Mel
Carine nos faz andar de um lado para o outro provando roupas, sapatos e tudo que ela acha pela frente. Pelo menos isso fez com que minha mente deixasse de lembra do que eu não quero lembrar agora. Não quero ficar com essa sensação no peito o tempo todo, e quero conseguir viver sem ficar com medo de que algo acontecer a qualquer momento.
O restaurante que Carine nos leva é quase em baixo do bondinho, ele passa bem pertinho do restaurante, é a coisa mais linda.- Isso aqui é de vocês?.- Mariane pergunta encantada com o lugar.
- Sim, meu primo gosta de restaurantes.- Carine responde indo até a recepcionista.
O lugar é parecido com o restaurante em que eu fui com o bonito pela primeira vez. É meio rústico, luzes amarelas, paredes escuras e chão de madeira. Um ar de mistério bem interessante. Carine escolhe uma mesa para nós e nos entrega o cardápio. Eu olho para ele e fico tonta só de ler.
- Não tem a opção bife com batata frita?.- pergunto com preguiça para toda aquela cerimônia de entrada e blá blá blá. Por mim eu comeria um PF e estava super satisfeita.
Carine sorri para mim, e eu agradeço por ela ter muita paciência para a minha mente de pobre.
- Traz para mim por favor o filé mignon ao molho de ervas, com batatas coradas, bem coradas. Mariane já sabe o que vai pedir?.- ele pergunta.
- Vou querer o mesmo por favor.- diz minha amiga a encarando, e depois sorrindo para o garçom.
- Perfeito, trás 3 por favor, com todos os acompanhamentos para esse prato, e o mesmo vinho de sempre, obrigada.- diz Carine e o moço concorda indo para a cozinha.
Nós ficamos um tempo apenas conversando sobre nada muito interessante e percebo dois homens de terno nos observando do lado de fora do restaurante, logo depois desaparecem.
- Eles vieram apenas para checar se estamos bem.- Carine diz ao vê minha cara de assustada.
Balanço a cabeça concordando, mas fico pensativa.
Será que vai ser sempre assim? Sendo segunda por brutamonte feito babá no nosso pé o tempo todo?
Meu celular toca na bolsa, e eu o tiro de dentro dela. Quando vejo o nome do bonito no visor, o meu ânimo muda imediatamente. Atendo como se isso fosse a minha salvação.
- Oi.- falo apressadamente.
- Olá garota, como vai seu dia?.- ele pergunta despreocupado, e eu sorrio feito uma garotinha.
- Estava péssimo até você ligar.- digo sem cerimônia. Parece até que consigo vê o sorriso do Antony do outro lado da ligação quando começa a dizer.
- Eu também senti sua falta baby.- ele diz, e eu fico toda apaixonadinha. É incrível como ele consegue mexer comigo até por telefone.- Já almoçou?
- Estamos esperando o rapaz voltar com nosso pedido.- respondo para ele.
- Ok, não quero atrapalha vocês, te vejo mais tarde e não beba demais, temos uma festa de gala hoje a noite, compre algo para vestir e se comporte.- ele fala tudo ao mesmo tempo e eu tento assimilar todos os pedidos.
- O que? Nós vamos a uma festa?.- pergunto perdida.
- Sim, a um baile precisamente, Carine vai te ajudar com a roupa, mas agora eu preciso ir, se cuida baby, estou ansioso pra te ver.- ele diz, fazendo minha garganta ficar seca, e meu peito queimar de saudades.
Quando desligo o telefone, eu tenho um sorriso bobo nos lábios, e quando levanto o meu olhar, Carine e Mariane estão olhando para mim sorrindo.
- O que foi?.- pergunto envergonhada e elas gargalha.
- Nada ué, é só o seu bom humor voltando.- diz Mariane tomando um pouco do vinho.
O garçom chega com o nosso almoço, e meu estômago agradece. Dessa vez, veio um batalhão de comida, sem aquelas frescuras toda de estrada, vários talheres, nada disso, e eu fico muito satisfeita. Nós começamos conversando calmamente, e realmente sinto que meu humor melhorou quase cem por cento. Falar com o bonito me deixou mais tranquila, saber que ele está bem me tirou uma angústia do peito.
Depois do almoço, voltamos para estrada, e a saga das compras. Eu fico me perguntando para que tanta coisa, se tenho um guarda roupa inteiro que provavelmente nunca irei usar em casa. Já Mariane adora toda essa ostentação absurda dos Berrutti, ela se sente na Disney entrando e saindo de todas essas lojas. Entramos em uma que eu acabo encontrando o vestido perfeito para esse tal baile que Antony me falou. Carine me deu algumas dicas, e esse aqui é o ideal. Ele é vermelho, com um decote não muito revelador, porém o corte valoriza os meus seios, o decote das costas é um pouco mas cavado, deixando ela completamente de fora. Uma fenda na coxa direita, acompanhado com luvas que cobrem os cotovelos. O vestido é de setim, porém de longe parece em veludo, ele parece mudar de cor para o preto quando está contra luz. É simplesmente perfeito. Compro uma sandália aquazzura tie com laço atrás, e salto 105mm que custa o valor do meu rins, só não é mais caro que o vestido, que é o valor de todos os meus órgãos juntos. Mas como uma boa Berrutti, Carine passa seu cartão sem limite a vista, e saimos feito menininhas mimada de dentro da lojinha de grife.- Me sinto em um filme.- diz Mariane, e eu concordo com ela.
Estamos nos 3 como filhinhas de papais ricos, com nossas roupas caras, comprando mais roupas caras, com óculos nos olhos e nossos guarda costas nos segundo e carregando nossas bolsas. É bizarro se for pensar que daqui a menos de uma semana eu terei que voltar a trabalhar, e essa vidinha fácil irá acabar.
Tenso!
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O Siciliano
ActionMel é uma jovem, que sonha em construir um futuro brilhante. Ela tenta amargamente se recuperar de uma separação recente, e acaba conhecendo Antony no meio disso tudo. Antony é um filho de sicilianos, bilionário e sedutor. Antony, acaba virando a...