Apenas um Don

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Mel

No quarto, eu fico olhando para o teto, e pensando sobre o que vou fazer quando voltar para o Brasil. Eu vou precisar procurar uma casa, e vou botar os papéis para corre. Não irei bater boca e nem discutir com Bruno, pois é isso que ele quer, chamar minha atenção, e a troco de que? Não foi ele que escolheu me trair? Pra quer ficar arrumando pretexto para continuar em minha vida. O que ele quer?
Um sino toca, e meu celular vibra em cima da cômoda. Pego ele na mão, e uma mensagem me tira completamente da paz.

*Espero que entenda, eu disse que não iria desistir de você, essa é a minha última cartada.*

Bruno está brincando com a minha paciência, e está conseguindo acabar com toda ela.
Disco seu número e espero tocar. No terceiro toque ele atende com uma voz cínica, que me leva ao limite.

- Querida.- ele diz zombeteiro.

- Querida é o soco que eu vou dá na sua cara seu cretino.- rosno para ele, e ele gargalha.

- Mellany, não precisa se estressar assim, a casa nunca foi sua lembra? Ela era alugada. No entrando, agora ela pode ser, isso só depende de você.- ele estiga, e eu fico completamente louca, desistindo da promessa que fiz para mim mesma de não bater boca com ele.

- Escuta aqui seu merda, eu nunca irei voltar com você, nunca! Não adianta querer me chantageia ou algo do tipo.- começo a gritar.

- Minha linda ex-esposa, não me entenda mal, mas suas coisas estão em minha casa, eu posso pedir uma ordem de despejo a qualquer momento e colocar tudo na rua. Então, se eu fosse você, eu viria aqui imediatamente para podermos conversar, tudo pode ser resolvido apenas com um diálogo.- ele debocha, me deixando com mais raiva ainda.

- Você é tão burro que me dá nojo de ter tido algo com você um dia.- eu digo também debochando, e nesse momento ele se cala. Porém, não vou espantar mosca do rabo dele não, não vou dá a chance dele fazer algo para se safa dessa.- olha Bruno, eu te aconselho a não meche em nada que é meu, eu não estou no rio, e é só por isso que não vou aí agora mesmo meter a mão na tua cara.- eu falo tentando me acalmar, mas meu corpo pega fogo.

- Como assim não está no rio?.- ele quase grita no telefone.- onde você está Mellany?.- exige saber e eu começo a rir.

- Não é mais da sua conta onde vou e deixo de ir.- eu falo com o mesmo deboche dele.

- É sério Mellany, a onde você está? Está com aquele cara do cartório?.- ele pergunta irritado.

- Se eu disser que sim, vai fazer alguma diferença?.- eu falo querendo perturbar a mente dele, assim como ele gosta de fazer comigo.

- Escuta, eu vou agora mesmo jogar todas as suas coisas no meio da rua, vou quebra tudo que tiver dentro da minha casa, aí você manda esse teu playboyzinho de merda compra tudo novo, pois não deixarei nada que era meu para outro homem usar.- ele rosna.

- Tudo que era seu? O que é seu ai Bruno? Você não me deu nada, e o que você compro, pelo menos 3 parcelas eu ajudei a pagar, e como você bem lembra, no contrato você perdeu o direito sobre tudo.- eu grito com ódio.

- Foda-se, a casa é minha.- quando ouso essas palavras, o meu sangue ferve, e eu descarrego um monte de xingamentos alucinados, um atrás do outro.

E quando eu finalmente paro pra pegar fôlego e recomeçar novamente, tomo um susto.

- Já escutei o suficiente.- a voz rouca e grave de Antony rasga o ar. Eu me viro para encara-lo com o rosto assustado.- me dá esse telefone Mellany.- os olhos de Antony são duas bolas de fogo. Parece sair brasas de suas orelhas, e ele me olha severamente.- eu não vou pedir outra vez.- diz entre os dentes.

Eu fico petrificada, sem conseguir mexer um músculo, até ele perder totalmente a paciência que estava tentando ter, e arrancar o aparelho da minha mão, me deixando lá paralisada, o encarando caminhar pesadamente para fora do quarto. Meu coração bate tão forte, que tenho medo de desmaiar a qualquer momento. Meu cérebro começa a raciocinar rapidamente, e começo a perceber que toda essa briga é irrelevante. No fundo o Bruno tem razão, a casa nunca foi minha, eu pagava aluguel, e posso pagar em qualquer outro lugar. Não preciso dá um show por causa disso, no final, eu tenho apenas duas opções, deixar que Bruno entre na minha mente, ou apenas me retirar e deixá-lo brigar sozinho.
Começo a correr atrás do bonito, procuro em todos os cantos e o encontro no jardim.

- Antony?.- chamo ainda correndo, e ele não me dá atenção.- Antony?.- insisto, e ele continua me ignorando.- Don.- meu grito vem de dentro da minha alma rasgando minha garganta, e Antony para imediatamente.

Ele fecha a mão forte em punho, e parece tremer de raiva. o que me deixa um pouco assusta.

- Olhe para mim.- eu peço calmamente, e Antony vira para me encarar com os olhos sedentos por assassinato.

Ele caminha em minha direção com seus olhos frios e impetuosos, me perfurando por dentro. Bonito para bem próximo de mim e vejo sua mandíbula se apertar ritmicamente.

- O que você vai fazer?.- pergunto olhando nos olhos dele.

- Vou mata-lo.- Antony responde friamente, como se dissesse que iria para uma reunião.

- Como?.- eu começo a ficar nervosa, e vejo os olhos negros de ódio de Antony me deixar sem voz.

- O que? Você pensou que eu iria apenas conversar com esse estrume?.- ele brada.- é assim que eu ajo quando alguém mexe com o que é meu Mellany.- ele me diz, e nesse momento, ué percebo que pela primeira vez estou falando com o mafioso, e não com o meu namorado.

Eu quero gritar que eu não sou propriedade de ninguém, mas percebo que isso só iria joga gasolina no fogo, e então tento outro caminho.

- Você não pode fazer isso.- eu sussurro aterrorizada.

- Não posso? Então veja!.- ele tenta se virá, e eu seguro em sua mão forme.

- Por favor, não faz isso.- imploro com os olhos cheios de lágrimas.

- Por que você se importa tanto com aquele merda?.- Vejo Antony se elevar uns 10 centímetros sobre mim, e eu começo a ficar apavorada.

Olho para ele e vejo apenas o Don, aterrorizante, imprevisível chefe da máfia Siciliana, e começo a entender que não adiantará de nada enfrenta-lo dessa maneira.
Percebo agora que existe duas personalidade dentro dele, uma que é o meu Antony, carinhoso, sexy e atencioso, mas também o extremamente possessivo e perigoso que está na minha frente agora.

- Eu só não quero um assassinato em meu nome.- tento transmiti a minha agonia na voz, tentando de alguma maneira trazer o meu namorado de volta.

- Você tem razão, eu não posso fazer isso, estou a mais de oito mil km de distância do rio, mas tenho homens para isso.- ele diz soltando sua mão do meu aperto, e fazendo o caminho de pedras, até o BMW parado na calçada, e desaparece dentro dele.

Eu fico parada vendo o carro fazer seu trajeto, tentando controlar minhas emoções quando a tempestade de choro surge nos meus olhos.
Entro correndo na casa, tentando desesperadamente encontrar Carine, desejando que ela tenha alguma solução para o meu pranto.

O SicilianoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora