Comunhão parcial de bens

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Mel

Estou enrolada em uma coberta, enquanto tomo um chocolate quente sentada em um sofá no terraço, observando a bela paisagem ao redor da residência.

- Tenho que confessar uma coisa, acho que estou precisando de umas aulas de geografia.- eu falo para mim mesma.

- O que quenga?.- Mariane pergunta, pois o meu pensamento foi alto demais.

- Eu achei que aqui fazia sol o tempo todo.- eu falo, e Mariane cai na gargalhada.

- Garota, estamos no final do outono, e começando um inverno, não sabe que na Itália é oito ou oitenta? No verão é calor de verdade, e no frio é frio mesmo.- ela explica e eu balanço a cabeça.

Está muito frio. Eu amo frio, mas nunca tinha sentido 5° assim, parece que estou dentro de uma geladeira.

- Quer entra Mellany?.- Mariane pergunta, ao me ver estremecendo.

- Não, eu amo frio, quero ficar aqui.- afirmo me tremendo, mas sem da o braço a torcer.

Mariane revira os olhos, e depois da de ombros, voltando a cessão de fotos com seu casaco de pele.

- Não acredito.- ela diz olhando algo no celular, me deixando curiosa.

- O que foi?.- pergunto a encarando.

- Cretinos.- ela grita tirando os óculos do rosto, e eu vou mais pra perto dela.- olha isso aqui Mel, esses babacas tiveram a coragem.- pego o celular da mão dela e vejo uma mensagem de Maycon, seu ex marido, que diz.

*Espero que esteja aproveitando bastante as férias da sua amiga, e que tenha inventado uma boa desculpa para falta todo esse tempo de trabalho, pois terá que ter um emprego para pagar uma outra casa pra morar. Estou tomando aquela onde você mora, sei que vai pensar "Está louco, eu moro de aluguel" mas está errada. A um ano atrás eu comprei o terreno, e hoje sou dono dele junto com Bruno. Isso seria uma surpresa para vocês duas, mas já que não voltaram atrás na decisão do divórcio, terei que tomar essa medida drástica. Sei que os papéis já foram assinados, e tanto nós dois quanto Bruno e Mellany já estão separados, no entanto, talvez com isso, vocês se dão conta que não são ninguém sem nós dois. Pode contar pra sua amiguinha, mas creio que a notícia chegará a ela de alguma forma.*

Leio e releio o texto, sem acreditar no que está escrito aqui.
Mariane pragueja todas as maldição possível, e fica andando de um lado para o outro com a mão na cabeça.

- Isso é impossível, eles estão blefando.- eu falo de boca aberta, não querendo acreditar em suas palavras.

- Vamos ligar pra Karla, ela o desmentirar.- Mariane diz, tomando o celular da minha mão, e eu levo minha unha a boca.

- Isso.- sussurro dando força, e torcendo para que esteja certa.

- Karla?.- diz Mariane com o celular no ouvido, sem conseguir ficar parada no lugar.- tudo bem? Escuta, eu recebi uma mensagem que tenho quase certeza que é um engano, mas queria confirmar com você.- ela para pra escutar algo do outro lado.- então, Maicon me disse que comprou a nossa casa junto com o Bruno, isso é verdade?.- ela pergunta, e coloca no viva voz

- Sim, então eles finalmente contaram?.- Karla diz animada, e Mariane cai sentada no sofá.

- O que? Como? Desde que ele saiu de casa eu venho pagando o aluguel a você.- ela fala aterrorizada, e eu espelho sua reação.

- Sim, eles pediram que isso fosse feito pois seria uma surpresa. Mas você disse saiu de casa?.- Karla começa a percebe o por que do nosso desespero.

- Sim Karla, Maicon e Bruno saíram de casa, eles nos traíram e nós nos divorciamos, entende o por que de estamos desesperadas?.- Mariane perde o controle e começa a gritar.

- Oh querida me desculpe, mas eu não tinha como saber, na época vocês estavam juntos.- Karla muda o tom para receio e Mariane suspira. Eu viro as costas me desesperando ao pensar que serei despejada, e nem estou no Brasil para tentar fazer algo contra isso.

- Eu sei Karla me desculpe, você não tem culpa, isso só me pegou desprevenida, mas tentarei resolver.- nós nos despedimos, e desligamos o telefone.

Mariane só não taca o aparelho na parede, pois não tem como compra outro depois, até porque, acabamos de ser despejadas, desalojadas e expulsas de nossas próprias casas.

- Como isso foi acontecer em baixo dos nossos narizes?.- eu falo com a mão na cabeça, andando para todos os lados.

- Fizeram tudo pelas nossas costas Mel, eles nos traíram duas vezes e não vem com essa de surpresa pra cima de mim, pois isso já tem 1 ano porra.- ela rosna.

- Eles nós traíram duas vezes de formas diferentes.- eu falo me sentando no sofá segurando minha cabeça, e por um tempo me esqueço do frio.

- 8 anos, eu morei debaixo do mesmo teto por 8 anos com esse cretino.- ela diz raivosa.- eu vou estrangular ele.- Mariane levanta, e apoia a testa na cerca de metal do terraço.

Uma coisa vem a minha cabeça, e talvez nada esteja perdido ainda.

- Acho que podemos recorrer.- eu falo olhando para ela.

- Recorrer o que Mellany, estamos divorciadas.- ela fala como se fosse óbvio.

- Por isso mesmo, estamos divorciadas por comunhão parcial de bens, tudo adquirido depois do casamento será dividido entre as partes.- eu sinto a cláusula do contrato pre-nupcial.

- Mellany, você é uma gênia.- minha amiga grita e bate palminha.- eu vou rasgar ele ao meio.- ela promete.

- Bruno me paga.- eu prometo a ela.

O SicilianoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora