Pressentimento Ruim

1.7K 150 123
                                        


O carro com placa de Nova York estacionou em frente ao um muro cinza com um portão marrom e uma placa enorme dando nome ao lugar Penitenciária Feminina Bedford Hills.

Os dedos de Christine foram a ignição, logo desligando o motor do carro. Se ajeitou no banco e olhou para o lado de fora, não demorou muito seu olhar encontrou o de Miranda.

A mais velha estava nervosa desde que saíram de casa, ainda conversava e sorria na presença do filho e do afilhado, mas foi apenas largar eles em frente a escola, os garotos estavam na última fase do high school antes de encararem a faculdade.

- Você está bem? - Indagou a ruiva, recebendo um suspiro em resposta. - Sabe que não precisamos fazer isso hoje. - Miranda olhou para o muro, os polícias faziam a guarda, caminhando com às armas na mão e alguns olhavam para o carro.

-A última vez que coloquei os meus pés nesse lugar foi a pedido de Valerie. Com a sua barriga de quase 8 meses e um pedido...

- ...Para que a filha não crescesse nesse lugar. - Christine concluiu a frase.

-Myra nunca foi filha dela, ela nos entregou com nojo e quase cuspiu na criança, se assim fosse o caso. - Miranda falou com ódio, se lembrando do dia que a filha foi entregue aos seus braços.

- Às vezes eu não acredito que Andrea criou a filha da mulher que destruiu ela. - Miranda sentiu uma paz quando escutou o nome da esposa, se sentia assim, poderia estar nos seus piores momentos, Andrea acalmava, mesmo de longe.

- Estávamos brigadas por causa de Esperanza... -A mais velha revirou os olhos. -... E chegou essa surpresa, Andrea disse que teve um sonho com a minha mãe e no mesmo ela dizia: Vocês me encontraram, apenas abram suas portas para a minha chegada. - Christine a olhou surpresa e de imediato se arrepiou.

- Você nunca me falou sobre isso.

- Não achei importante até porque não acredito nisso. - Miranda pegou sua bolsa e tirou o cinto de segurança.

- Eu sempre soube, Myra tem os olhos de Augustine. E o mesmo jeito espontâneo... - Miranda a olhou.

- Minha mãe está morta. E não tem o que falar sobre isso. - Christine respirou fundo. - Myra eu não sei explicar, ela não tem nada de Valerie, nada. Até o jeito de sorrir é da Andrea. E ontem, Amber me falou algo que me deixou pensando, o caráter vem de berço e Myra mesmo sendo filha dela, poderia ser ruim. Só que não, ela tem um amor tão grande dentro dela que é uma obra feita por mim e Andrea.

- Isso foi lindo, Miranda. - Christine colocou a mão no ombro da outra. - Myra é uma criança especial e vou vai ver o que estou falando é sério.

- Você quebrou todos os muros que eu construí por volta, você se tornou uma grande pessoa para mim. Uma irmã. E se eu falasse isso alguns anos atrás, me chamaria de louca e que nunca isso ia acontecer.

- Você é minha irmã. - Christine sorriu. - Para toda a vida.

- Até quando eu morrer... - A ruiva revirou os olhos, tirou o cinto e abriu a porta.

- Para de falar merda e desça do carro, vamos ver aquela atriz. - Christine sorriu.

- Eu te amo, Christine. Nunca esqueça disso.

- Para de se despedir, inferno. - A ruiva desceu do carro, se inclinou e olhou para amiga. - Eu te amo, coisa chata.

- Eu mereço. - Miranda fez um bico torto, abriu a porta e desceu.

A neve caia, não com a mesma intensidade. Para contrariar, Christine colocou os óculos de sol, fechou a sua porta e olhou para Miranda, a mesma fez o mesmo gesto então, a ruiva travou o carro.

Dez Invernos (Mirandy - Intersexual)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora