Céus e campos

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Oi, pessoal, que acompanhou ou está acompanhando essa história. Se vocês gostam da minha escrita,de um mundo de fantasia e magia, tenho certeza que irã gotar dessa nova história. Um compilado dos capítulos até agora.


Dos céus enevoados aos vastos campos, do canto dos corvos aos sussurros do vento, tudo clamava pela chegada do inverno. Era a estação que selava destinos, separando os fortes dos fracos. De mansões a casebres, todos se preparavam à sua maneira.

— Mãe, não há nada a leste daqui.

O garoto de doze anos retornara de sua longa corrida. Seu rosto, marcado pelo frio, refletia o que havia testemunhado.

— As plantações do norte não vingaram também.

A filha do meio interrompeu as palavras da mãe, que, mesmo em tempos difíceis, tentava alimentar esperança.

— Tudo bem, Esra foi até às fazendas. — A senhora puxou os filhos para debaixo de seus braços protetores. — Tenho certeza de que o gado foi bem cuidado pelos nossos vizinhos e eles não se importaram de dividir conosco.

— Temos dinheiro para comprar do rei, não é mamãe?

O filho acreditava mais em duendes do que na possibilidade de alguém dividir comida. Quando todos fechassem as portas e se trancassem em suas casas, cada família cuidaria de si mesma. Aqueles que estocaram suprimentos estavam a salvo, quanto aos outros... bom, em três meses os soldados invadiriam as casas e diriam quem sobreviveu.

— Sinto muito. — A notícia que eles menos queriam ouvir veio rapidamente. — Os Calixtos têm um único boi e acho que não dará nem para eles. — A família de 12 já havia se programado para alimentar os mais novos. — O Josh doou alguns cobertores.

— O que faremos, mãe?

Mirah olhou para os filhos, o peso do desespero se tornando insuportável. Ela havia passado a vida cuidando de ovelhas, agora mortas pela fome, e sabia que nem mesmo os cobertores do velho ferreiro bastariam.

— Vou me alistar ao exército do rei.

A voz de Esra cortou o silêncio como uma lâmina.

— Esra, não! — Mirah soltou os filhos menores e encarou o rapaz. — Não vou perder outro filho para aquele louco.

— Mãe, não temos outro jeito. Eles pagam vinte moedas de ouro, que posso mandar para vocês, e os soldados comem no palácio. — Os olhos de Mirah se encheram de lágrimas. Não suportaria perder outra pessoa de sua família. — Não sou o Henry. Retorno quando a primavera chegar. Prometo.

— Promete-me que o sol testemunhará teu retorno. Quando a neve derreter, quero-te em casa, Esra!

O abraçou sentindo o cheiro dele. Queria o prender ali, mas sabia que a única forma de salvar os outros filhos da fome.

— Por favor, não vá. Nem todo o dinheiro do mundo vale isso.

A irmã mais nova se jogou em seus braços, completamente assustada.

— E assistir vocês morrerem é melhor? Somos dos que não retrocedem. — Olhou dentro dos olhos da garota e avisou enfático. — Te amo.

— Esra. — O clima de despedida atingiu também o segundo irmão. — Vou sentir saudade.

— E eu a tua. — Esra o levantou, apertando-o num abraço forte. — Canta nossa música para a Gaia.

Apontou para a pequena bebê que dormia no colo da mãe.

— E você? — Pegou a bebê no colo. — Quando nos vermos, estará maior. Papai cantava essa música para a gente e é melhor gravá-la. Levante-se, minha querida, minha bela, e venha comigo. Veja! O inverno passou; as chuvas acabaram e se foram.

Once Upon a DreamHistórias para pegar e não largar. Descubra agora