67 - Como Dizer Sem Usar Palavras

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     A casa do lago da mãe de Tonya era realmente aconhegante. Tinha exatamente a cara que eu imaginei e eu gostei daquilo, porque sempre que eu criava expectativa sobre alguma coisa, acontecia de não corresponder em nada.
     Parecia exatamente com aquele modelo de cabanas de madeira que passavam nos filmes estadunidenses.
     Assim que chegamos, Tonya fez a divisão dos quartos. Como tinham quatro quartos, cada um ficou com um e ela e Joshua brigaram para ver quem ficaria com a suíte. Preciso dizer que no fim, Tonya ganhou ameaçando jogar pratos na cabeça dele?
     Nós nos acomodamos e logo após, Joshua fez aqueles lanches saborosos de novo.
     Eu consegui comer um sanduíche inteiro (de verdade) dessa vez.
     Aquele dia estava sendo muito bom e eu estava considerando tudo aquilo como uma grande evolução. Pela primeira vez desde que eu começara a terapia, eu sentia vontade de sair correndo e relatar tudo, exatamente cada detalhe, para Tatiana. E não só pra ela, mas também para a doutora Bloom e para papai, e para o Ian...
     Eu sentia vontade de contar sobre o episódio do vestido para a primeira pessoa desconhecida que passasse na rua.
     Depois da meia noite, Joshua e Tonya foram dormir, mas eu ainda estava tão elétrica pelo dia que não tinha jeito de eu conseguir dormir. Pelo menos não agora.
      E aí, meu fiel escudeiro de aventuras oportunas estava me acompanhando em mais essa.
      Norman e eu estávamos deitados na cama e nós já havíamos conversado um monte sobre tudo o que tinha acontecido e mesmo quando eu achei que já tínhamos falado sobre tudo, ele sugeriu que começássemos a falar de batata. E isso rendeu. Tipo, muito.
      Ele já estava claramente com sono, mas continuava insistindo em manter a conversa, porque eu estava extremamente animada ainda.
      - Amor, você quer ir para o seu quarto? - perguntei, achando crueldade o que eu estava fazendo. Mas que era fofo, era.
      - Imagina. Eu nem estou com sono. - eu gargalhei baixo e ele sorriu, todo embriagado de sono.
      - Sabe o que eu queria mesmo?- o encarei e comecei a acarinhar seu rosto lindo.
      - O quê?
      - Eu queria que você ficasse aqui e dormisse comigo. - falei, sem pretensão alguma.
      - Amor, nós não podemos... - ele parecia muito fácil de persuadir com aqueles olhinhos tão leves. - Mas se eu estiver acordado ainda posso ficar. - eu sorri para a falcatrua dele. Ele estava mais dormindo do que qualquer outra coisa. - Eu também quero muito dormir com você, Forbes. E eu vou. No dia que eu fizer isso pela primeira vez, vou fazer até o final da minha vida. - de repente os olhos dele se abriram e ele pareceu tão sólido, tão lúcido, que qualquer resquício de sono pareceu ter sido espantado pelo cinza incrível de seus olhos.
     Meu coração disparou. Ele estava significando aquilo mesmo que eu estava entendendo? Ou era tudo ilusão e expectativa da minha cabeça?
     - Norman, eu...
     - Sabe o que eu não te disse hoje? - ele cortou completamente meu raciocínio e de repente eu só estava interessada no que ele estava prestes a dizer:
     - O quê?
     - O quão linda você é, amor. - algo palpitou um décimo mais forte no meu peito e eu só agi.
      Eu o beijei e senti algo explodir no meu peito. Orei para ser a nota de uma música na bateria e não uma veia importante do meu coração.
      Norman respondeu rápido e e senti as mãos dele circundarem meu rosto.
      Nossas respirações primeiro se entrecortaram e logo após isso se entrelaçaram como se dessem as mãos e caminhassem juntas pelo ambiente.
      Meus olhos pesaram, mas não era sono, era o mais puro sentimento misto à emoção da euforia que Norman sempre acabava causando. Uma euforia contida, que não saia estabanada, derrubando tudo pelo caminho. Era algo bom e promissor, que animava. Prometia e logo após cumpria, sem deixar a ansiedade crescer e se tornar algo tóxico.
      Estar com Norman era como ouvir uma música preferida por várias vezes, sem enjoar da mesma por nenhum momento. Ele era a minha harmonia preferida.
      Ele pausou o beijo por um momento e me olhou. Ele me olhou de uma forma tão intensa que era como se o cinza dali me atravessasse. Eu tive quase certeza que ele podia ler minha mente com a intensidade daquele olhar.
      Seus olhos cemicerraram somente o suficiente para eu entender seu gesto. Entender que ele estava me dizendo algo muito mais forte do que ele poderia descrever com palavras.
      As palavras não retratariam aquela beleza toda, então ele fez questão de fazer de um jeito que eu pudesse entender. E eu entendi. Meu Deus do céu! Como eu entendi.
      Eu estava um nível mais apaixonada por Norman naquele momento e o sentimento dentro de mim, ia ficando cada vez tão mais forte que daqui a pouco ele poderia ser uma própria pessoa.
      Eu sorri e ele voltou a me beijar em seguida.
      Envolvi os ombros dele com meus braços e intrinquei cada puxada de lábio para responder o que ele quis me dizer. 
      As coisas foram ficando cada vez mais leves, até que ele terminou beijando minha bochecha e me olhando com o sorriso mais cumprido que tinha:
     - Agora acho que vou dormir.
     - Boa noite, amor. - eu beijei sua bochecha.
     - Boa noite. - ele beijou minha testa, se levantou e foi embora.
     Eu apaguei a luz do quarto, liguei apenas a do abajur, me acomodei embaixo dos cobertores e peguei meu bloquinho e uma caneta:

    "Eu me senti bonita hoje".

    "Vestido"    "Tonya"    "Feliz"

     Eu não me senti bonita apenas fisicamente. Norman fez questão de garantir que eu me sentisse linda em nível de alma e espírito também.
     Se antes eu tinha alguma dúvida sobre Deus ter preparado Norman para adentrar a minha vida com toda a luz que Ele dera, agora eu tinha algo ainda mais forte que certeza.

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