Capítulo 100: Elos de amor

445 51 71
                                        

Três meses depois...

Era uma madrugada da última semana de outubro de 1813, quando Juliette começou a sentir as primeiras dores, ela sabia que era a hora de enfrentar mais um parto.

Seu coração não era ansioso, estava tranquilo. Ela sabia por todos os momentos que passaria e entendia que teria tempo... Ainda muito tempo.

Em silêncio ela esperou o dia nascer e quando seu marido despertou, logo percebeu que algo estava havendo com Juliette.

- princesa está tudo bem?

Juliette optou por não fazer rodeios.

- estou com dores de ganhar bebê. Hoje nosso segundo filho nascerá.

- meu Deus. - ele disse levando as mãos aos cabelos.

Rodolffo tinha o semblante de pura preocupação.

- calma meu amor. Está tudo bem.

- amor... A parteira está aqui, será que conseguirá apenas com ela?

- sua mãe me falou que gostaria de estar comigo e eu quero que vá buscá-la. Eu me sentirei mais segura.

- mas minha mãe está toda boba paparicando o bebê da Bella. Ela ama o novo neto.

- eu sei que sim, mas ela disse que eu poderia contar com ela. Então quero que vá pegá-la. Pode ir?

- eu vou. Mas tenho medo de que fique só.

- estarei com Ruth e com a parteira. Meu pai cuida do George. Fique tranquilo.

Juliette queria que Rodolffo se mantivesse ocupado nesse parto, para evitar que ele ficasse muito nervoso.

- eu não demoro. Prometo. - ele falou dando um beijo estalado em sua esposa.

Ele se levantou e se arrumou, saindo de casa em seguida.

Juliette viu pela janela o marido sair em disparada em seu cavalo.

- meu amor, que Deus te proteja.

...

Quando Rodolffo retornou, trouxe sua mãe e também seu pai.

- mãe... Dê apoio a minha princesa, por favor. - ele falou com um olhar aflito.

- fique calmo. Ela ficará bem. Espere com paciência. - disse a viscondessa.

- calma Rodolffo. Estamos todos aqui e sua mãe vai cuidar dela. - o aconselhou o visconde. - agora vamos brincar com George.

- vamos.

...

Os homens da casa estavam na sala. Lourival e Juarez estavam tão distraídos com George que nem perceberam que Rodolffo subiu as escadas rumo ao quarto.

Ele ficou ali a observar a porta por mais de uma hora. Estava imóvel e atento. Não queria entrar, estava cumprindo o quê Juliette lhe pediu, mas estava ouvindo. Seu coração estava ansioso e aflito.

Seus ouvidos ouviam atentamente os gemidos baixos de Juliette e ele só tinha uma única coisa em mente: "me perdoe meu amor, me perdoe". Mesmo que parecesse sem sentido se sentir assim, ele se sentia e por mais que lutasse contra, não tinha como evitar.

...

No quarto Juliette sofria a dor do parto e tentava ser forte, mas nada estava sendo como foi no parto de George. Ela queria que Rodolffo estivesse ao seu lado, mas ela mesmo o pediu para que ele ficasse longe.

- querida, está bem perto. - falou a parteira.

- daqui a pouco, estará com seu bebê no colo. - lhe afagou a viscondessa. - dói, mas depois vem o melhor presente.

- eu queria que Rodolffo estivesse aqui. - Juliette falou entre um suspiro e outro.

...

Rodolffo ouviu tudo do outro lado da porta. Num rompante ele entrou no quarto.

Juliette, a parteira e Vera ficaram assustadas com a invasão.

- meu filho, desça. Vá ficar com seu pai. - pediu a viscondessa.

- não vou a nenhum lugar. Vou ficar com minha esposa.

- pelo o amor de Deus... O senhor deve sair. Não é bom que veja sua mulher dessa forma. - alegou a parteira.

- eu não ia ver, desta vez, por que Juliette havia me pedido, mas saiba que eu ajudei no parto do nosso primeiro filho.

A parteira arregalou os olhos e a boca, com uma expressão de choque.

- se não se incomodar senhora, quero ficar com minha esposa a sós.

- como? - a parteira perguntou incrédula.

- isso mesmo que falei. Minha mãe a acompanhe e nós deixe sozinhos. 

- Rodolffo por Deus... - abanou a cabeça Vera.

- quando precisar, eu chamo vocês. - ele disse de forma firme.

As mulheres saíram e Rodolffo foi até Juliette ver a quanto andava o parto.

- amor... Está nascendo. Já se vê os cabelos negros como o de George.

Juliette estava emocionada.

- calma princesa. Calma... Não chore. Quando a dor vinher, vamos fazer força.

- obrigada por estar aqui comigo.

- eu sempre estarei aqui para ti. Para sempre.

Juliette teve contrações intensas e em menos de uma hora Rodolffo segurou a pequena criança nos braços. Ele tinha os olhos inundados por lágrimas quando a entregou nos braços de Juliette.

- meu amor... Nossa princesinha. - ela disse cheirando a pequena que chorava.

- é uma menina. - ele disse emocionado. - minha princesa me deu uma princesinha.

Juliette achava que poderia morrer de amor e aqueceu sua pequena menina no calor de seus braços.

Era um momento único para o casal e para sua família. Juliette sabia que ali estava mais uma prova do quão grande era o seu amor por seu marido e o dele por ela. Ele sempre estaria com ela, em todos os momentos.

...

E esteve. Rodolffo foi um marido presente em todos os quatro partos de Juliette. Juntos eles tiveram George e três meninas. Eles formaram uma família feliz juntos e naquela propriedade que Juliette tanto amava, seus filhos foram crianças que curtiram a infância em sua plenitude.

...

George contraiu matrimônio com sua prima Victoria aos 19 anos.

- eles são tão lindos juntos. - Juliette disse ao ver o casal trocar as alianças. - que Deus os abençoe.

- George a ama muito. - Rodolffo olhou apaixonado para a esposa.

- ele tem a quem puxar. - Juliette acariciou o rosto do marido que apesar da idade ainda era muito bonito.

- te amo meu amor. - ele disse ao olhar para Juliette.

- eu te amo muito mais. - ela disse num olhar cúmplice ao marido.

...

Felizes, unidos e cúmplices. O destino os uniu até os últimos dias de suas vidas. Envelheceram juntos e continuaram a se doar um ao outro até o fim.

...

Fim.

Fica comigo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora