Um Mafioso

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Mel

Sinto uma mão na minha coxa e estremeço. Dou um grito e levanto da cama desesperada. Me afasto pra a beirada com a mão no peito.

- Ei, ei, sou eu ragazza.- Antony ajoelha na cama e puxa meu braço, me fazendo olhar para ele.

Meu coração está acelerado, minha cabeça começa a latejar de dor, e eu não consigo segurar as lágrimas.

- Sinto muito baby.- bonito me puxa carinhosamente para cama, me deitando ao seu lado e me abraça forte.

- Eu quero ir pra casa.- falo ainda sem conseguir parar de chorar.- quero ver meus pais, eu quero ir embora.- afundo meu rosto em seu peito e choro ainda mais forte.

- Tudo bem querida, não chore mais.- ele sussurra beijando o topo da minha cabeça, fazendo carinho até eu pegar no sono novamente.
...

Quando abro meus olhos pela manhã, estico meus braços e Antony já não está mais na cama. Suspiro fundo e me levanto devagar.
Ontem as coisas foram muito intensas, e nesse momento, eu tenho até medo de pensar no assunto.
Procuro pelo meu quarto no corredor, e vou para o meu closet. Escolho uma calça de moletom, um cropped combinando, uma lingerie e um tênis no pé. Look mais confortável que isso impossível.
Hoje estou bem desanimada e talvez até triste, ainda assustada com tudo que aconteceu. Essa noite tive vários pesadelos, e se não fosse pelo bonito me abraçar forte toda vez que eu acordava gritando, me cobrindo de beijos até me acalmar, eu acho que teria tido um ataque cardíaco em algumas daquelas vezes.
Saio do quarto me arrastando e vou em direção ao jardim. Mariane e Carine já estão lá tomando café.

- Amiga.- Mariane choraminga assim que me ver.

- Bom dia, eu estou bem, não se preocupe.- dou um beijo em sua testa para conforta-la, mesmo meu rosto mostrando ao contrário.

- Me desculpe por ontem Mel, eu deveria cuidar de você.- Carine diz me olhando triste.

- Claro que não, você deveria se divertir e foi para isso que fomos naquela boate. Não foi culpa sua e nem culpa do Antony, a culpa foi daquele homem! E a única coisa que eu quero no momento, é saber se seu primo o conhece e o que ele queria comigo!- pergunto para ela e ela toma um gole do seu café.

- Ele lhe explicará tudo.- diz Carine sem me encarar, e eu balanço a cabeça.

- Mas um segredo do Antony.- bufo.- já que eu nunca posso saber de nada, eu não quero mais falar sobre o assunto, apenas quero esquecer tudo que aconteceu e seguir em frente.- eu falo já estressada, e de saco cheio de todo esse mistério.

- Mas com certeza algumas pessoas teriam que se explicar sobre isso.- diz Mariane olhando para algo atrás de mim.

Eu me viro para saber do que ela está falando e vejo o bonito furioso ao longe, gritando e mexendo os braços para 6 homens que estão em sua frente, enquanto Allan fica parado logo atrás dele. Quando Antony termina de vomitar algo para os seguranças, ele pega o telefone do bolso, e coloca no ouvido.

- Hoje a única pessoa que não será exterminada pelo humor do Antony será você Mel, ele está azedo.- diz Carine também olhando a cena com o rosto retorcido.

Bonito anda de um lado para o outro, falando e mexendo os braços como se tivesse discutindo com alguém do outro lado do telefone. Mesmo estressado, ele está extremamente elegante. Antony está vestindo um terno azul marinho aberto, a calça da mesma cor, uma blusa branca por dentro, sapato social marron, um relógio de ouro no pulso, cabelos penteados para trás e um óculos escondendo um vulcão que deve ser seus olhos nesse momento.
Ele não parece nada contente, e quase causa um buraco no chão de tanto que passeia para lá e para cá.

- Não quero está na pele de quem está do outro lado da ligação.- Mariane faz careta e eu me viro para frente, voltando a tomar meu café da manhã.- será que nossa viagem vai babar?.- minha amiga pergunta fazendo beicinho.

- Não sei, mas antes de ir eu preciso vê meus pais. Não vou ir sem vê-lós.- falo decidida.

Ontem, depois de tudo que aconteceu, a única coisa que eu pensava era me jogar nos braços dos meus pais, e me sentir segura com eles novamente. Meu medo era que acontecesse algo comigo e nunca mais poder sentir o abraço deles novamente. Ou se algo acontecesse comigo, eles não iriam aguentar o baque, eu sou a única filha, esse com certeza seria o pior pesadelo dos dois. Posso nem imaginar como sofreriam, e para mim, esse seria o meu pior castigo.
Antony se junta a nós na mesa, e seu rosto não mostra boas notícias.

- Está melhor?.- ele pergunta me encarando preocupado.

- Estou bem. Tem algum problema?.- pergunto o encarando.

- Não se preocupe com isso.- ele diz pegando uma xicara.

- Depois do que aconteceu, acho que eu deveria me preocupar um pouco sim.- falo irritada.

- Mellany, por favor.- ele pede também sem paciência.

E lá vamos nós...

- Não, não me pede por favor depois do que eu passei ontem Antony, eu exijo uma explicação.- eu falo largando a colher que eu estava comendo mamão.- quem era aquele homem?.- pergunto entre os dentes, tirando o óculos dos seus olhos para olha-nos no fundo e ele passa a mão pelo cabelo.

Bonito fica com a mão na testa, olhos fechados e a mandíbula pressionada. Ele vira seu rosto para mim, estudando se realmente vale a pena compartilhar suas informações. Parece sofrer ao deixar que as palavras saiam de sua boca.

- Aquele é Luigi, ele era da família..- suspira por um momento medindo as palavras.- Luigi é filho de meu tio Robert Berrutti. Luigi queria ficar de frente dos negócios da família assim que seu pai morresse, já que o meu não queria que eu fosse um Don, e nem eu.- ele fala, e depois passa a mão pelos cabelos novamente.- quando eu fui escolhido, Luigi se revoltou, suas ações perante o conselho foi considerada gravíssimas e eles o prenderam por um tempo. Luigi achou que eu deveria intervir por ele e quando eu não fiz, ele decretou vingança. Quando saiu do cativeiro, ele começou a cumpri suas promessas.- eu o encaro horrorizada.

Cativeiro?
Conselho?
O que é isso?

- Então a história da máfia é verdade?.- eu pergunto ainda de boca aberta para ele. Quando ele balança a cabeça, eu quase tenho um treco.- puta que pariu Antony.- sussurro agarrando meu rosto com as mãos.

Porra, ele realmente é um mafioso.

O que eu sei sobre a máfia?

Vendem drogas, armas e são perigoso. Muitos inimigos, sequestros e mortes.

Meu Deus, onde eu vim parar?

- Garota.- Antony chama quando estou com a cabeça baixa, pensando o que pode acontecer daqui pra frente.- olha para mim.- ele puxa meu queixo pra cima com o dedo pedindo minha atenção.- nem que eu tenha que desenterrar um banque, comprar um tanque de guerra, nada acontecerá com você outra vez.- ele diz olhando dentro dos meus olhos.- nem que eu tenha que matar todos que se atrever a entrar no meu caminho, eu vou proteger você.- suas palavras me atinge em cheio, e as lágrimas vem na garganta.

Ele parece sincero, e nem se eu quisesse conseguiria ficar longe dele. Não posso negar que estou completamente apaixonada por esse homem. Mas será que eu estou disposta a aceitar o risco?

O SicilianoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora