Mais um dia se passou com a chuva constante, mas na manhã seguinte apenas uma fina garoa caia.
Juliette e seu bebê dormiam serenamente, enquanto Rodolffo ficou a observá-los por toda a noite.
- o senhor deveria tentar dormir um pouco. Está muito abatido. - disse Ruth.
- não consigo.
- o bebê e sua senhora estão bem. - ela disse animada.
- ela ainda sangrou bastante durante a noite Ruth. Não há nada mais efetivo do que esses seus chás?
- vou trazer uma refeição forte para ela. Mas ela não sofre com uma hemorragia, não mais, agora é algo normal. Vai recuperando aos poucos e dá de mamar faz bem. Eu acho que o senhor não precisa ficar aqui a todo tempo. Eles passam bem e homens não devem ver certas coisas... - ela falou se referindo as intimidades de Juliette.
Rodolffo abanou a cabeça sabendo que Ruth dizia mais uma de suas bobagens, mas resolveu tomar seu conselho.
- tá bem. Vou para o quarto ao lado, mas por favor me chame a qualquer coisa que necessite. Ouviu bem Ruth?
- sim... Fique tranquilo.
Rodolffo deu mais uma olhada em seus dois amores que dormiam e saiu.
...
No quarto, ele deixou o sono o tomar, por que também se sentia exausto. Mas adormeceu chorando por que só naquele momento conseguiu por fim relaxar um pouco.
O parto de Juliette foi intenso e angustiante, mas seu coração estava aliviado por ter sido a pessoa que ela precisava naquele momento. Ele cumpriu sua promessa e além de ficar ao lado, ajudou sua esposa a trazer seu filho ao mundo.
...
Cinco dias depois...
A viscondessa e o visconde vinheram visitar a família. Vera estava aflita e já tinha recebido a notícia do nascimento de George.
- bem vindos meus pais. - disse Rodolffo de braços abertos.
Vera e Juarez lhe deram um abraço demorado e seu pai lhe parabenizou primeiro.
- quer dizer que agora é pai?
- sou e o senhor avô.
- meu Deus como esperei por isso. Parabéns.
- meu filho que Deus abençoe vocês. E cadê meu netinho?
- lá em cima com a mãe, só quer a vida mansa. - disse fazendo graça.
- podemos subir?
- claro pai... Venha também mãe.
Ao chegarem no quarto encontraram Juliette de pé, ninando George. Ela abriu um sorriso largo ao ver os sogros.
- Minha querida. Como se sente? - Vera caminhou até ela. - aaah meu Deus, ele é lindo e tão grande. - ela disse ao ver o neto.
- estou bem e o George também. Acabou de mamar. Quer pegar ele um pouco?
- claro que quero.
Vera pegou o bebê nos braços e levou até Juarez que ficou encantado.
- ele é um meninão. Parabéns minha nora. - disse Juarez.
- obrigada.
- quer dizer que foi Rodolffo quem te ajudou a trazer o George ao mundo?
- sim... Ele me ajudou totalmente. - disse Juliette olhando para o marido.
- mas ela foi uma guerreira. Não foi fácil minha mãe, não foi...
- não tinha mulheres nessa casa? Não devia ter visto o parto Rodolffo. - Vera o recriminou e o sorriso dos lábios de Juliette sumiu.
- não tinha alternativas mãe. Não faça caso com isso.
- eu quis que ele estivesse comigo. - revelou Juliette.
- homens não devem ver essas coisas. Se Juarez tivesse visto meus partos nunca teríamos tido mais que o Rodolffo. Homens não tem psicológico para essas coisas.
Rodolffo engoliu no seco e Juliette nada respondeu. Juarez sentiu que o clima pesou e resolveu quebrar o silêncio.
- meu filho, vamos deixar as senhoras conversarem.
- tá bem pai. Qualquer coisa estaremos no escritório. Me chame.
As senhoras ficaram no quarto com George e Rodolffo foi até o escritório com o pai.
- cadê Lourival?
- está um pouco resfriado. Resolveu ficar trancado para que Juliette e o bebê não adoeçam.
- que bom que ele está cuidando da filha. Está tudo bem mesmo?
- sim... Tudo bem.
- e por que parece um pouco triste?
- não estou triste. Mas preocupado.
- com o quê?
- com todas as coisas que eu dizia ao senhor que eram besteiras. Agora eu sinto o quê o senhor sentia meu pai.
- mas teu filho não tem uma semana de nascido. Já te causa tanto penar assim?
- amo meu filho e minha esposa e por isso tenho tomado algumas decisões. Uma delas é que temos que nos mudar daqui.
- essa propriedade é maravilhosa, mas realmente é complicada para viver de forma definitiva. Para onde deseja ir?
- ainda estou vendo. Talvez para a antiga propriedade do Barão. Mas nada definido ainda, quero ver essa questão com Juliette. Mas preciso de sua ajuda meu pai, para outro assunto.
- qual assunto?
- quero fazer o tratamento de esterelidade.
- o quê? - disse surpreso. - Mas como assim? George será filho único?
- isso mesmo. George será filho único. Nunca mais quero ver minha mulher sofrer como a vi no dia do nascimento de meu filho.
- não pode fazer isso sem que Juliette saiba. É um erro muito grande e se equipara a uma traição, entende?
- se o senhor nunca falar... Ela nunca saberá. Meu pai, achei que Juliette morreria e sou apaixonado por ela. Sei que posso vacilar e não quero correr nenhum risco.
- Rodolffo, não é o homem mais saudável do mundo depois da queda do cavalo e esse tratamento é muito agressivo mesmo utilizando apenas ervas. Pode ter problemas. Não morri por muito pouco.
- antes eu que ela. Já tomei minha decisão. Não será agora, mas assim que o bebê estiver esperto vou a Londres com o senhor e me ajudará com isso.
- sem o conhecimento por parte de sua esposa, nem pensar. Isso tem que ser decidido por vocês dois.
- ela não vai aceitar. Eu sei que não.
- quer agir com ela da mesma forma que agia comigo, mas ela não é como eu. Se fizer isso e ela tomar conhecimento nunca te perdoará Rodolffo. Pense bem antes de fazer algo irresponsável. Por que não agradece a Deus pelo bebê lindo que tem?
- eu agradeço. George é tudo para mim, assim como Juliette também é. E se penso em fazer essas coisas é por amor. Já imaginou se perco minha esposa? Eu morreria em seguida.
- existem muitas formas de perder alguém e te digo, perder em vida é bem pior... Cuidado.
Rodolffo ouviu atentamente o conselho de seu pai e sabia que ele tinha razão, mas em sua mente só existia um grande medo.
...
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Fica comigo
Fiksi PenggemarUma união arranjada. Um homem poderoso e uma jovem sem escolhas, pressionada pela família. Será possível que o amor vença em meio as adversidades?
