Rodolffo bateu na porta por três vezes consecutivas e chamou Juliette, mas ela não respondeu. Então, ele abriu a porta do quarto.
Sua esposa não respondeu por que dormia profundamente. Seu corpo estava coberto com um lençol e sua bochechas estavam muito coradas.
Rodolffo resolveu tocar sua face e percebeu o quanto ela estava quente, Juliette tinha febre. Ele resolveu chamá-la.
- Juliette... Acorde.
Ela abriu os olhos com uma certa dificuldade.
- oi...
- está doente?
- estou com sono e tenho frio.
- sua testa está muito quente.
- devo estar com febre.
- é o quê suspeito. Desculpa por ter te levado lá. Não deveria ter feito o quê fiz... Fui inconsequente.
- eu gostei do passeio e da pescaria. Foi divertido. Não deveria me pedir desculpas.
- mas ficou doente.
- eu vou dormir. Já já fico boa.
- tem que comer alguma coisa. Ruth trará daqui a pouco para nós.
- mas eu não tenho fome. Já comi de manhã.
- não tem isso de estar sem fome. Tem que se fortificar. Sem comer, vai ficar muito fraca e já está doente.
- tá bom.
Rodolffo sentiu Juliette distante. Poderia ser a doença, mas ela o respondia sem lhe olhar nos olhos e foi assim até o final da refeição que fizeram juntos no quarto.
- agora ficará melhor. Já está até mais fria. - ele falou tocando em sua testa.
- só preciso ficar quieta. As cólicas vão diminuir. - ela falou isso e tampou a boca por que havia falado demais.
- tem cólicas?
- esqueça isso. - ela falou querendo cortar o assunto.
- não... Pode me contar sobre isso. Pode falar comigo sobre tudo.
- não passo falar contigo sobre tudo. Há coisas que homens não devem saber.
- ah Juliette, não sou qualquer homem. Será que nunca vai entender isso? Sou o teu marido.
- talvez não seja por tanto tempo...
- como?
- Rodolffo, tem vontade de pedir a anulação de nosso casamento?
- anulação? Não! Não tenho essa intenção.
- se tiver, não fique com vergonha de dizer. Não precisa se martirizar mais. É só dizer que não demos certo como casal. - disse triste.
- hoje é o nosso segundo dia de casados e já acha que não demos certo? Não posso ao menos ter esperanças? Juliette eu vi que me aceitou lá no rio mesmo que ainda tenha medo. Seu corpo respondeu aos meus carinhos. Não me diga que estou ficando doido.
- Rodolffo... - ela tentou falar mais ele a interrompeu.
- espere... Eu ainda não terminei. Me diga se quer que eu faça isso? Se tiver essa vontade, te entrego de volta a teu pai. Não vou te obrigar a ficar comigo.
- eu não quero ir embora.
- e por que me faz esse tipo de pergunta? Juliette não te entendo.
- a Ruth me falou que talvez tu esteja planejando fazer isso.
- já entendi que Ruth me julga muito mal. Mas pensei que estávamos mais estáveis e que confiava em mim ao ponto de não dá ouvidos a todas as coisas que sua criada lhe diz. Mas estava errado. Não consegue confiar em mim.
- não é isso. Eu não disse isso. - ela tentou justificar.
- mas eu entendi assim. Não tem confiança em mim. Eu sei que tenho um passado que me condena, mas estou tentando que tenhamos uma vida tranquila e de paz, porém com Ruth aqui não veja essa possibilidade.
- Rodolffo, Ruth só pensa no melhor para mim. Ela não disse isso por maldade.
- como ela põe uma ideia dessas em sua cabeça? Com base no que essa mulher inventa isso? E por que você não acredita quando digo que gosto de ti? Juliette não vou pedir anulação de casamento. Também não desejo ficar viúvo. Eu quero estar contigo até meus últimos dias, mas acho que nunca vai acreditar em mim.
- me perdoe. - ela pediu. - eu não devia ter te perguntado isso.
- devia... Por que foi sincera comigo. E ser sincero é sempre bom. Eu hoje pago o alto preço de por muito tempo ter sido um grande mentiroso. Agora vou te deixar só. Descanse.
Ele terminou aquelas palavras, recolheu a bandeja e saiu do quarto. Juliette ficou olhando os movimentos dele e uma tristeza tomou seu coração. Ela o magoou com aquelas palavras. Ruth não sabia de nada e ouvir suas opiniões podia arruinar seu casamento que mal havia começado.
...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Fica comigo
FanfictionUma união arranjada. Um homem poderoso e uma jovem sem escolhas, pressionada pela família. Será possível que o amor vença em meio as adversidades?
