Cética

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Mel

Passo pelo portão, e um dos vigias da noite me cumprimenta.

- Bom dia.- ele diz simpático.

- Bom dia, o pessoal de hoje já chegou?.- pergunto olhando em volta, e ele concorda.

- Sim, os funcionários da escala já estão no refeitório.- ele diz e eu concordo.

Ouso um barulho, e meu pescoço vira para encarar alguém saindo da sala da coordenação.

- Elô? Mas hoje não é seu dia.- eu falo confusa indo até ela, e ela me de um sorriso.

- Oi Mel bom dia, sim, hoje não é o meu dia, mas eu e a Rose vinhedos para decorar esse mural.- ela aponta para a parece onde o mural está sem nada, onde antes tinha a decoração de natal.

- Ata, quer ajuda?.- reparo que ela está com um TNT azul na mão.

- Não não, agora não, mas se eu precisar eu te chamo.- ela diz sorridente e eu concordo.

- Está bem.- vou para o refeitório e antes que eu chego lá, tem um murinho na altura dos meus seios, de eu consigo ver perfeitamente quem está sentado lá.

Tudo parece em câmera lenta, meu estômago embrulha e tento fazer uma cara mais amigável do que de nojo*.

- Olha ela lá. Mel? Aqui!.- Priscila chama animada, provavelmente Vitor não contou nada do que aconteceu para ela.

Passo do murinho, e ele não tira os olhos de mim. Ele está sentado no banquinho de costas para parede, e Priscila está do outro lado de frente para ele.

- Bom dia.- eu cumprimento eles assim que chego mais perto.

- Bom dia.- os dois me cumprimenta e vejo o rosto dele quase petrificado, porém me encarando firme.

- Vem senta aqui pra tomar café.- diz Priscila sem percebe o clima de merda* que está no ar.

- Não obrigada, eu já tomei café.- eu respondo com um meio sorriso sem graça, porém me sento ao seu lado.

- E aí? Como foi suas férias?.- ela pergunta mordendo seu pão.

- Foram excelentes, e as suas?.- rebato a pergunta para ela.

- Chatas, você acredita que eu já estava com vontade de voltar a trabalhar? Nunca pensei que diria isso.- ela responde e eu começo a rir.

- Sim, eu não estava entediada, porém eu também estava sentindo falta daqui.- falo encarando ela como se Vitor nem estivesse aqui.

- Ah, e o que você fez?.- ela pergunta curiosa.

- Viajei, conheci pessoas novas, comecei um namoro.- eu digo e o Vitor engasga com seu café, e Priscila teve que o ajudar batendo a mão nas costas dele até ele conseguir respirar.

Os olhos dele ficam lagrimejados por causa do engasgo, e ele tem que beber água para normalizar sua garganta.

- Meu Deus Vitor, quase morri do coração.- Pricila diz sentando no seu lugar, enquanto nos duas encaramos ele.

- Nossa, me engasguei com o café.- ele diz ainda com pigarro na garganta.- então você está namorando?.- ele pergunta para mim, e eu somente balanço a cabeça.

- E quem é o coitado?.- Pricila debocha.

- O Antony.- Vitor arregala os olhos e fica me olhando sério.

- Que Antony?.- Pricila pergunta curiosa.

- Antony Berrutti.- respondo sua pergunta e ela começa a gargalhar.

- Para de palhaçada garota, se manca, onde que um homem daquele ia namorar contigo? Você nem conhecia ele até o dia da festa, agora quer falar que estão namorando? Conta outra.- ela debocha ainda rindo.

- Ué, conheci ele naquele dia.- retruco para ela.

- Para de ser mentirosa cara, naquele dia ele foi embora antes de você, e quem te levou no portão foi o Vitor.- ela fala, e vejo ele estremece.

- Sim, e ele pode confirmar que eu o conheci aquele dia. Você não contou Vitor, o que aconteceu aquele dia?.- eu falo com voz de inocente para ele, e ele me olha envergonhado.

- Eu estava bêbado.- ele me encara sem graça.

- Mellany, conta outra cara, quem é o seu namorado? Talvez nem tenha namorado.- continua Priscila descrente na minha história, e aí que eu me dei conta de não ter postado absolutamente nada das minhas férias nas redes sociais.

- Ué pergunta ele se eu não conheci o Antony naquele dia.- apontei para o Vitor com a cabeça, e ela o encarou.

- Fala Vitor, parece que está sem língua desde que a Mellany chegou.- ela fala irritada com o jeito estrando que ele está, e ele me encara.

- É verdade, ela conheceu o Antony naquela noite, e ele a levou pra casa.- Vitor responde como se tivesse várias lâminas em sua boca o cortando, e eu olho pra cara incrédula de Priscila.

- Tá, mas isso não quer dizer nada, ele pode ter só te levado, até por que você estava muito bêbada naquele dia.- ela diz cetica, e eu perco a paciência. Não tenho que provar nada para ela, não quer acreditar problema.

- Tá bom Priscila, esquece isso.- eu reviro meus olhos, e ela sorri satisfeita.

- Eu sabia.- ela fala, e eu olho pra ela de rabo* de olho.

Não preciso ficar me explicar tentando a convencer disso, eu sei bem tudo o que eu vivi e é isso que importa.

Deixo para lá, e mudo de assunto.

O SicilianoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora