Capítulo 51: Confidências

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Izabella não dormiu durante toda a noite.

No amanhecer do dia, reagiu e conseguiu se lavar e esconder os lençóis e todas as coisas sujas de sangue.

Ela sentiu vergonha de si e sabia que estava condenada e que casaria com Alfonso. Agora teria que tomar coragem de contar isso a sua mãe, mas temia por sua reação. Na verdade ela não tinha coragem de fazer esse desabafo a qualquer pessoa e a única que conseguiria estava a uma hora de distância dela.

Izabella resolveu reagir e foi até sua mãe.

- mamãe... Tive um sonho terrível com minha cunhada. Preciso urgentemente vê-la.

- mas agora? É muito cedo filha.

- mamãe, é muito importante. Não posso contar isso a ninguém além dela. Tem a ver com o bebê que ela espera.

- vou contigo.

- preciso estar sozinha com ela. Por favor minha mãe.

- minha filha. Está tão aflita. Foi assim tão terrível?

- foi mamãe. Por favor preciso ver Juliette.

- vai agora. Vou mandar uma carruagem.

Não tardou para Izabella ir para a propriedade do irmão.

O balançar da carruagem fazia sua região íntima doer e aquilo a fazia lembrar que também era culpada por tudo que passou. Ela foi inocente e ao mesmo tempo curiosa e por isso estava desonrada. Não deveria ter dito que aceitava a Alfonso, tão pouco aceitado seu beijo.

...

O dia amanheceu cedo na casa de Juliette por que Rodolffo decidiu que queria caçar.

- vamos ver se seu pai é bom de mira. - disse enquanto calçava as botas.

- acho que não é. Nunca vi meu pai atirar.

- seu pai é um nobre muito acomodado.

- amor... Essa noite tu teve um pesadelo.

- tive? - falou arqueando a sobrancelha.

- não lembra do sonho, mas falava que alguém queria te matar e que você havia matado antes.

Rodolffo mudou a expressão facial e ficou bruscamente sério.

- Juliette não me lembro de nada disso. - disse seco.

- nossa eu tive medo de você... do modo como dizia as coisas.

- não gosto que diga essas coisas, não há motivos para temer a mim e eu não lembro de sonho nenhum. - disse irritado.

- calma. Não precisa se exaltar.

- não estou exaltado. Peça a Deus para eu nunca ficar. E se cuide, lembre-se do nosso bebê.

Ele lhe deu um beijo na testa e lhe disse:

- cuidado. Os funcionários estão alertas. Não deixe ninguém se aproximar de você em minha ausência.

- desde ontem vem agitado. O quê passas?

- Alfonso está por aqui. Aquele patife não é confiável.

- tá bom. Eu já sei.

Rodolffo saiu de casa com Lourival e Juliette se recolheu a ficar dentro do lar. Não demorou muito para sua cunhada ser anunciada.

...

- Izabella... Que prazer te ver. - e abriu os braços.

Izabella se abraçou a Juliette e nos braços da amiga desabou.

- por que está chorando?

- preciso te falar em particular...

- vamos para o meu quarto.

- meu irmão não pode ouvir.

- ele saiu. Meu pai também não está. Estamos quase sozinhas, vem vamos subir.

Juliette levou Izabella pela mão até seu quarto.

- me diga... O quê aconteceu para estar aqui tão cedo? - disse passando a tranca na porta.

- Juliette estou arruinada.

- arruinada?

- me entreguei a Alfonso.

Juliette levou a mão a boca, em sinal de completo susto.

- meu Deus Izabella. Gosta dele?

- ele disse que me amava e que queria me beijar e aí quando eu pensei que não queria mais, ele me possuiu. Foi horrível. - disse entre soluços.

- ele te abusou? Ou tu consentiu algum toque?

- alguns sim... Outros não. Juliette tu disse que haveria amor e dor, mas eu não tive amor nenhum. E quando terminou ele quis me beijar. Eu quase bati nele.

- por Deus Izabella. Eu nunca deveria ter lhe dito essas coisas.

- mas se eu não soubesse de nada teria sido pior, se é que é possível. Eu vi ele completamente nu em minha frente.

- calma... Respire.

- ele também me viu nua e doeu tanto, mas tanto que ainda estou sangrando. Ele nunca mais vai tocar em mim.

- minha amiga tenha calma. Vou te dizer algumas coisas que ocorreram comigo. Esse sangramento é por que ele foi muito agressivo no ato, e inevitavelmente quase todos os homens devem ser, mas eu também passei por ele, não durou mais que um dia. E sabe que terá que casar com Alfonso,a não sabe?

- ele quer casar comigo.

- isso é o correto. Sei que está arrasada e eu sinto muito. Sei que posso ter culpa nisso tudo e estou me sentindo horrível.

- não tem culpa. Afinal, eu fiz por que quis também.

- não acho que fez por que quis. Ele poderia ter tido mais escrúpulos, mas infelizmente ele não tem Izabella. Ele é um cafajeste.

- eu sei. E se nem casar comigo ele quiser?

- eu não tenho dúvidas que teremos uma tragédia. Era uma virgem e hoje não é mais.

- ah Juliette, nunca mais ele vai tocar em mim.

- eu sinto muito minha amiga, mas infelizmente se não ceder por bem, ele fará por mal. Sei que não deveria te dizer isso, mas sabe que não me casei com o homem mais fácil do mundo. Rodolffo mudou muito por mim... Não será possível Alfonso mudar também por ti? Ele ao menos lhe disse algo bonito? Lhe falou de amor?

- disse que me ama, mas quem ama não machuca. Não acredito nele.

- fique aqui comigo hoje. Assim ficará mais tranquila. Temos que arrumar um jeito de contar isso a seus pais. Amiga, é muito inocente, mas vou lhe fazer uma pergunta, tá bem?

- sim... Pode perguntar.

- Alfonso deixou sua coxa suja de um líquido branco?

- minha coxa? - Izabella puxou da memória. - Não. Deveria ter deixado?

- não quero que entre em pânico... Mas me diga... Quanto tempo tem que veio suas regras?

- não tem uma semana que fiquei boa.

- por Deus.

Juliette abraçou Izabella forte e chorou junto com ela.

- por que está chorando tanto Juliette?

- acho que pode engravidar minha amiga.

- não creio. Tu está casada a bastante tempo e veio ficar grávida agora.

- nós nos cuidamos ou talvez tenhamos problemas, por isso tanto tempo sem conceber Izabella.

Izabella chorou ainda mais abraçada a Juliette. Era uma situação terrível e se não fosse levada da forma mais amena terminaria em tragédia. Um homicídio em prol da honra.

...


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