E lá estávamos nós em frente ao que seria o segundo ano do ensino médio.
Mesmo que papai não pudesse, ele fizera questão de dar um jeito de me levar até a escola.
- Será que você consegue pegar Ian na escola? Vou ter que fazer extra hoje.
- Claro. Pode deixar comigo. - eu dei um sorriso fechado, como me acostumara a fazer.
- Tchau, filha. - ele disse enquanto eu tirava o cinto de segurança. - Amo você.
- Tchau, papai. - eu estalei um beijo na sua bochecha. - Também amo você.
Desci do carro e bati a porta. Acenei do lado de fora para ele ver que estava tudo bem.
Pode ter sido impressão minha, mas quando beijei sua bochecha, vi seus olhos encherem um pouquinho.
Era por isso que eu não podia.
Não podia simplesmente desmoronar na frente dele, por mais que eu quisesse.
Meu sorriso se desfez assim que ele partiu. O sorriso foi substituído por uma respiração profunda.
O último lugar que eu queria estar agora, era a escola.
Eu só precisava me afundar nos estudos e quem sabia assim aqueles dois últimos anos passassem voando.
Caminhei em direção aos degraus que levavam à porta principal quando ouvi alguém me chamar:
- Olivia?
Me virei para ele que estava parado a apenas alguns metros:
- Oi, Olie. - ele veio até mim e eu dei uma leve retraída, porque não estava mais acostumada a ser chamada daquela forma.
- Oi, Will.
- Como você está? - os olhos dele seguiam os meus de forma preocupada.
Eu sabia que era real. Apesar de muitas pessoas fingirem, eu sabia que sua preocupação era real. Não só por mim, mas também por papai. Tudo bem que papai ficara realmente bravo pela atitude que ele chamou de "imatura e idiota", mas eu entendia. Eu entendia os motivos dele plenamente e no fim das contas, talvez daquele jeito fosse melhor.
- Estou bem. Obrigada. - dei um sorriso do mesmo tipo que dera para papai. - E você?
- Estou bem. - ele assentiu e eu refleti o gesto.
Senti que provavelmente nossos encontros seriam assim a partir de agora. Providos de um desconforto gigantesco e com os dois parecendo completos estranhos que nunca se viram.
Mas graças a Deus houve uma luz que não deixou aquilo ficar mais estranho:
- Aquela é a Emma?
- É sim. Ela começa o ensino médio esse ano. - ele seguiu meu olhar, onde a garota loira brilhava um sorriso lindo para as colegas de classe.
Ela acabou nos vendo e veio correndo até nós:
- Oi, Olie. - mais uma vez, retraí. Ela me embarcou num abraço confortável e senti o cheiro bom de lavanda que ela sempre teve.
Emma era irmã de Will e ela sempre foi aquela pessoa amável com todos, mas nunca fomos tão próximas.
- Se precisar de qualquer coisa, pode falar comigo. - eu assenti e ela sorriu antes de ir.
- Apesar de tudo, pode contar comigo também.
Eu sorri. Dessa vez não era um dos sorrisos disfarçados. Era só um de escárnio mesmo:
- Achei que tivesse terminado comigo exatamente por conta disso. Por eu não poder contar com você. - eu não costumava fazer aquilo, mas foi mais forte que eu.
Eu nem estava brava. Mas talvez magoada...
Eu só não conseguia processar tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Em qualquer outro dia eu não faria aquilo. Não seria tão indelicada assim. Mas eu não me sentia em qualquer outro dia.
- Ai. - ele sorriu e começou a se distanciar. - Até mais, Olivia.
Como eu pensei: eu realmente não podia contar.
Tomei meu caminho de volta às escadas e adentrei a escola.
Olhei novamente meu papel com os horários e a primeira aula era a de história.
Segui direto para a sala enquanto todos faziam aquelas confraternizações de volta às aulas.
Me sentei na mesa que eu estava acostumada desde a quinta série e aguardei, encarando nada em específico.
Já faziam alguns minutos e eram comum as pessoas se atrasarem no primeiro dia de aula, (até os professores), mas a primeira pessoa que entrou na sala não foi uma que eu conhecia.
Foi um rostinho bem diferente na verdade:
- Hey? - encarei a dona da voz. - Você é a primeira pessoa normal que vejo.
- O que quer dizer com normal? - eu questionei, ficando confusa.
- Que não é uma líder de torcida, ou uma menina histérica siliconada ou um jogador de futebol. - a garota se sentou ao meu lado e bufou. - Por que o ensino médio tem que ser tão esteriotipado?
- Eu não faço a mínima ideia. - já tinha me feito aquela pergunta um milhão de vezes.
- Essa é a sala de química, da senhorita Sulivan, certo? - ela me perguntou e meu primeiro movimento foi negar com a cabeça:
- Não. Essa é a sala de história do senhor Rodderick.
- Ai caramba! - ela falou com um sotaque engraçado. - Eu não entendo nada de escolas assim; minha antiga escola tinha uma sala para cada turma. Era diferente.
- Eu levo você lá. - me levantei.
- Tem certeza? Mas e se você se atrasar? - ela também se levantou, apertando as alças de sua mochila.
- É o primeiro dia. Não tem importância. - e ela me seguiu para fora da sala.
Eu costumava me importar muito com aquilo. Com o fato de estar na sala quando o professor chegasse. Com o fato de ser a primeira a chegar.
Mas agora, tanto fazia.
Observei a garota ao meu lado; ela provavelmentete era transferida.
Ela estava falando sem parar sobre algo; era bem animada.
A garota tinha cabelos curtos, encaracolados e ruivos. Obviamente, ela tinha algumas sardas que manchavam sua pele clara, pouco mais escura que a minha.
Olhando para ela agora, eu entendia porque ela se irritava com estereótipos. Ela tinha uns kilos a mais. Não que ela fosse obesa, mas dava pra ver que ela não a tinha a 'cinturinha' das líderes de torcida.
- É aqui. - eu disse quando chegamos até a sala.
- Muito obrigada...
- Disponha. - e eu sai andando, para voltar para a aula que já devia ter começado.
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EAT ME
AcakComo é desenvolver uma doença que não pode ser vista fisicamente? Como é saber que está doente e ao mesmo tempo não ter ciência disso? Como é achar que isso está sendo algo bom quando está destruindo o seu corpo? E o seu psicológico? Como é estar t...
