Juliette e Rodolffo tomaram café no quarto e depois se arrumaram para ir ver a cheia do rio.
Eles saíram de casa de mãos dadas e Rodolffo pediu que selassem seu cavalo.
- tem certeza que aguenta ir de cavalo? - ele perguntou de forma íntima no ouvido da esposa.
- tenho certeza. - ela disse sorridente e ao lembrar do que viveu na noite passada, acabou mordendo o lábio inferior.
- não faça isso.
- isso o quê? - ela olhou para ele.
- o quê acabou de fazer...
- por quê?
- por que tenho vontade de te trancar naquele quarto e passar contigo uma semana inteira sem sair para nada. Seria uma prisioneira em meus braços.
Juliette olhou para ele e riu.
- você deveria ter medo e não ficar sorridente assim.
- tu não faria isso comigo. Eu sei que não.
- e se eu fizesse? Iria gritar ou pedir socorro? - ele disse num tom brincalhão.
- claro que não. - ela disse lhe fitando.
- bom saber. - ele deu um beijo terno em sua cabeça.
- senhor o cavalo está pronto. - gritou o criado.
Eles desceram e Rodolffo foi receber as rédeas do cavalo e logo depois ajudou Juliette a subir nele. Por último subiu ele.
...
Chegaram no rio e ele realmente estava bastante cheio e violento.
- Juliette... Agora compreendo por que três pontes aqui construídas foram embora. É muito forte. Não tem como passar de nenhuma forma. - ele disse preocupado. - assim que a água baixar tenho que buscar mais mantimentos para cá.
- isso te preocupa?
- no princípio achei que não, mas agora estou bastante preocupado. E se um dia tivermos uma emergência... Estaremos presos aqui. E não há nada de civilização acima. Estamos numa região serrana Juliette.
- eu sei. Mas podemos ficar aqui... Eu também morava em lugar deserto e vivi lá durante meus 22 anos.
- vamos sentar um pouco Juliette. Quero que me conte algumas coisas.
Juliette e ele sentaram-se e ela ficou entre suas pernas e ele colocou a mão sobre seu ventre.
- quando foi o teu nascimento... Sua mãe teve parteira?
- não... Minha mãe começou a sentir as dores antes do anoitecer, mas achou que não era nada demais. Ruth me falou que ela no início achou que estava com algum problema no intestino e não mandou chamar ninguém. Ela passou uma noite inteira sofrendo e eu só nasci de manhã. Assim que finalmente me teve, ela desmaiou e nunca mais acordou. Ela fez muito esforço, acreditam que seu coração não suportou.
- por Deus. Se tivesse tido ajuda ela teria sobrevivido. Ruth fez o parto dela?
- sim... Ruth na época estava com um bebê pequeno e já era mãe de outros dois. Ela sabia como dá a luz, mas minha mãe não foi forte o suficiente e partiu.
- não tem medo de ficar grávida?
- tu acha que pode acontecer comigo o mesmo que aconteceu com minha mãe?
- não sei. Mas tenho muito medo de partos. Não te contei, mas minha mãe deu a luz a oito crianças.
- oito? Mas só conheço vocês três. Cadê seus irmãos? - ela disse surpresa.
- eu fui o primeiro filho, graças a Deus estou aqui. Depois de mim, acho que um ano depois, ela teve um parto prematuro e o meu irmão morreu. Depois de uns dois anos, veio o terceiro filho de meus pais, esse viveu por dois meses, mas pegou uma doença e partiu. Mais um tempo a frente, veio a primeira filha mulher deles, mas também não viveu muito, morreu engasgada com o leite materno. Depois veio Izabella que me ensinou o quê é ser o irmão mais velho de verdade, essa sempre teve boa saúde. Depois dela mais outra menina que nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço e não resistiu. A sétima é Isabel que graças a Deus sobreviveu bem e tem boa saúde. Por último, veio um menino esse viveu conosco até os 8 anos, Josué era o nosso caçula.
- o quê houve com Josué?
- infelizmente foi uma fatalidade... Estava brincando conosco e deu uma cambalhota, ele era bem arteiro, e isso lhe ceifou a vida. Ele quebrou o pescoço.
- meu Deus Rodolffo. Que história terrível.
- é. Minha mãe depois disso se cuida com meu pai para não gerar mais filhos. Apesar que ela agora tem 53 anos, creio que não tenha mais tanto perigo de vir um novo herdeiro.
- ela te teve tão jovem.
- sim... Casou aos 18 e me teve com 19 anos.
- eu já tenho 22 e tu 34 anos. Não acha que já estamos velhos?
- não me acho velho Juliette... Que isso? - ele disse rindo. - só sou um jovem experiente.
- hum... Jovem experiente.
- é.
- e lindo também.
- quer dizer que me acha lindo?
- acho. - ela disse se deitando mais sobre o peito do marido.
- você está tão tentadora hoje. Vamos para casa?
- vamos.
Antes de se levantar, ele deu um beijo apaixonado e cheio de intensões em sua esposa.
- estou em dívida contigo. Preciso acertar isso.
- como assim? - ela perguntou enquanto ele a ajudava a estar de pé.
- quero que sinta o quê eu senti ontem estando contigo. Eu sei que não consegui esse feito ontem. Mas hoje eu quero me redimir.
- fale de forma mais simples. Me explique. Não estou entendendo do que exatamente está falando.
- quero te fazer sentir prazer. Quero que se entregue sem medo e prometo que dessa vez não haverá dor, só satisfação. Vai gostar.
- então vamos. - ela segurou sua mão firme e seguiram para subir no cavalo e retornarem a casa.
...
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Fica comigo
FanfictionUma união arranjada. Um homem poderoso e uma jovem sem escolhas, pressionada pela família. Será possível que o amor vença em meio as adversidades?
