Point of view of Andrea Sachs
- Mãe? - Caroline me chamou.
- Oi princesa. - Olhei para ela.
- O natal está chegando. - Ela me olhou. - Onde nós vamos passar? - Aqueles parzinhos de olhos azuis. Outra coisa que puxaram de Miranda, essa imensidão.
"Eu vou te amar. Para sempre."
- Princesa, eu não sei ainda. Acho que o dindo Doug, vai vir pra cá.
- Ebaaa. - Os gritinhos ecoaram pela casa.
- Meninas, agora vamos. Tenho que largar vocês na escola. E ir trabalhar. - Disse Maria se levantando.
- Tchau mãe. - Uma de cada vez me deu um beijo.
- Tchau princesas. Mamãe ama vocês. - Elas foram em direção aos quartos pegar às mochilas. Depois saindo com Maria. Me levantei e coloquei às louças na pia. Fui pro meu quarto, descansar um pouco. Assim que meus olhos se fecharam, mais lembranças invadiram minha mente.
"Miranda nunca vai saber dessas crianças."
Pode passar quantos 21 de dezembro forem necessário, nunca vou esquecer. É uma cicatriz no meu coração e uma tatuagem desenhada na minha pele.
Esse dia eu fico mal, só quero me distrair e pensar em outras coisas que não sejam os gritos de Miranda naquele quarto de motel. Levar às meninas ao parque foi a melhor decisão a ser tomada naquele momento.
- Hoje o dia vai ser lindo. - Falei.
Não conseguia dormir, a noite conversando com o Zeca era boa e isso fazia da minha segunda feira, boa também.
Mais uma coisa anda tirando minha atenção esses dias, Cassidy. Os exames dela deram alterados e semana passada ela teve uma crise forte, o que me fez passar o dia no hospital e desmaiar também por falta do que comer.
Não ia adiantar ficar rolando na cama, o sono não vinha. Respirei fundo e me levantei novamente. Fui até a cozinha, disposta a fazer um café fresco.
Antes de pegar o pó do café, dei uma olhada nos remédios da Cassidy. Doug me mandou uma quantia boa de dinheiro, o que me fez comprar até o Natal. Esse era o programado. Depois não sei, só Deus.
Contei às cartelas, vendo apenas uma restante.
- Não posso mais pedir para o Douglas. - Falei para mim mesma enquanto guardava novamente os remédios.
Peguei a chaleira, enchi d'água logo após colocando para ferver. Me escorei na pia e comecei a pensar em todas às formas de conseguir dinheiro. E ficava sonhando em entrar um cliente bom dentro daquele bordel e que eu fizesse o "programa" que rendesse.
Bateram na porta, levantei a cabeça e olhei para a mesma. Por debaixo conseguia ver a sombra da pessoa. Mais uma batida.
- Andrea? - Conhecia aquela voz.
Mais uma batia.
- Andrea, meu bem. Sou eu. - Respirei fundo. Poderia fingir que eu não estava em casa, olhei para os lados. - Minha filha, sei que está ai.
Pedi ajuda, Deus me mandou o anjo dele.
Fui guiada até a porta, antes de abrir, dei mais uma olhada na casa para ver se estava organizada. Respirei fundo não sei quantas vezes, abri lentamente a porta e nossos olhares se encontraram.
Augustine.
Me deu um sorriso, como se falasse. Eu te encontrei. Ela me encontrou.
Não teve tempo de falar nada, meus olhos se encheram de lágrimas e me joguei nos braços dela. Meu choro veio com tudo, abracei Augustine forte. Era um sonho, não podia ser real.
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Dez Invernos (Mirandy - Intersexual)
RomanceNo dia que Andrea Sachs ia contar para sua chefe e amante um novidade que ia mudar às vidas delas, Andrea foi vitima de uma armação. O dia que era para ser feliz, foi marcado por mágoas e o início de um doloroso inverno no coração de Andy. Será que...
