a senhorita Murray descobrisse essa peculiaridade com tanta facilidade. Confesso que fiquei surpreso. De fato, ela é uma jovem muito especial e... bem... acho que p-podemos v-vencer!"

— Sabe demais sobre nós, doutor! Quem exatamente é você?

" E-Essa é a menor de s-suas preocupações, senhor Stevens. Por hora, continue avançando com o seu grupo. Sempre que precisar de auxílio, pode me chamar."

O clique do comunicador acusou o encerramento da transmissão. Um morto-vivo tentou agarrar Alex pelas costas, mas o policial conseguiu se desvencilhar e perfurou o cérebro do monstro com sua adaga. Sahyd Youssef correu até Alex e o salvou de uma morta-viva que tentou abocanhar o rosto do homem.

— Obrigado, Sahyd! — agradeceu Alex, dando dois tapas firmes no ombro do amigo.

— Precisamos avançar o máximo que pudermos! Mesmo com a ajuda de Beatrice, os mortos continuarão atacando. A impressão que tenho é que, por algum motivo, a cidade inteira está vindo pra cima da gente!

De cima das costas de Dylan, Beatrice tirou a faca de combate do suporte em sua cintura e percebeu que, com o desgaste da lâmina, ela não conseguiria o resultado esperado. Vendo que Kai se aproximava do Kraken, ela gritou.

— Kai! Preciso que me empreste a sua espada por alguns minutos! Vou limpar a área da estrada para a biblioteca!

— Nem pensar! Essa espada foi entregue a mim pelo meu falecido pai! Ela é passada de geração em geração e somente alguém com experiência em combate e grandes e virtudes poderá...

Repentinamente, Tracey apareceu correndo ao lado de Kai e pegou a espada de sua mão.

— Tá, tá, tá, tá... Vamos precisar dela só um pouquinho! Segura, Bea!

Tracey lançou a espada para Beatrice, e a garota a segurou firme, saltando de cima de Dylan. Ela se pôs a correr e, de maneira desajeitada, seguiu decapitando as criaturas pelo caminho. Felizmente, o Orpheu contribuiu para que Beatrice redobrasse suas forças, o que possibilitou a ela mais firmeza para segurar o cabo da espada. Embora Kai houvesse ficado aborrecido por ficar longe de sua arma principal, isso não lhe trouxe problema. O jovem possuía admirável experiência em combate e conseguia se livrar dos Carnívoros quebrando seus pescoços e esmagando seus crânios contra o asfalto. Bruce e Frank vieram pelos flancos, dando cobertura a Kai, neutralizando os mortos que corriam ao seu encontro.

CODINOME: DELTAOnde histórias criam vida. Descubra agora