Uma conversa nada amigável

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Point of View of Christine Johnson

- Boa tarde. - Disse Esperanza, estava em uma lanchonete perto do Central Park, estava aguardando sua presença já que a mesma queria minha participação especial em Dez Invernos.

- Demorou, hein?! - Falei revirando os olhos, algo que adquiri em anos de amizade com Miranda.

- Eu vim da praia de carro, não vim voando.

- Etcha égua, não trouxe o milho. - Fiz sinal de rendição.

- Aff, Christine... se eu quiser você nem entra nesse livro. - Sorri.

- Não posso fazer nada sobre isso, Esperanza. Seria uma pena já que fui a responsável por metade das mortes dessa história. - Ela puxou a cadeira, se sentando logo em seguida.

- Por que nós nunca conseguimos conversar decentemente? Será que é por que eu sou melhor amiga de Andrea e você da Miranda? - Concordei.

- Pode ser ou porque você é uma cadela falsa e eu não gosto desse tipo de gente. - Ela sorriu.

- Não está afim mesmo de entrar no livro né? Posso tirar seu nome de todo ele, nas partes de Miranda, não vai constar seu nome. - Me apoiei na mesa e lentamente me aproximei dela.

- Faça, vou adorar ver, dez invernos ser contada só por você. - Ela fez um barulho com a língua e se ajeitou na cadeira. - Tem medo Esperanza, do que eu possa contar?

- Não, eu sei que isso um dia vai vir a tona. - Fiz sinal de positivo.

- Então, escritora. O que quer saber? - Ela fez sinal para o garçom.

- Voltei ontem de Paris, Miranda e eu, paramos na parte do reencontro delas. - Levantei a sobrancelha. - Quero saber da sua parte, onde você foi depois de ter deixado Miranda e Roy no hotel?

- O que é isso? Vou ser presa. - Respirou fundo.

- Não sei como Emilly te aguenta. - Mordi o lábio com força.

- Não envolve minha mulher no seu ódio por mim, Esperanza. - O garçom veio.

- Pois não?

- Um café, por favor. - Ele anotou o pedido.

- E a senhora vai querer algo? - Neguei com a cabeça. - Ok. Já trago seu café, com licença. - Ele saiu e antes da mulher abrir a boca novamente, comecei a falar.

- Fui ver Augustine. Ela estava na fazenda de Zeca, fui até lá. - Esperanza pegou a maleta puxando o notebook, abriu e teclou algumas coisas. - A minha parte desse livro, vai ser essa conversa aqui. - Ela arregalou os olhos.

- Mas...

- Andrea tem que saber a melhor amiga que tem, não acha. Anos depois e Esperanza ainda continua sendo a coitadinha. - Ela gargalhou.

- Coitadinha foi Miranda narrando o último capítulo, digno de oscar toda aquela lenga lenga. - Sorri de lado.

- Viu, como você é uma cadela falsa.

- Miranda sabe que eu não gosto dela e ela também não vai com a minha lata. - Levantei a sobrancelha.

- Sabe por que? - Apontei o dedo. - Porque você era a grande amiga de Valerie, se passou por uma grande prostituta e a coitadinha, aposto que a metade desse livro conta como você é querida. - Respirei fundo. - Me poupe, se poupe e nos poupe... por favor.

- Eu não vou colocar isso no meu livro. - Puxei o notebook da mão dela e comecei a digitar.

Eu, Esperanza sei lá do que! Era a melhor amiga de Valerie, sempre fiquei de olho na Andrea dentro daquele bordel, apesar o bordel era meu. Seguia Andrea por onde ela ia e ajudei minha melhor amiga a colocar Andrea na lista negra.

Dez Invernos (Mirandy - Intersexual)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora