Capítulo 21: A preocupação

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Rodolffo saiu do quarto de Juliette, foi até um criado e entregou a bandeja. Ele estava abalado e triste. Sua relação com Juliette havia retrocedido e isso deixou seu coração muito triste.

Depois foi até o escritório e tentou ler alguma coisa para distrair a sua mente, mas nada conseguia tirar de si que a mulher que era sua esposa e que ele amava acreditava mais eu uma criada do que nele. Quem seria a mulher que ao ser tomada por ele daquela forma e ainda mais sendo sua esposa julgaria que ele iria querer anular o casamento?

Juliette foi a única mulher que nunca esteve em seus pés. Ela era única. As demais dariam a vida para estarem em seus braços ou até mesmo em sua cama. Sua prometida na infância era loucamente apaixonada por ele. Sarah o olhava com uma devoção que Rodolffo julgava enfadonha, mas foi por muito pouco que ele não casou com ela. Para se livrar do compromisso, ele fugiu de casa no dia de oficializar o noivado e isso foi considerada uma desonra tremenda, o quê fez o pai de Sarah o chamar de patife. Juarez quase morreu de desgosto, mas Rodolffo não tinha se casar com aquela mulher, não sentia nada por ela.

E assim ele tapeou seu pai até enquanto pôde. Inventava mentiras e ficava alcoolizado. Todos sabiam que ele era impossível. Mas quando seu pai lhe falou da jovem baronesa algo nele despertou, porém ele ainda continuou fazendo a mesma coisa, se enchendo de bebida antes de ir encontrá-la, mas dessa vez seu pai estava inflexível, não desistiria de casá-lo. E casou. Mas talvez as coisas não fossem como seu pai lhe disse. Seria normal se não desse certo e se ela não o aceitasse. Ela casou-se obrigada e aquilo era terrível para qualquer pessoa.

Rodolffo deixou seu escritório e resolveu sair de casa.

- o senhor irá sair a pé? - perguntou o criado que cuidava da entrada e da saída das pessoas.

- sim... Preciso caminhar.

- mas não tardará e cairá um temporal senhor.

- não importa. Talvez eu precise de um banho de chuva.

- senhor... Nessa época já está muito frio. O senhor correrá riscos.

- estou indo.

Rodolffo saiu sem destino e sua mente só precisava de paz.

...

Ao ouvir o barulho dos trovões e o tempo fechar, Juliette resolveu descer do seu quarto e ir tentar acertar as coisas com seu marido. O procurou em vários lugares mas não o achou.

- sabe de meu marido? - perguntou ao criado.

- saiu senhora. Tem uma hora de relógio que ele decidiu deixar a casa e foi ao campo a pé.

- a pé?... mas o mundo vai desabar. Onde ele pode estar? - ela disse preocupada.

- não tenho ideia senhora.

- por Deus.  Se ele tomar essa chuva vai ficar doente.

- eu o alertei e ele disse não se importar.

- ah como Rodolffo é cabeça dura.

Ela não subiu mais ao quarto e viu que a situação do lado de fora da casa era tensa. Muita chuva e ainda com bastante vento.

Juliette começou a orar a Deus por seu marido.

- não sei o quê pode acontecer com ele por aí Ruth. Acho que ele pode até morrer nesse temporal.

- fique calma. Isso não vai acontecer. Deveria estar preocupada com sua saúde. Se sente melhor?

- estou bem Ruth. Só estava quente por que não tenho costume de levar sol. Acho que não era febre.

Ao pé do ouvido Ruth lhe perguntou.

- e suas regras, chegaram?

- ainda não. Acho que minhas cólicas tinham outro motivo. Talvez seja a falta de costume de andar a cavalo e isso abalou minha coluna.

- pois bem.

- Ruth... Estou ficando desesperada. Será que Rodolffo não vai voltar? Ele está a pé.

- meu Deus esse homem é tão problemático. Ôh Juliette... me desculpe por não ter te ajudado a fugir dele. Não mereces um marido desse.

- Ruth... Eu não quero que fale assim de meu marido... Estou aqui desesperada de preocupação com ele e vem me falar absurdos.

- agora eu falo absurdos.

- sim. Tenho certeza que ele saiu de casa por que o magoei. E se fiz isso foi por teus conselhos e achismos sem fundamento.

- está tão mudada Juliette. Não te reconheço mais.

- eu só estou tentando dá sentido a minha vida a partir de agora. E também estou tentando entender o quê sinto por ele de verdade.

- pensei que já soubesse... Parece tão convicta.

- Ruth... Não conheço nada sobre os sentimentos de fato, só tenho conhecimentos mínimos de forma teórica com base nos livros que li e nas histórias que me contou. Mas na verdade nunca vivi nada igual.

- se ele morrer hoje?

- por Deus Ruth.

- o quê faria?

- além de lamentar por sua morte... Eu lamentaria muito por nunca ter lhe dito que já o amo.

Ruth ficou séria e Juliette continuou a falar.

- sei que o julga mal, mas ele não é mal comigo. Muito pelo contrário, ele é bom e afetuoso. Nunca fui tratada dessa forma por ninguém.

Ruth fez um gesto para que Juliette parasse. E instintivamente a jovem se virou para ver o quê fazia aquela senhora olhar tão séria para a porta.

...

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