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Haviam se passado alguns meses intensos desde o nascimento de Ephraim. A casa de Jacob e Trish estava vazia de móveis e cheia de caixas. A mudança para Stanford era iminente.

Jacob estava irreconhecível, caminhando pela casa com o olhar perdido, absorvendo cada cheiro de pinho e umidade. A picape estava quase cheia, mas ele continuava a adiar o momento final.

- Jacob? A gente precisa ir. O Ephraim está começando a ficar irritado com a falta de rotina - disse Trish, encontrando-o parado na porta do seu quarto.

Jacob se virou, a dor da despedida evidente em seus olhos.

 - É estranho, Green. Eu passei a vida toda aqui. Este lugar é... a minha história. Mas agora, com você e o Ephraim, sinto que a minha história real está apenas começando.

Trish aproximou-se, envolvendo-o pela cintura. 

- E é por isso que vamos. Para que você possa construir um lar novo, só nosso. Você é mais do que um guerreiro, Jacob. Você é um construtor. Vamos construir a nossa própria vida em Princeton.

Eles desceram as escadas para o último obstáculo: a Matilha.

Paul, Embry, Quil, Jared e Seth estavam sentados na varanda, todos com olhares de filhotes abandonados. 

- Vocês têm mesmo que ir? - questionou Lahote. - Eu juro que vou visitar. E vou ligar todos os dias. Quem vai rir das piadas do Quil se vocês forem embora?

- Eu cuido disso - Jacob respondeu. - Vocês têm que cuidar de Sam, Emily e do território. Mas é só uma viagem de carro. Voltaremos para visitar. E vocês são bem-vindos em Stanford.

O momento mais tocante foi com Billy Black. Billy estava em sua cadeira de rodas, na entrada da casa. Ele segurou a mão de Jacob e depois a mão de Trish, olhando profundamente nos olhos de ambos.

- Vão, meus filhos - A voz baixa, cheia de dignidade de Billy ecoou. - Eu lhes dei raízes. Agora é hora de vocês criarem o seu próprio chão. Jacob, você me deu a maior alegria. Encontrou a paz e construiu esta família. Vá e viva uma vida grande, como sua mãe sempre quis. O meu coração está com você.

Ele estendeu as mãos para Ephraim. Jacob colocou o bebê nos braços do avô.

 - O Ephraim Black... forte e pacífico. Você nasceu para grandes coisas, pequeno. E a sua mãe é a sua maior força.

Com o motor da picape roncando, Jacob e Trish acenaram para a família e partiram.

Ao deixar a Reserva, os quatro lobos da matilha se transformaram e correram pela floresta, lado a lado com a estrada, uma guarda de honra silenciosa.

Jacob, no espelho retrovisor, viu os flashes de pelo escuro entre as árvores.

 - Eu amo esses idiotas.

Trish sorriu.

 - Eu também. Mas eu amo mais a ideia de ter um sofá só nosso... e uma vida só nossa.

Eles dirigiram para leste, deixando a névoa para trás. Jacob falava da oficina que Bruce tinha reformado: o prédio de tijolos, o elevador novo, o nome que ele havia escolhido: 'Black's Auto Repair'.

Depois de longas horas, eles chegaram a Stanford, Califórnia.

A oficina mecânica ficava em um prédio sólido, de tijolos escuros. O letreiro, simples e profissional, dizia: 'BLACK'S AUTO REPAIR'.

Jacob parado na frente da loja, com a chave na mão. 

- É real - disse, a voz rouca de emoção. - Não é um sonho. É... a minha vida.

- Nossa vida, Black. Agora, vamos inaugurar.

Jacob sorriu, beijou Trish e Ephraim, e destrancou a porta de BLACK'S AUTO REPAIR. Lá dentro, o cheiro de óleo novo e ferramentas limpas era o perfume do futuro. Havia uma nota de Bruce em cima da mesa: "Bem-vindos. O primeiro cliente está agendado para amanhã. Faça um bom trabalho. Bruce."

O sino da porta tocou. Uma mulher elegante, de cabelos escuros, vestindo roupas de alta costura que não combinavam com uma oficina, estava parada na entrada. Seu olhar era intenso e inquisitivo.

 - Procuro o Sr. Black. Jacob Black? Estou aqui para o primeiro agendamento. Meu nome é Helena Bertinelli.

O sorriso de Jacob era largo e confiante. Ele estava no seu momento. - Sou eu. Bem-vinda à Black's Auto Repair - respondeu prontamente estendendo-lhe a mão.

Trish, observando de longe, sentiu um pequeno arrepio. Aquele nome e aquele olhar pareciam pesados demais para um simples conserto de carro. Mas Helena Bertinelli provou ser exatamente o que Jacob precisava: uma cliente com um carro de luxo e expectativas desmedidas. O conserto, complexo e caro, cimentou a reputação de Black's Auto Repair.

Trish então suspirou aliviada ao perceber que a aura intensa da mulher era apenas o estresse de uma californiana rica, sem qualquer vínculo sobrenatural ou dramático. Era, afinal, apenas uma cliente.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora