Eu não sou um cara bom

3 0 0
                                        

Mel

Saio de perto do Bruno sem deixar que ele diga mais nenhuma palavra, me despeço do pessoal, e saio pelo portão com o coração na garganta.

Antony está do lado de fora do carro, do outro lado da rua. Eu vou ao seu encontro e ele enruga a testa ao ver o meu semblante, provavelmente pálida.

- O que ouve garota?.- ele pergunta preocupado, segurando dos dois lados do meu rosto.- você está nervosa, o que aconteceu?.- ele repara e eu fico ainda mais inquieta.

- Vamos embora?.- eu peço agitada, morrendo* de medo* que ele veja o Bruno. Antony balança a cabeça que sim ainda preocupado, e depois levanta o olha para algo atrás de mim.

Pronto! Ele viu.

O olhar do bonito se torna frio e sanguinário, ele aperta a mandíbula e levanta o rosto para encarar predatoriamente algo do outro lado da rua.

Eu me viro lentamente para olhar pra traz, e está lá, o imbecil* do meu ex marido andando lentamente para o carro, encarando o Antony de cara feia*.

Meu Deus, eu vou ter um ataque* cardíaco.

- O que esse filho da puta* está fazendo aqui?.- Antony brada louco* de raiva*.

- Ele veio me desejar feliz aniversário.- eu falo insegura, e assustada pelo olhar que Antony está dando a ele nesse momento.

- Ele tocou em você?.- bonito rosna ficando quase azul de ódio*, e eu me tremo inteira.

- Não Antony, claro que nao.- eu respondo imediatamente, e vejo os olhos dele ficar negros* de fúria, e sua ira parece emanar de seus poros.

Ele olha para o bolo em minhas mãos, e depois olha para o Bruno mais uma vez.

Um alívio quando escuto o som do motor do carro do Bruno, e ele passa bem do nosso lado, fazendo o caminho devagar, encarando nós dois de cara fechada até virar na esquina e sumir.

- Escuta Mellany, eu vou matar* esse homem, e eu vou gostar muito de fazer isso.- ele diz arfando.

Meu sangue congela, e até o cabelo do casco da minha cabeça se arrepia.

- Antony, me escuta.- eu seguro na mão dele com uma mão só, e a outra ainda segurando o meu pedaço de bolo.- ele tem direito de tentar, de lutar por algo que ele queira muito, mas você não precisa se preocupar com isso, eu já disse a ele que não tem a menor possibilidade de voltarmos, e que eu já estou em outra, por favor, deixa ele pra lá.- eu tento de alguma forma trazer meu namorado de volta, porém o olhar frio de Antony me afirma que isso será difícil no momento.

- Eu não vou aceitar que esse homem continue indo atrás de você, isso é um desrespeito a mim.- ele quase cospe as palavras e meu coração acelera.

- Foi uma tentativa de me balançar Antony, eu sei me defender, e eu já coloquei ele em seu devido lugar. Você não pode matar* qualquer homem que tente algo comigo.- eu falo com um pouco de coragem que ainda me resta, e ele enruga a testa como se eu tivesse dito algo absurdo.

- Não posso? Você sabe quem eu sou?.- ele pergunta me encarando. Agora, toda a carga desse dia de merda* sobe a minha cabeça, e a raiva* percorre meu corpo.

- Eu sei quem você é, e eu estou pouco me fudendo* pra isso, eu não sou sua propriedade, e não vou ficar com um homem que mata* quando, e quem ele bem entende, as coisas não funcionam desse jeito Antony. Pra mim, quem mata* as pessoas por motivos fúteis não é uma pessoa boa.- eu brado respirando fundo, e com raiva* em minhas palavras.

Bonito me encara ainda mais furiosos, e eu quase perco as forças das minhas pernas. Porém mantenho a linha, e encaro ele de volta.

- Você está certa Mellany, eu não sou um cara bom.- ele rosna, e eu engulo seco.- agora você entra na porra* desse carro, e vamos embora.- ele diz entre os dentes apontando pro carro.

- Eu não vou entra.- eu bato o pé, e coloco a mão na cintura o enfrentando.

Não sei da onde eu tirei tanta ousadia, acho que é do meu medo* de entra no carro com ele nesse momento.

Antony passa a mão pelos cabelos com ódio* no pico, e fecha os olhos tentando se acalmar, porém falha terrivelmente. Ele fecha os punhos, e os olhos com força, e eu fico preocupada com essa reação.

- Mellany, entra nesse carro, ou você vai ver o que é fazer um espetáculo na frente do seu trabalho.- ele ameaça com os dentes e olhos serrados.

Olho para o lado e vejo o pessoal ainda saindo da escola, Priscila encara a cena quase quebrando o pescoço, e eu decido que realmente não quero fazer um barraco na porta do meu serviço.

Antony abre a porta do carro, e eu entro batendo o pé feito criança, e me sento cruzando os braços no peito*. Ele entra no carro e se senta do meu lado sem dizer uma palavra.

Ele nem precisa, a atmosfera dentro do carro perece queimar, ou melhor, ferver. A fúria de Antony domina todo o ar, e parece que uma nuvem negra* estacionou bem em cima de sua cabeça.

Nós vamos o caminho inteiro mudos, ele em um canto do carro, e eu do outro, sem trocar uma palavra se quer.

Olho de rabo* de olho, e vejo ele segurar forte na maçaneta do carro e quase a quebra com sua mãos. Nossa, ele está mesmo com muita raiva*.

Eu fico com um pouco de medo*, porém não vou abaixar a cabeça para ele, se eu fizer isso, estarei fazendo o mesmo que fiz no meu antigo relacionamento. Ele me manda sentar eu sento, me manda deitar eu deito, me manda rolar eu rolo. Não, nunca mais serei submissa a esse ponto.

...

Quando chegamos na porta da minha casa nova, Allan não estaciona no portão como sempre faz, e entra na garagem sem que a gente saia do carro.

Eu acho aquilo estranho, porém prefiro não dizer nada, não quero provocar ainda mais a ira do meu namorado mafioso.

Na garagem, Allan estaciona em uma das vagas, e eu não espero nem que alguém saia, e já pulo para fora do carro, e saio andando para os fundos de casa, que dá no jardim.

- Surpresa.- Meu pai, minha mãe, Mariane, Luca e Carine todos eles gritam de uma só vez.

A área de lazer está enfeitada, uma grande mesa com bolo, doces e algumas coisas em azul enfeitando o canto da parede.

Meu pai com a churrasqueira ligada, e com algumas carnes em cima dela. Eu esqueço que pedi que não tivesse surpresa, e fico muito feliz de vê-los aqui, apesar do dia de merda* que eu tive.

- Sei que você não queria comemorar, mas você é a minha única filha, e o seu nascimento é a data mais feliz da minha vida. Quando seu namorado me propôs, eu topei na hora.- minha mãe diz me abraçando, e eu a aperto forte.

- Está tudo bem mãe, estou feliz que estejam aqui.- eu falo, e vou cumprimentar todos.

O SicilianoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora