Capítulo 75: O remorso e a saudade - 1

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Juliette acordou primeiro que Rodolffo e se pôs a olhá-lo. Seu semblante era sereno e ela adorava vê-lo assim.

Seu bebê mexia em sua barriga e ela curtia aquele momento ao olhar para o homem que amava. Apesar de todas as coisas que viveram juntos e de todos os acontecimentos que poderiam fazê-la deixar de sentir amor por ele, parecia que tudo acontecia só contrário. Cada dia que passava mais aumentava o amor sentido por esse homem que surgiu como um raio em sua vida, mas que a transbordou de todas as formas possíveis e lhe concedeu todos os seus que tinha e até os que nem pensava almejar e o principal de todos estava mexendo em seu ventre.

- te amo meu bebê. Te amo. - ela disse ao acariciar a parte que o bebê chutava.

Na última noite Juliette sonhou com sua mãe. Ela não conheceu a mulher que lhe gerou e lhe deu a vida, mas por uma pintura conheceu seus traços. Juliette sentia saudades de sonhar com sua mãe coisa que não acontecia a tanto tempo. Isso a fez chorar.

Rodolffo acordou com o choro silencioso, mas que ainda a faziam estremecer.

- o quê houve princesa? Por que está chorando?

- sonhei com minha mãe. - ela disse olhando para ele.

- mas nem a conheceu...

- em casa de meu tinha uma pintura dela. Por isso a conheci...

- como era o sonho.

- era um sonho bonito. Caminhavámos juntas e por incrível que pareça eu estava grávida... Minha mãe sorria para mim de um jeito delicado e terno pelo caminho de flores que seguiamos. Ao fim, ela me deixou sem dizer uma palavra e partiu de mãos dadas com meu pai.

- com seu pai? - Rodolffo disse intrigado.

- foi a primeira vez que vi meu pai sorrir tão sincero. Eles acenaram para mim. E eu estou preocupada.

- com teu pai?

- sim... Acha que fui muito dura com ele?

- ele sempre foi duro contigo Juliette, acaso não lembra?

- lembro, mas ele é meu pai e fora meu bebê que vai nascer ele é meu único parente de sangue vivo.

- o filho de Ruth também é seu parente de sangue. Lembra?

- sim... Mas não sabia disso, então não considero tanto. Meu pai sempre foi a minha família. E eu sei que vai dizer que eu não deveria me sentir assim, mas eu me sinto. Eu sinto a falta dele, mesmo que ele nunca tenha sentido a minha.

- quer que eu vá buscá-lo? Seu pai é um homem orgulhoso e deve me odiar, mas se quiser eu irei. Farei o quê for possível para que não chore.

- eu que gostaria de ir visitá-lo.

- nem pensar. Nesse estado não vai a lugar algum, é muito arriscado. Já está as portas do sétimo mês e cada dia sua barriga estica um pouco mais. Minha mãe nos disse que é uma fase importante para o bebê crescer e se desenvolver para vir ao mundo. Se quiser que eu vá vê-lo, saio em viagem ainda hoje.

- mas não quero ficar sozinha.

- não vai... Te deixo na casa de meus pais. Ficará bem lá e a viagem é pequena.

- amanhã... Hoje não. Tá bem?

- tá bom princesa. Mas pesadelo teve algum?

- não... Consegui dormir bem.

- sente mais alguma coisa?

- só saudade e um pouco de remorso por ter tratado meu pai muito mal.

- tem o coração puro e generoso amor. Por isso se sente assim. É preciosa demais. - e deu um beijo afetuoso na testa da esposa.

- tu é especial meu amor. Obrigada por tudo que faz por mim e que enfrenta para ver meu bem-estar. Sei que não gosta de meu pai.

- ele muito menos de mim, mas se ele quiser voltar a morar conosco prometo não me opor.

- eu sei. Mas talvez ele não queira.

- quer que eu traga a Ruth de volta?

- não sei...

- tem até amanhã para decidir. Tenho certeza que ela voltaria. E sei que apesar dos defeitos ela te ama como a uma filha.

- será?

- eu creio que sim.

Juliette suspirou pensativa.

- vamos nos arrumar e descer. Está a muitas horas sem se alimentar, isso não é bom Juliette.

- eu não vivo morrendo de fome como tu, que mais parece um fundo vazio. Qual o segredo para não engordar nada?

- ter uma esposa que me deixa preocupado... Isso me deixa inquieto e  a comida não faz efeito. - Rodolffo disse fazendo graça.

- tá bom... Sou bem eu agora. Vamos. Me ajude a levantar.

Rodolffo a ajudou e depois de arrumados, desceram juntos para fazer o desjejum.

...


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