Capítulo 63: O poder do segredo

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Juliette e o marido voltaram para casa, e ela subiu imediatamente a seu quarto. Esses últimos dois meses tem sido bastante tensos e era muita pressão em cima dela.

Ela sentia que até seu bebê ficava quietinho quando ela estava triste. Os meses anteriores tinham sido bons e ela sentia falta de coisas que tinha antes e hoje não podia ter. Juliette não queria abrir mão do carinho do marido, mas ele temia tudo.

O ciúmes abatia o seu coração com uma força bruta e mesmo sem ter motivos reais, ela não conseguia se libertar. Os hábitos de seu marido eram sempre os mesmos e aparentemente ele nem tinha espaço para um encontro, pois mal saia de casa. Mas o estado de espírito que ele chegou de Londres a incomodou.

Rodolffo não era um homem tão ligados a negócios, por que ele estaria tão feliz com essa negociação tão promissora?

Tudo era estranho para Juliette e ela estava muito desconfiada.

...

No escritório, Rodolffo mostrava um papel a Lourival.

- e aí o quê o senhor me diz?

- conseguiu mesmo comprar?

- consegui. Mas dessa vez pertence a Juliette.

- eu acho que foi um excelente negócio. - disse Lourival ao reler o contrato.

- o senhor deseja voltar a morar lá?

- sim... Se me permitir.

- está permitido. Posso lhe ajudar a se reerguer e também pode levar a Ruth contigo.

- quer mesmo se ver livre de nós. Por quê?

- por que quero ter paz com Juliette. Ela está tensa, aflita e muito desconfiada. Sei que o senhor talvez não encha tanto a cabeça dela com coisas, mas Ruth enche.

- Ruth é mesmo muito metida.

- sim... Mas o senhor bem que gosta dela. - disse Rodolffo insinuando algo.

- como?

- Lourival... Não me engana. Nenhum dos dois, inclusive.

- não compreendo.

- Ruth visita sua cama, não é mesmo?

- que conversa é essa?

- não precisa mentir mais para mim. Só me diga... Quanto tempo tem isso?Algum dos filhos de Ruth são seus?

- ela é uma mulher viúva.

- eu sei que é... Mas só quero saber quanto tempo tem que se deitam juntos? Ruth tem a ver com a morte da mãe de Juliette?

Lourival estava horrorizado.

- Juliette nunca soube disso...

- eu sei... Ela nem ao menos desconfia... Mas me diga... Ruth e o senhor são amantes a quanto tempo?

- nunca a considerei minha amante. Ela era minha funcionária.

- a considera uma prostituta, então?

- ela é viúva, já lhe disse.

- mas quando não era viúva, já tinha algo contigo?

- o filho mais novo de Ruth, o quê fez ela ter leite para dá a Juliette é meu.

- vossa esposa sabia disso?

- não... Fátima era ingênua tanto quanto Juliette ou até mais. Porém no dia que adoeceu para ter a menina foi o mesmo que me pegou dependurado em Ruth.

- por Deus. Ela deve ter ficado chocada.

- literalmente transtornada e acabou por sofrer uma queda, o quê tornou tudo altamente crítico.

- matou tua esposa de desgosto Lourival?

- ela não ficou nada bem e começou por ter contrações. Eu tentei me explicar, mas foi inútil. A mãe de Juliette me amaldiçoou e minha vida só foi de miséria.

- por que passou a vida a culpar Juliette por tudo? Ela é toda traumatizada e insegura por sua causa.

- por que eu fugia de minha própria culpa. Culpa de ser um traidor infame e culpa por ela ter morrido a me odiar.

- mesmo assim nunca deixou de se deitar com Ruth e deixou ela criar sua filha?

- não fui fiel a Ruth e tive outras amantes, mas sempre que dava vontade eu me deitava com ela. Um homem não pode viver sempre só. E também viverá isso, principalmente agora que sua mulher tá de repouso.

- não me diga que colocou na cabeça de Juliette que eu fui a Londres ficar com uma amante?

- acho que ela concluiu isso sozinha.

- não concluiu por que não é real.

- nunca confessaria... Mas eu não te julgo se fez. A vida de casado é cansativa e é muito difícil se manter fiel.

- Lourival, estava pensando em fazer uma surpresa para Juliette lhe dizendo que adquiri aquela propriedade para ela e que o senhor voltaria para lá... Mas sabe que estou seriamente tentado a te jogar rio abaixo?

- não faça isso...

- não faço por que ela sofreria... Não por que tu mereça piedade.

- se um dia me fizer mal vou contar tudo a Juliette...

- contar o quê?

- que a vendi para seu pai em troca de perdões de dívidas e que ele a comprou com muita satisfação para ser a esposa do filho.

- eu te mato se fizer isso.

- seu pai estava desesperado tanto quanto eu. Era um filho muito problemático.

- e tu nem ao menos pensou duas vezes?

- não tinha escolhas.

- mas se eu fosse um homem mal, aceitaria assim mesmo o acordo?

- de onde tira que é um homem bom? Só ela ver essa bondade em ti... As demais pessoas dessa casa te acham arrogante e muito controlador, e eu te acho um tipo frio e desalmado. Não mudaste muita coisa, continua rebelde e sem freios.

- vai embora de minha casa amanhã. É o pai de Juliette, mas não aceito que me acuse dessa forma.

- só saio daqui se for para voltar a minha fazenda e nem ouse me expulsar. Eu abro a boca e acabo com seu conto de fantasias Rodolffo. Ela nunca mais olhará na sua cara, talvez perca o bebê... Veja que tragédia.

- só desejaria que sua esposa tivesse te traído. Juliette não merece isso.

- ela me ama apesar de tudo e entre você e eu, óbvio que ela acreditará em minha palavra.

- fique... - disse resignado.

- muito bem. Guarda o meu segredo e eu guardo o seu até a morte meu genro.

...


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