Foi uma estrada longa.
Entre lágrimas e sorrisos encontramos o fim, encontramos a libertação e isso causa desconforto em quem escreve. Só tenho que abaixar a cabeça, respirar fundo e tentar... Tentar colocar em palavras o que meu coração está dizendo nesse momento, não sei se vou conseguir.
Está chovendo muito, há muitos dias. Tempestades fortes, prejuízos em muitas cidades. Esse período sempre chove, às vezes por hora ou às vezes por dias. E nesse exato momento com um lápis e um papel em mãos, sentada em baixo de uma enorme árvore, digo que é a chuva mais sofrida não para mim, mas para a mulher que está parada a alguns metros a minha frente.
A única coisa que leva consigo, é um guarda chuva preto, fechado por sinal. Ela precisa se molhar, ela precisa mostrar o quanto é forte, que nem temporais consegue desarma-lá. Mas eu a conheço tempo o suficiente para saber que aqui é o lugar que cai. Ver o túmulo de sua filha é algo que costuma fazer, e é por isso que nos damos tão bem, porque no dia 21 de dezembro tenho a mania de ficar olhando para o túmulo de um grande amor que se foi.
Eu escrevi o penúltimo capítulo de Dez Invernos, sorrindo. Mas não era o que eu queria, não tinha alcaçado meu objetivo. Falei tanto de tantas dores nessa fanfic, dores particulares, mas contada por incríveis pessoas que tenho a honra de admirar. Eu não poderia deixar de contar a última dor, que também foi contada.
A chuva cai desesperadamente, parece que a pequena Myra, um bebê que não chegou a completar um ano sabia que é seu dia. Se ela tivesse viva, junto com sua irmã estaria fazendo aniversário e completando 23 anos.
A chuva cai ainda mais forte, ela sabe qua sua mãe está ali.
O prazo de ficar dentro desse cemitério acabou, Helena virou seu rosto banhado por às lágrimas junto com a chuva. E eu tenho certeza que a hora de partir é agora, ela caminha na minha direção ao mesmo tempo que a chuva vai cessando. Um nó fecha na minha garganta, vê-la assim destrói todas às minhas energias. Mas ela passa 21 de dezembro comigo, me dando amor, carinho e passando sentimentos bons. Nesse 26 de janeiro, eu tenho que ama-lá ainda mais, porque a dor de perder uma filha, ela conhece.
Se eu fosse contar por Dez Invernos, diria que o vaso de flores que foi colocado por Mary no túmulo de Augustine e Myra, caiu devido a chuva forte. Sobrando apenas a foto de um bebê e de uma família que está a essa hora acordando em Nova York.
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A neve caia desesperadamente, 25 de dezembro havia se iniciado, deixando uma cidade branca e com pouco movimento. Carros parados em frente às suas respectivas casas e coberto por o gelo que caiu com a máxima intensidade uma noite toda.
A mansão Priestly estava fechada, silenciosa, ou não também, já que o cavalo relinchando na garagem era a única coisa que daria para escutar.
Quase todos dormiam.
Na janela de cima, com vista para Nova York que amanheceu no caos, Andrea estava acordada. Olhava fixo pela janela e nem indo dormir tarde, tinha trazido seu sono. Piscava lentamente com tantas lembranças que a invadia.
Os letreiros do bordel, Manhattan e aquele maldito coqueiro no final. Os homens jogando dinheiro enquanto assistiam ela dançar ou a puxando para um dos quartos. Sem direito há um não.
Apertou os olhos, numa tentativa de esquecer, coisa que só foi possível quando sentiu a mão de Miranda se mexer abaixo de si. Abriu os olhos e seu olhar foi para os dedos da esposa, a aliança de ouro no dedo esquerdo. Levantou sua mão esquerda e fitou sua aliança, enlaçou os dedos, deixando um beijo carinhoso na mão da esposa.
Com isso, Miranda se mexeu, e apertou o corpo de Andrea mais em seus braços. A mão direita subiu pela barriga, até chegar no seio e apertar.
A jornalista sorriu.
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Dez Invernos (Mirandy - Intersexual)
RomanceNo dia que Andrea Sachs ia contar para sua chefe e amante um novidade que ia mudar às vidas delas, Andrea foi vitima de uma armação. O dia que era para ser feliz, foi marcado por mágoas e o início de um doloroso inverno no coração de Andy. Será que...
