Capítulo 8: Exigências

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Dois dias depois... Residência do Visconde Stuart.

No escritório...

- temos que definir algumas coisas sobre a casa que viverão por duas semanas Rodolffo. Quais são as exigências? - perguntou Juarez.

- eu tenho algumas.

- então vamos ver se são possíveis.

- eu quero que escolha o melhor quarto e a melhor cama para a Juliette. O lugar deve ser o mais amplo e arejado.

- podemos escolher o quê foi meu e de sua mãe para vocês dois.

- não me ouviu? Eu falei que quero o melhor quarto para ela, só para ela.

- entendi.

- quero uma decoração suave e que os ardonos da cama sejam delicados. A roupa de cama seja clara. Uma penteadeira grande por que sei que as mulheres gostam dessas coisas.

- são exigências possíveis. E o seu quarto como quer?

- não faço questão de muita coisa, então a exigência é só que esteja limpo e sem pó.

- exigência possível também.

- o quê mais?

- um piano. Desejo que levem um bom piano para a casa, ela gosta de tocar, eu gosto de ouvir e se for da vontade dela, adorei apreciar ela tocando. 

- tudo bem.

- criados eficientes e discretos, não gosto de criadagem fofoqueira. Uma criada de quarto para a Juliette. Para mim dispenso.

- hum... Interessante.

- desejo que todas as cortinas da casa sejam em tons brancos ou pastéis. Sinto que ela gosta de ambientes calmos e tranquilos, precisa ter inspiração para escrever o quê tiver vontade.

- vejo que suas exigências são todas voltadas para Juliette e para ti?

- quero que monte uma pequena biblioteca. Eu gosto de ler e ela também gosta, sei que conseguirei vencer o tempo sem importuná-la.

- Rodolffo vocês estarão em uma linda casa de campo, próxima as serras, lá é tão magnífico. Está preparando tudo para ficarem sempre dentro de casa. Não pensas em chamá-la para um passeio nem que seja para ver o córrego ou algo assim? Eu e sua mãe até pescamos ali. 

- eu não estou indo a uma viagem romântica pai. Não há envolvimento. Eu só estou tentando que ela se sinta bem e confortável por que compreendo que ela não quer minha companhia e mesmo não querendo, ainda quero que meu quarto fique próximo ao dela. Se houver alguma coisa estarei por perto.

- tu poderia ter se casado com a senhorita Opper. Ela gostava tanto de ti, assim não passaria por essas coisas.

- nunca suportei a Sarah. Ela não tinha que eu admirasse. Era tão superficial e vaga. Eu sei que ela gostava muito de mim, mas não houve envolvimento de minha parte.

- não pense que te quero mal. Eu sou teu pai e estou buscando o melhor para você. A senhorita Juliette Cox é uma moça encantadora, tenho certeza que um dia ela vai te aceitar.

- eu não me importo com isso pai. Desde o princípio eu sabia que seria um marido perante a sociedade, mas não dentro de quatro paredes. Eu sei me virar.

- não ouse visitar nenhuma amante no início do seu casamento. Só deixarei um único cavalo na propriedade e com certeza não chegaria em Londres com ele.

- não vou visitar nenhuma amante. Fique tranquilo. Eu vou contemplar um pouco a solidão, isso é bom de vez enquanto e por favor, não fique me difamando por aí mais do que já fez.

- eu sei que não precisará mais de ter uma amante. Sua esposa te fará feliz.

- que ilusão. - falou balançando a cabeça.

...

Enquanto isso na propriedade no Barão Cox.

- eu quero detalhes com algumas pérolas. Eu amo pérolas.

- a senhorita ficará ainda mais bonita vestida de noiva. - falou a modista.

- com um lindo adorno na cabeça ficará a mais linda noiva já vista na Inglaterra. - disse Ruth.

- eu quero uma leve calda no meu vestido. Também quero luvas.

- mais luvas não está na moda senhorita.

- mas eu acho lindo luvas. Fui num casamento que a noiva usava luvas e eu fiquei encantada. O noivo tirando a luva para colocar a aliança. É tão emocionante.

Ruth e a modista se olharam e sorriram.

- vejo que está empolgada... - falou a modista.

- se não tenho escolhas, tento ao menos deixar tudo menos penoso.

- seu vestido ficará lindo e muito digno de uma futura viscondessa.

- mas eu sou filha de um barão. Terei o título de meu marido ou de meu pai?

- de teu marido. Seus filhos serão herdeiros de teu marido. - concluiu...

- filhos... Acho que não terei filhos. - disse vendo sua imagem refletida no espelho.

- terá sim. - falou Ruth.

- bem... Todas as medidas foram tiradas, o tecido e o desenho escolhidos e como também os detalhes, em 4 dias trago o vestido para a primeira prova.

- muito obrigada.

- na sua próxima visita traga camisolas. A senhorita irá precisar. - completou Ruth.

- tá bem. Até breve.

A modista saiu e Juliette ficou parada imóvel no chão.

- ainda vai precisar de mim Juliette?

- o quê há de errado com minhas camisolas? Tenho três que nunca nem usei.

- são camisolas de jovens e não de esposas. São lindas e podes até levar algumas, mas não são atraentes para um marido.

- mas Ruth, eu já te disse que meu futuro marido não precisa de mim... Ele tem amantes, não vai me querer.

- não seja ingênua e não negue os fatos, mesmo tendo amantes ou não, ele irá te querer. Agradeça que terá tempo de amadurecer a ideia. E não diga a ele nada daquelas coisas que eu te disse por que ele pode desconfiar de sua virtude.

- nunca direi Ruth. Prometo. Eu estou morrendo de medo dele. - ela disse se abraçando a Ruth.

- eu sei que está, mas vai passar. Tenho certeza que será em breve.

- achas que ele me pegará a força? O pai dele disse que ele é terrível.

- não acho que ele fará isso. Se fizer vai ser tão pior, principalmente pare ti aceitá-lo de novo.

- Ruth, quero que vá comigo para as terras altas. Que esteja perto quando eu me casar. Não vou conseguir sem você.

- fale com teu pai, se ele permitir, eu irei. Não para sempre, mas pelo seu período de adaptação.

- obrigada Ruth. - ela se apertou mais no abraço como uma criança assustada.

...





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