Izabella não dormiu durante toda a noite.
No amanhecer do dia, reagiu e conseguiu se lavar e esconder os lençóis e todas as coisas sujas de sangue.
Ela sentiu vergonha de si e sabia que estava condenada e que casaria com Alfonso. Agora teria que tomar coragem de contar isso a sua mãe, mas temia por sua reação. Na verdade ela não tinha coragem de fazer esse desabafo a qualquer pessoa e a única que conseguiria estava a uma hora de distância dela.
Izabella resolveu reagir e foi até sua mãe.
- mamãe... Tive um sonho terrível com minha cunhada. Preciso urgentemente vê-la.
- mas agora? É muito cedo filha.
- mamãe, é muito importante. Não posso contar isso a ninguém além dela. Tem a ver com o bebê que ela espera.
- vou contigo.
- preciso estar sozinha com ela. Por favor minha mãe.
- minha filha. Está tão aflita. Foi assim tão terrível?
- foi mamãe. Por favor preciso ver Juliette.
- vai agora. Vou mandar uma carruagem.
Não tardou para Izabella ir para a propriedade do irmão.
O balançar da carruagem fazia sua região íntima doer e aquilo a fazia lembrar que também era culpada por tudo que passou. Ela foi inocente e ao mesmo tempo curiosa e por isso estava desonrada. Não deveria ter dito que aceitava a Alfonso, tão pouco aceitado seu beijo.
...
O dia amanheceu cedo na casa de Juliette por que Rodolffo decidiu que queria caçar.
- vamos ver se seu pai é bom de mira. - disse enquanto calçava as botas.
- acho que não é. Nunca vi meu pai atirar.
- seu pai é um nobre muito acomodado.
- amor... Essa noite tu teve um pesadelo.
- tive? - falou arqueando a sobrancelha.
- não lembra do sonho, mas falava que alguém queria te matar e que você havia matado antes.
Rodolffo mudou a expressão facial e ficou bruscamente sério.
- Juliette não me lembro de nada disso. - disse seco.
- nossa eu tive medo de você... do modo como dizia as coisas.
- não gosto que diga essas coisas, não há motivos para temer a mim e eu não lembro de sonho nenhum. - disse irritado.
- calma. Não precisa se exaltar.
- não estou exaltado. Peça a Deus para eu nunca ficar. E se cuide, lembre-se do nosso bebê.
Ele lhe deu um beijo na testa e lhe disse:
- cuidado. Os funcionários estão alertas. Não deixe ninguém se aproximar de você em minha ausência.
- desde ontem vem agitado. O quê passas?
- Alfonso está por aqui. Aquele patife não é confiável.
- tá bom. Eu já sei.
Rodolffo saiu de casa com Lourival e Juliette se recolheu a ficar dentro do lar. Não demorou muito para sua cunhada ser anunciada.
...
- Izabella... Que prazer te ver. - e abriu os braços.
Izabella se abraçou a Juliette e nos braços da amiga desabou.
- por que está chorando?
- preciso te falar em particular...
- vamos para o meu quarto.
- meu irmão não pode ouvir.
- ele saiu. Meu pai também não está. Estamos quase sozinhas, vem vamos subir.
Juliette levou Izabella pela mão até seu quarto.
- me diga... O quê aconteceu para estar aqui tão cedo? - disse passando a tranca na porta.
- Juliette estou arruinada.
- arruinada?
- me entreguei a Alfonso.
Juliette levou a mão a boca, em sinal de completo susto.
- meu Deus Izabella. Gosta dele?
- ele disse que me amava e que queria me beijar e aí quando eu pensei que não queria mais, ele me possuiu. Foi horrível. - disse entre soluços.
- ele te abusou? Ou tu consentiu algum toque?
- alguns sim... Outros não. Juliette tu disse que haveria amor e dor, mas eu não tive amor nenhum. E quando terminou ele quis me beijar. Eu quase bati nele.
- por Deus Izabella. Eu nunca deveria ter lhe dito essas coisas.
- mas se eu não soubesse de nada teria sido pior, se é que é possível. Eu vi ele completamente nu em minha frente.
- calma... Respire.
- ele também me viu nua e doeu tanto, mas tanto que ainda estou sangrando. Ele nunca mais vai tocar em mim.
- minha amiga tenha calma. Vou te dizer algumas coisas que ocorreram comigo. Esse sangramento é por que ele foi muito agressivo no ato, e inevitavelmente quase todos os homens devem ser, mas eu também passei por ele, não durou mais que um dia. E sabe que terá que casar com Alfonso,a não sabe?
- ele quer casar comigo.
- isso é o correto. Sei que está arrasada e eu sinto muito. Sei que posso ter culpa nisso tudo e estou me sentindo horrível.
- não tem culpa. Afinal, eu fiz por que quis também.
- não acho que fez por que quis. Ele poderia ter tido mais escrúpulos, mas infelizmente ele não tem Izabella. Ele é um cafajeste.
- eu sei. E se nem casar comigo ele quiser?
- eu não tenho dúvidas que teremos uma tragédia. Era uma virgem e hoje não é mais.
- ah Juliette, nunca mais ele vai tocar em mim.
- eu sinto muito minha amiga, mas infelizmente se não ceder por bem, ele fará por mal. Sei que não deveria te dizer isso, mas sabe que não me casei com o homem mais fácil do mundo. Rodolffo mudou muito por mim... Não será possível Alfonso mudar também por ti? Ele ao menos lhe disse algo bonito? Lhe falou de amor?
- disse que me ama, mas quem ama não machuca. Não acredito nele.
- fique aqui comigo hoje. Assim ficará mais tranquila. Temos que arrumar um jeito de contar isso a seus pais. Amiga, é muito inocente, mas vou lhe fazer uma pergunta, tá bem?
- sim... Pode perguntar.
- Alfonso deixou sua coxa suja de um líquido branco?
- minha coxa? - Izabella puxou da memória. - Não. Deveria ter deixado?
- não quero que entre em pânico... Mas me diga... Quanto tempo tem que veio suas regras?
- não tem uma semana que fiquei boa.
- por Deus.
Juliette abraçou Izabella forte e chorou junto com ela.
- por que está chorando tanto Juliette?
- acho que pode engravidar minha amiga.
- não creio. Tu está casada a bastante tempo e veio ficar grávida agora.
- nós nos cuidamos ou talvez tenhamos problemas, por isso tanto tempo sem conceber Izabella.
Izabella chorou ainda mais abraçada a Juliette. Era uma situação terrível e se não fosse levada da forma mais amena terminaria em tragédia. Um homicídio em prol da honra.
...
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Fica comigo
FanfictionUma união arranjada. Um homem poderoso e uma jovem sem escolhas, pressionada pela família. Será possível que o amor vença em meio as adversidades?
