Capítulo 72: Mentiras x Verdades

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Juliette subiu ao quarto e Rodolffo foi ao seu lado e ao passar pela porta a trancou.

Ela começou por querer se livrar do vestido que usava e jamais conseguiria sozinha.

- eu te ajudo. Só um momento. - Rodolffo falou tentando quebrar o silêncio.

Retirou as fitas e por fim abriu o fecho que mantinha o vestido grudado ao corpo de sua esposa.

Ela retirou o vestido e o colocou numa cadeira. Enquanto ficou só de camisola que logo foi coberta por um roupão de fino tecido.

- Quer que eu te ajude a desmontar o cabelo?

- humrum... - respondeu Juliette.

Ele tirou cada parte daquele penteado que parecia ser simples, mas ao ver quantos grampos tinham na cabeça de Juliette, concluiu que era por demais elaborado.

- agora sim, pode descansar. - disse quando finalmente o cabelo estava totalmente solto.

- não há descanso no mundo que faça eu deixar de me sentir cansada. - ela disse com lágrimas nos olhos.

- não diga isso Juliette.

- estou cansada de suas mentiras. Cansada das humilhações que passo com tuas amantes. Será que eu mereço isso?

- eu não tenho como controlar tudo, por mais que eu tente amor...

- pare de me chamar de amor... Nem sei se acredito que me ama de verdade. - ela disse já chorando.

- fala essas coisas por que está tomada por raiva e eu entendo, mas eu sei que me ama, assim como sei dos meus sentimentos por você.

- tinha tantas opções... Tantas Rodolffo... Não é raro ver mulheres desconcertadas quando tu passa por elas. A vergonha é tão pouca que elas se abanam... Viúvas enlouquecidas de amor por ti é o quê mais tenho visto. Poderia ter escolhido qualquer dama para casar... Por que aceitou casar comigo? Eu sempre fui uma moça simples e pacata. Achou que comigo seria mais fácil, não é? - ela disse com muita raiva.

- mais fácil? Tem certeza que é mesmo a mais fácil delas? Eu te respondo... De todas foi a mais difícil. Eu vi mulheres se renderem por mim por anos Juliette e quando eu pus os olhos em ti, nem me olhou. Foi ríspida e agressiva comigo e me implorou para que eu não quisesse me casar com você. Ainda se lembra disso?

- claro que lembro.

- me odiava não era? Eu sei que sim e acredite, foste a primeira que vi isso nos olhos. Tu não me quis um pouquinho sequer e aquilo doeu, mas ao mesmo tempo que doeu, encantou... Me prendeu igual animal quando cai numa armadilha fatal e sabe que chegou a sua hora. Quando te vi tão graciosa, eu entendi que havia chegado a minha hora.

- talvez simplesmente se enganou. Por que eu toco piano e gosta de ouvir.

- isso é um fator importante, mas não é primordial. Juliette eu poderia ter dito a meu pai que não me casaria contigo. Qual fosse o acordo deles, eu teria manipulado meu pai, até que ele dissesse que não iriamos casar. Eu sempre manipulei e chantagiei meu pai.

- e ainda tem coragem de confessar? - ela disse ainda muito brava.

- claro que tenho. Não é um segredo. Sempre fiz de tudo para que meu pai fizesse o quê eu queria e acredite se eu quisesse ter casado com qualquer outra mulher dessa Inglaterra, eu teria casado, fosse ela Emma, Esther... Qualquer uma. Eu o manipularia e ele calaria a boca de quem fosse para me fazer feliz. Meu pai sempre fez de tudo por nós e quando eu digo tudo, é tudo mesmo.

- então se tivesse feito uma chantagem qualquer não estaríamos casados?

- exatamente. Sabe quantos casamentos já rejeitei? Minha última conta parou no 12. Foste a décima terceira noiva que meu pai arrumou para mim?

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