Garota é uma ova

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Mel

Eu não entendo o Antony, a gente conversa, conversa e conversa, e mesmo assim ele surta do nada.

Que estão me vigiando a gente sabe disso desde que começamos a desfilar por aí juntos. Ele é um homem que tem muitos inimigos, e consequentemente se virariam para mim.

Mas eu não vou ficar abrindo mão de fazer as minha coisas por causa disso. Escolhi ficar com ele, mesmo sabendo da bagunça que ele é, porém eu nunca disse que iria obedece-lo.

Sei que sua intenção é me proteger, mas se eu for entra em todas as suas paranóias eu não irei viver mais.

- O que houve amiga, está tudo bem?.- Nataly pergunta ao ver meu rosto quando volto para mesa depois de atender a ligação do bonito.

- Sim, tudo bem.- respondo sorrindo.

Hoje tivemos um "faxinão" aqui na escola, todos os turnos nos reunimos para fazer isso. No final, cada um enterou 20 reais, e fizemos um churrasco para almoçarmos, já que só vamos sair 17h hoje.

- Pica* o seu carro, ganhou do boy?.- Priscila pergunta, e sinto que ela queria fazer essa pergunta a muito tempo.

- Sim, ganhei do boy.- respondo sem vontade.

- É, ganhou na loteria em, agora vai se montar inteira.- ela afirma.

- Não preciso disso.- digo comendo o meu churrasco.

- Ninguém precisa até poder fazer.- continua ela, e eu resolvo que meu silêncio é o bastante para ela.

Não estou com paciência hoje. Ainda mas sabendo que irei lidar com o péssimo humor de Antony quando sair daqui.

- Mel?.- Lilica, uma estimuladora da tarde me chama, e eu me viro para encara-la.

- Oi?.- respondo olhando para a rampinha que vai pra dentro da escola, já que estamos dentro da quadra no pátio.

- A Denise está te chamando na sala dela.- ela grita, e eu enrugo a testa.

O que a diretora quer comigo?.

- Iii, será que aconteceu alguma coisa?.- Davidson pergunta com as sobrancelhas levantadas.

Os funcionários da manhã estam todos sentados juntos, assim como os outros turnos também estão. Por mais que todos nós damos bem, temos mais intimidade em equipes, e até para fofocar fica melhor assim.

- Não sei, mas acho que não.- respondo para ele, e vou até a sala da direção.

Quando entro na sala, Denise me encara meio sem graça, e eu já começo a ficar nervosa.

- Oi, queria falar comigo?.- pergunto me sentando na cadeira.

- Bom Mellany, eu não sei bem o que está acontecendo, mais eu vou precisar te dispensar.- ela diz e eu arregalo os olhos. O que?

- Como assim? Por que?.- eu pergunto incrédula, sem acreditar no que estou ouvindo.

- Eu não sei, recebi uma ligação direta do Matheus pedindo para te dispensar. indagei se você tinha feito algo, pois eu não tenho reclamações nenhuma de você, muito pelo contrário. Mas ele só pediu para mandar você ir embora.- ela diz e percebo que ela também está confusa, e eu começo a entender tudo. Isso é coisa do Antony.

- Mas ele disse se vai me exonerar, ou é só pra mim ir para casa hoje?.- pergunto tentando esconder a minha raiva* crescente e ela balança a cabeça.

- Não, só mandou que te dispensasse o mais rápido possível.- ela abre os braços como se não tivesse as respostas que eu precisava no momento.- qualquer coisa eu te informo pelo whatsapp quando eu tiver mais informações, mas por hora é só isso que eu tenho, me desculpa.- ela se desculpa toda sem graça, e eu fico com uma vontade imensa de chorar.

Ele não podia ter feito isso.

- Tudo bem.- eu escolho nem me despedir do pessoal para não ter que dá-lhe satisfação de nada.

Somente chamo Davidson já que ele está com a chave do portão, e peço para que ele abra para eu sair.

- Está tudo bem?.- ele percebe os meus olhos cheios de lágrimas, tentando o possível para não transborda. Eu só consigo balançar a cabeça, e sair pelo portão sem dizer nada.

Do lado de fora, os seguranças do bonito saltam do carro assim que me vêem.

- Podem parar aí, eu vou no meu carro.- rosno para eles.

- Mas senhorita.- um deles tenta argumentar, porém eu não escuto, destravo o carro, e me jogo para dentro dele.

Ligo o motor e dou partida furiosamente. O Antony passou de todos os limites, eu avisei diversas vezes para que ele não se intromete-se no meu trabalho, e olha o que ele fez.

Estou por um fio, e provavelmente na boca do povo lá dentro. E se eu for exonerada? Como vou me sustentar?

Não posso nem sonhar com essa possibilidade. Estou louca, furioso, exausta, e ainda de ressaca.

Eu odeio* esse controle que ele quer ter sobre tudo que eu faço. Ele já colocou um monte de brutamontes atrás de mim, e agora isso? Se meter* no meu trabalho? Não vou permitir.

Estaciono o carro cantando pneu no portão de casa, e entro como um raio pelo portão da frente.

Corro pela casa com sangue nos olhos. Encontro ele na sala, andando de um lado para o outro, e quando seus olhos batem com os meus, o vejo suspira, e relaxar a tensão dos ombros.

- Graças da Deus.- ele sussurra.

- Graças a Deus? Você está satisfeito? Eu vou perder a porra* do meu emprego por sua causa? Você está satisfeito?.- eu rosno como uma louca, e vejo ele arregalar os olhos.

- Garota.- ele tenta, mas eu não quero ouvir nada dele.

- Garota é uma ova. Eu pedi, te supliquei, implorei pra você não se meter* no meu trabalho, e o que você faz? Foi incomodar o Mateus com suas paranóia de perseguição.- eu brado o encarando e vejo seus olhos queimarem.

- Paranóia? Querer proteger a porra* do seu rabo* é paranóia?.- ele rosna de volta com raiva.

- A segurança já protege a porra* do meu rabo*, não vem da uma de maluco agora. Eu estava DENTRO DA ESCOLA, eu estava protegida lá. E A PORRA* DA SUA PROTEÇÃO ESTAVA NA PORTA DA ESCOLA.- eu berro alucinada com o ódio* subindo pela minha cabeça.

- Você não vai me dizer como proteger você.- ele rosna entre os dentes, e eu tenho o suficiente.

- EU NAO QUERO SUA PROTEÇÃO MERDA*.- eu grito balancando as minhas mãos.- se eu perder o meu emprego como vou me sustentar?.- eu olho para ele com fome de assassinato* e ele me olha do mesmo jeito.

- Eu ganho o suficiente para sustenta 5 gerações depois de você Mellany. Dinheiro não é problema.- ele cospe as palavras com desdém me deixando indignada.

- EU NÃO QUERO A PORRA* DO SEU DINHEIRO, EU SÓ QUERO A MINHA VIDA DE VOLTA.- grito perdendo a minha paciência de vez, indo em disparada para o quarto, e me tranco dentro dele.

Me jogo na cama e choro como uma tempestade de verão. Eu estou cansada, eu me sinto sufocada.

Eu sei que ele quer o meu bem, mas eu não aguento mais alguém mandando e desmandando na minha vida dessa maneira.

A onda de choro me atinge, e meu pulmão chega a doer de tanto que eu fungo e soluço. E quando não tenho mais forças para chorar, e manter os meus olhos abertos, e apago em um sono profundo.

O SicilianoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora