EPÍLOGO

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Três meses após o acidente, Jacob enterrou Trish em Forks e voltou para Stanford. Ele não voltou por vontade, mas por um juramento silencioso. Ele não podia viver em La Push sem ela; o ar estaria pesado demais com a memória.

Em Stanford, a dor era mais limpa, um luto entre prédios de tijolos e o som monótono e constante do trânsito, em vez do uivo do oceano.

O primeiro ato de Jacob foi um erro ditado pelo luto. Ele vendeu a Black's Auto Repair para Roger. Ele estava convencido de que não poderia mais gerenciar o sonho de Trish. Ele estava quebrado, e a loja parecia apenas uma lembrança dolorosa.

No entanto, a vida sem o cheiro de óleo e graxa era insuportável. A rotina de ser apenas pai - por mais que amasse Ephraim - era um vazio funcional. Ele precisava de algo tangível, algo que Trish amava e que ele havia construído. Ele precisava da oficina, embora o cheiro químico de Princeton jamais fosse o pinho e o sal que ele ansiava.

Uma noite, Jacob ligou para Roger. Ele não estava pedindo para comprar a loja de volta, mas para trabalhar nela. O homem, vendo a determinação desesperada na voz de Jacob, concordou com uma condição.

- Eu não confio em você para a responsabilidade total, Jacob. Não ainda. Mas a Black's Auto Repair sempre foi nossa. Se você quiser se sujar, consertar carros, e estar lá para o Ephraim... podemos fazer isso. Mas sob novas regras: Você não é mais o dono solitário. Nós somos sócios. Eu administro os números, você gerencia a oficina. E você tem que sair da loja às 17h para buscar o seu filho. É a minha condição.

Jacob aceitou o ultimato. Era um resgate e um novo fardo.

Ele estaria de volta por obrigação sagrada.

"Ela queria que você tivesse isso," ele murmurou, sozinho no meio da sala de estar vazia, o único som sendo o brinquedo chocalhando na mão de Ephraim. "E eu vou te dar isso."

Jacob retornou à Black's Auto Repair. Ele não podia abandonar o sonho que ela havia semeado. O trabalho era a sua penitência; a rotina, o seu cativeiro. Ele consertava motores, atendia clientes e lidava com fornecedores com uma eficiência fria e distante. Ele era um empresário de sucesso, mas estava morto por dentro.

Emily queria que Ephraim ficasse na reserva com todos, mas o lobo recusou ter que ficar sem o filho também.

Jacob voltou ao trabalho, um homem funcional. Ele não era o chefe na garagem, mas um empregado da hora. Ele vestia o macacão e, às 17h em ponto, largava a ferramenta e ia buscar Ephraim na escola. Ele havia perdido o amor de sua vida, mas resgatado o propósito dela.

A matilha, em La Push, sentia a ausência de Jacob como um membro amputado. Eles o visitavam ocasionalmente, a viagem de carro de costa a costa sendo a única forma de manter o elo. Paul, Quil, Jared, Embry e Seth se revezavam, invadindo a casa de Princeton para cozinhar, limpar e, mais importante, para fazer Ephraim rir.

Ephraim, agora com cinco anos e meio, era o único sol na vida de Jacob. O menino tinha os cabelos escuros do pai, mas a calma inabalável e a graça de Trish. Ele era uma criança amada, mas seu pai era uma sombra funcional. Jacob era mestre em abraços e beijos de boa noite, mas tinha se esquecido de como sorrir com os olhos.

A sua casa não era um lar, mas um santuário de memórias. Em cada canto, havia uma prova da vida que ele havia perdido: o porta-retratos na cômoda, o sofá que eles haviam montado juntos, o cheiro fraco e persistente do perfume dela nas roupas guardadas. Jacob não se desfazia de nada, pois o medo de apagar a lembrança era maior do que a dor de mantê-la viva.

Dois anos se passaram desde então. Numa noite fria, Jacob estava na oficina, fechando o caixa. O telefone tocou.

Era Billy com sua voz rouca, carregada de preocupação, mas tentando soar casual.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora