Capítulo 58: Uma intercorrência

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Alguns dias depois...

Izabella veio visitar Juliette e juntas empreenderam a tarefa de confeccionar e bordar roupinhas bebê.

- essa mantinha é tão linda, não acha Juliette?

- sim... E é amarela, dá para usar em menino ou menina. - concluiu animada Juliette.

- tu já está de quanto tempo mesmo cunhada?

- estou bem próxima dos quatro meses.

- ainda não tem barriga.

- só um pouquinho que Rodolffo adora beijar. Ele gosta de conversar com o bebê. Ele o chama de milagre.

- ah que fofo. Nunca imaginei que meu irmão fosse se tornar assim.

- e como vão as coisas com Alfonso?

- bem... Estamos indo bem. Ele me trata como princesa e eu gosto dos carinhos dele. Estamos descobrindo juntos o nosso modo de ser família.

- fico muito feliz por ti minha querida. Merece muito viver bem ao lado do seu esposo. Graças a Deus, ultimamente seu irmão e eu vivemos em paz e a doce espera de nosso pequeno bebê. Já temos um ano de casados e muitos passos já foram dados para solidificar nossa relação.

As cunhadas passaram quase o dia todo a colocar os papos em dias e a bordar as coisas que dariam tempo de fazer naquele dia. Juliette por vezes fazia umas caretas e Izabella ficou a observar aqueles gestos, principalmente por que sua cunhada levava sempre a mão a barriga.

- Juliette está bem?

- sim... Estou.

- e por que não parece?

- não sei Bella. Hoje amanheci me sentindo um pouco estranha. Não me pergunte por que... Pedi a Rodolffo para se cuidar quando ele saiu, mas ele já voltou e está bem, porém eu continuo com um aperto no peito.

- mas o quê tem na barriga? Está sentindo algo?

- tem três dias que venho sentindo umas cólicas leves no pé da barriga, mas Ruth diz que é normal. É o bebê crescendo.

- será? Não acha melhor ir ao médico? Meu irmão pode ir buscá-lo.

- não Bella. Não há motivos para preocupações.

Ao fim do dia Izabella partiu para casa com seu marido que veio buscá-la.

Juliette resolveu que não queria jantar naquela noite e Rodolffo ficou preocupado e subiu até o quarto para falar com sua esposa.

Ao chegar no ambiente, a encontrou deitada na cama

- o quê tem amor? - ele perguntou preocupado. - passou o dia todo trancada aqui com a Izabella e agora não quer comer...

- só estou cansada.

- não é só isso. Vi que esteve chorando. Por que Juliette? Brigou com minha irmã e está magoada?

- não. Eu não briguei com sua irmã. Ela é a irmã que eu não tive. Sabe muito bem disso.

- e o quê é?

- senta aqui. - ela bateu com a mão na cama.

- estamos só nós dois aqui. - ele disse se sentando e em seguida tocando com o polegar a bochecha de Juliette. - pode se abrir comigo. O quê tem?

Juliette segurou a mão do marido e olhou no fundo dos seus olhos.

- estou com dor e também estou sangrando.

Rodolffo ficou de olhos arregalados e lhe perguntou preocupado.

- desde quando se sente assim?

- eu já tinha lhe dito das dores que estava sentindo, mas hoje estão mais fortes e constantes. O sangramento só começou agora a tarde depois que sua irmã se foi.

- isso é grave meu amor. Vou chamar a Ruth para ficar contigo e não vai se levantar dessa cama, isso é uma ordem. Eu vou atrás de um médico.

- mas já é noite.

- não importa. É sua saúde e a de nosso pequeno que está em risco, não podemos esperar.

- é perigoso andar nessas estradas a noite.

- seu pai vai comigo, não vou sozinho.

- meu pai não vai querer ir.

- ele vai... Ah vai. Prometa que vai ficar quieta.

- vou ficar.

- te amo muito meu amor. Vai ficar tudo bem. - e lhe deu um beijo na testa, em seguida deixou um beijo carinhoso em sua barriga. - meu bebê,  vai ficar bem, papai te ama e volta logo.

...

Rodolffo saiu apressado do quarto e avistou Ruth servindo algo a Lourival. 

- Ruth, suba. Vá ficar com Juliette. E o senhor Lourival levanta-se já daí.

- e para onde vamos?

- Juliette está vivendo um momento delicado e precisa de um médico, temos que ir buscar um.

- mas essa hora? Ela pode esperar para amanhã. - disse displicente levando uma colher de sopa a boca.

- Lourival, sua filha está sentindo dor. - e deu um murro na mesa, deixando o velho de boca aberta. - se não formos rápidos meu filho vai se perder.

Ruth estava a observar a cena.

- vá ficar com Juliette Ruth. Não é estátua nessa casa para estar aí de enfeite. - ele disse alterado.

- já vou senhor. - e subiu correndo as escadas.

- está pronto? Vamos a cavalo.

- mas e a sua cabeça? Não anda a cavalo a tempos.

- não posso ir de carruagem, de cavalo vamos mais rápido. Vamos. - obrigou literalmente Lourival a segui-lo.

Nos dois cavalos mais velozes disponíveis, eles saíram a cavalgar na noite escura. E Ruth ficou a cuidar de Juliette que agora sentia dores mais constantes.

- Ruth... Me diga que não vou perder meu bebê. - ela falava em meio a lágrimas e a acariciar o ventre.

- fique calma. Daqui a pouco seu marido chegará com um médico. Vamos rezar.

- vamos.

...









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