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🖤 O Legado do Patriarca

 O sol da manhã espreitava pelas janelas do pequeno quarto de hóspedes que fora preparado para Billy Black. Fazia apenas algumas semanas que Ephraim havia chegado, e a casa ainda respirava a novidade desse pequeno milagre.

Jacob estava na ronda matinal, e Trish, exausta, aproveitava a rara chance de um sono ininterrupto. O silêncio na Reserva, um luxo, era quebrado apenas pelo chiado suave da respiração de Ephraim, que dormia tranquilamente no colo do avô.

Billy estava sentado em sua cadeira de rodas, junto à janela, com o bebê aninhado contra seu peito. O pequeno Ephraim, envolto em um cobertor de lã, parecia minúsculo contra a vastidão das mãos calejadas do ancião. O Patriarca Black tinha os olhos fechados, sentindo o peso e o calor da nova vida. O aroma de bebê era inocente e puro, um contraste gritante com o cheiro de pinho, terra e lobo que permeava a Reserva Quileute.

Ao sentir o suave movimento de sucção dos lábios do bebê em seu peito, uma lembrança o atingiu com a doçura de uma brisa suave.

Era o mesmo som. — seus pensamentos voaram.

Ele se viu de volta no tempo, há mais de trinta anos. Estava sentado à beira da cama, observando sua amada Sarah segurar o recém-nascido Jacob. Sarah, cansada, mas radiante, com os longos cabelos escuros espalhados pelo travesseiro.

"Ele é tão bravo, Billy," Sarah havia sussurrado, seus olhos cheios de lágrimas de alegria. "Chorou a noite inteira. Ele vai dar trabalho. Ele tem o fogo Black."

Billy tinha rido, acariciando a bochecha do filho. "Que bom. Que ele seja forte. Ele será a força que esta tribo vai precisar, Sarah. Eu sinto isso."

A lembrança trouxe um sorriso dolorido ao rosto de Billy. Ele nunca soube o quão rápido o tempo passaria, nem o quão cedo Sarah o deixaria. Ele se curvou ligeiramente, beijando a cabeça macia de Ephraim.

Você é o futuro, pequeno. A prova de que a nossa linha de fogo não se apagou. — sussurrou em um murmúrio quase inaudível na língua Quileute.

Ephraim se agitou e abriu os olhos. Eles eram de um verde líquido e intenso, a herança visível de Trish. O bebê olhou para cima, fixando o olhar no rosto do avô.

Billy nunca havia sentido um vínculo tão forte e imediato com ninguém além de Jacob. Aquele bebê era a paz que Jacob finalmente havia encontrado, e a continuação que Billy temia que nunca viesse.

Ele começou a cantarolar a melodia de uma antiga canção de ninar Quileute que sua mãe cantava para ele, e que ele cantou para Jacob.

"A floresta te acolhe, pequeno guerreiro, o mar te chama. Teus pés serão rápidos, teu coração será forte. Teu espírito voa com o lobo, teu amor se aninha com a Terra."

Ao ouvir a canção, o bebê parou de se agitar, seus olhos verdes piscando lentamente, como se entendesse o peso de cada palavra ancestral.

"Ele é a mistura perfeita. O fogo de Jacob, a força e a alma indomável de Trish."

A conexão não era apenas de sangue; era de legado. Billy percebeu que Jacob precisava ir para Princeton não para fugir, mas para honrar o nome Black, criando uma nova história em um novo solo, livre da sombra de lendas antigas.

Ele apertou Ephraim contra si, inalando o cheiro do neto.

— Vá e construa sua vida. — murmurou consigo mesmo. — Vá e seja o pai que eu não pude ser por tempo suficiente. Eu estarei aqui, esperando que você volte para casa.

Quando Trish entrou no quarto, meia hora depois, ela encontrou Billy e Ephraim dormindo juntos: o ancião em sua cadeira, o bebê seguro em seu colo. A cena era a imagem mais pacífica e poderosa que ela já havia testemunhado. O vínculo estava estabelecido.

O tempo pós-parto de Trish Black era tudo, menos calmo.

Ephraim, com apenas algumas semanas de vida, era o bebê mais cheirado e mimado da Reserva. A vida deles havia se transformado em um rodízio ininterrupto de tios e tias gigantes. Os rapazes da matilha, impulsionados pela força instintiva de proteger o novo membro — o filhote —, tinham transformado a casa de Jacob e Trish em um segundo quartel-general.

Para Jacob, era um sinal de amor. Para Trish, era a invasão de privacidade em escala Quileute.

Ela desceu as escadas lentamente, com Ephraim aninhado no ombro, enrolado em um cobertor. Eram 8h da manhã.

A sala de estar já estava ocupada. Paul estava esparramado no sofá, com os pés sobre a mesa de centro, comendo o último bolinho de mirtilo que Emily tinha deixado. Quil e Embry estavam sentados no chão, jogando Mario Kart no antigo console de Jacob, com o volume no máximo. Seth estava na cozinha, procurando por um segundo pacote de batatas fritas.

Trish parou no meio da sala, a paciência fina como papel.

— Bom dia, rapazes. Vocês já fizeram a ronda matinal? O que exatamente vocês estão protegendo aqui dentro, além do meu estoque de cafeína?

Os três na sala congelaram. Paul tirou os pés da mesa e se sentou.

— Ah, Green. Bom dia. Estávamos só... fazendo a segurança do perímetro interno. Sabe como é. Um Alfa recém-casado precisa de apoio. E o Ephraim está cheirando bem hoje. Deixa eu ver!

Paul se levantou, pronto para roubar o bebê para um abraço de urso. Trish ergueu a mão como um policial de trânsito.

— Nem pense. E a segurança do perímetro interno não inclui bolinhos de mirtilo ou explosões sonoras de uma tartaruga motorizada.

A situação com Paul era a mais crítica. Depois de se certificar de que Jacob e o bebê estavam bem, ele simplesmente se recusou a voltar para casa.

— Por que eu voltaria, Green? Rachel está sempre brigando por causa de pratos sujos. Aqui tem mais paz. E o Jacob precisa de mim. Sou a distração dele.

Jacob entrou na sala, esfregando o rosto, com os olhos vermelhos. Ele parecia ter dormido menos de duas horas.

— Paul tem razão, Trish. — disse. — Ele é ótimo para desviar o foco do meu esgotamento parental. E eu não ouvi o Quil reclamar do jogo. Isso é bom.

— Você dormiu no sofá na semana passada, Jacob, porque o Paul estava roncando como um trator no quarto. E a paz que ele traz é a mesma de um terremoto nível 5. Paul, você tem uma noiva. Uma casa. Você tem que ir embora.

— Mas e se o Ephraim sentir minha falta? Eu sou o segundo em comando, preciso estar aqui.

Trish o encarou.

— O Ephraim não consegue enxergar mais do que trinta centímetros, Paul. Ele não sabe que você existe. O que ele sabe é que o som do seu ronco o impede de dormir.

Jacob, sentindo a tensão, pegou o bebê da mãe e o colocou nos braços de Paul.

— Calma, Green. Ele é como um cão de guarda protetor. Um cão de guarda que come tudo e não lava a louça. Mas ele é nosso cão de guarda.

Paul, instantaneamente, acalmou-se. O lobo feroz virou um bloco de ternura, balançando Ephraim com a mesma delicadeza que usaria para manejar uma pena.

— Quem é o bebezinho mais fofo da floresta? É você, é você!

Trish viu a cena: seu marido exausto, seu filho nos braços de um Paul pacificado e, na porta, Quil, Embry e Seth observando com admiração. Ela percebeu que a invasão não era maldade, era vulnerabilidade. Naquele momento, eles não eram lobos, mas sim garotos tentando proteger a coisa mais preciosa que o bando tinha agora: a nova família e a felicidade de seu Alfa.

Trish soltou um suspiro pesado, resignada e com um toque de afeto.

— Tudo bem. Paul pode ficar. Mas se eu encontrar mais uma migalha de bolinho no sofá, eu juro que vou queimar o controle do Mario Kart.

— O nosso não! — gritaram Quil e Embry em uníssono.

— Combinado. — balbuciou Paul. — Mas só porque eu amo o Ephraim!

Trish sorriu, suavemente. Era caótico, barulhento e tinha cheiro de lobo molhado de vez em quando, mas era a família deles.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora