Capítulo 62: Des(entendidos)

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Rodolffo ainda olhava fascinado para Juliette, quando ela o chamou.

- sente-se aqui comigo. - ela pediu.

Rodolffo sentou atrás dela e ela apoiou as costas no seu peito enquanto ele passava os braços por sua cintura e pousava as mãos em sua barriga.

- estava tão saudosa desse cheiro. Eu amo o campo meu marido.

- mas não devia ter saído sozinha. Eu tive tanto medo.

- tu acha que eu iria aonde Rodolffo? Me diga? - ela virou a cabeça para olhá-lo.

- não sei. - ele disse triste.

- claro que sabe... Só não quer dizer. - ela voltou a olhar para a água a correr. -  Acaso tem medo que eu vá embora? Não vou Rodolffo. Não existe lugar para mim que não aqui... Na nossa casa e do teu lado.

Rodolffo deu um abraço apertado em Juliette.

- eu não te mereço, mas te amo como nunca amei nada nessa vida. Para ser sincero, acho que não conhecia o amor antes de sentir por você.

- e se nunca amou... Como sabe que me ama?

- minha mãe sempre foi uma mulher sábia e falava muito do amor para mim. Ela me disse que era algo incondicional e também incontrolável. Que no dia que eu sentisse, com certeza eu saberia. Ela definiu como encanto e até como prisão. E eu me sinto preso a ti e desde do dia que meus olhos cruzaram os seus, sou completamente encantado por ti.

- não acredito que gostou de mim naquele dia...

- por que não?

- sei lá... Eu estava estranha e estava morrendo de ódio de você e do seu pai. 

- estava morrendo de ódio de mim e eu de encanto por você.

- costumava sempre bater palmas quando uma dama tocava piano? - ela disse sorridente.

- nunca fiz nada similar. E o pior é que não pensei, só fiz. Foi realmente incontrolável.

- mas tu só queria um casamento de aparências comigo...

- eu estava apenas me enganando. Fugindo da vontade de tê-la para mim. - ele deu um beijo no ombro de Juliette e outro no pescoço.

- não faça isso. - ela pediu com a voz baixa.

- estou com saudades meu amor.

- também estou... Com muita saudade.

Juliette se virou para Rodolffo e o beijou com desejo. Ele que pôs fim naquele ato carinhoso.

- não podemos nem beijar mais? - ela falou triste.

- claro que podemos. Nos beijamos todos os dias princesa.

- não é desses beijos que eu preciso. Quero mais. - ela disse quase se levantando.

- ei... Não se levante assim.

- eu sou uma mulher Rodolffo... Não sou uma boneca. Estou cansada de seus cuidados excessivos e estou exausta dessa super proteção. Me deixe. - ela falou levantando.

- não estou fazendo para o seu mal. Eu só desejo que fique bem e que nosso bebê também tenha saúde.

- me sinto triste, frustrada e presa. Não me deixa fazer nada... Nem te beijar eu posso mais, que tu fica se livrando de mim. Antes me amava todos os dias e nunca foi frio dessa maneira. O quê tem?

- eu não sou frio Juliette. Não me acuse de coisas irreais. Eu só vivo para você.

- foi a Londres com teu pai e voltou todo feliz de lá... Qual o motivo?

- nem pense nisso. Juliette... Só fiquei feliz pelos negócios.

- não sei. Pode muito bem ter ido ficar com alguma amante.

- eu não tenho amantes. E quem dos dois colocou essa ideia em sua cabeça?

- dos dois?

- seu pai ou Ruth?

- ninguém me falou nada.

- estou pensando seriamente em comprar uma propriedade para seu pai. E despachar Ruth junto, já não consigo viver bem com eles o tempo todo fazendo coisas imbecis e principalmente a fazer sua cabeça contra mim.

- me acha manipulada por meu pai e Ruth? E tu seria o dominado pelo papai? - ela disse com um tom irônico.

- está mesmo com tanto desgosto de mim? Só pode estar para falar dessa forma.

- não admito que cogite a ideia de me enganar. - ela disse lhe apontando o dedo indicador.

- está com ciúmes de quê exatamente?

- não estou com ciúmes. - ela disse já lhe dando as costas e saindo.

Ele permitiu que ela caminhasse um pouco, mas a alcançou logo depois e a abraçou por trás novamente.

- o quê te incomoda? Me diga.

- não pode nem me beijar. Estou magoada.

- sem motivos. Sabe que eu sou louco por ti e não me acuse por coisas que não fiz. Meu pai e eu não fomos a Londres para vadiar. Ficamos apenas o tempo necessário lá e voltamos exaustos, mas recompensados. Eu te contei tudo.

- por que não podes me tocar? - ela falou se virando. - estou bem e não tenho tudo nada anormal.

- acho que entendo seu pouco humor e sua rebeldia princesa.

- estou grávida... É isso que a Ruth diz com relação a meu humor. 

- e carente... Querendo relaxar, não é mesmo?

- sim. - ela respondeu a plenos pulmões e Rodolffo sorriu.

- acho que posso te ajudar. Sem esforços.

- só quero se você estiver comigo... E for do jeito que gostamos.

- Juliette... Sabemos que não é possível. É esforço demais. Posso te fazer relaxar calmante.

- amor... Te quero inteiro. Eu prometo...

- não prometa o quê sabe que é impossível cumprir. Mas se aceitar, sabe que ficará bem e sem riscos.

- desculpa. - ela colocou a cabeça no seu peito e chorou.

- não fique assim... Está tudo bem princesa.

Juliette se acalmou um pouco e Rodolffo sugeriu.

- já que estamos aqui... Que tal irmos até a ponte? A construção está a todo vapor.

- é bom. - ela disse enquanto ele enxugava suas lágrimas.

- então vamos.

Eles seguiram de mãos dadas até o local da construção e abraçados contemplaram o quê era um grande sonho de Rodolffo desde que chegou naquela propriedade.

- quando o bebê nascer, não estaremos mais ilhados.

- se Deus quiser. - ela completou e recebeu um beijo afetuoso na face.

...

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