Capítulo 99: O segundo filho

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Meses depois...

"Meu pequeno anjo que vive em mim, como estou feliz por você está aqui. Eu te planejei e te quis muito. Nossa família está feliz e você tem um lindo irmão por nome George, ele ainda é pequenino, mas todos os dias beija minha barriga a sua espera. Resolvi escrever essa cartinha para que um dia leia e saiba quão grande é o meu amor por ti. Teu pai está numa alegria enorme e nessa gestação está tão tranquilo. Agora está faltando pouco, estamos aos seis meses e a ansiedade vem forte. Não tenho como saber se é menino ou menina, mas a mamãe te ama muito. Com amor sua mamãe, Juliette. - 28 Julho de 1813.

- o quê você está escrevendo aí? - Perguntou Rodolffo curioso.

- uma cartinha para nosso bebê. - ela disse sorridente.

- e aí diz que eu amo muito ele? Diz que eu sou louco na mãe dele? E que não vivo sem vocês? - ele disse num sorriso de orelha a orelha.

- seu bobo. Só quem vai ler vai ser nosso filho.

- vai demorar... Eu sou curioso.

- não se apresse. Um dia te mostro. E cadê nosso George?

- ele tá dormindo. Tirando uma soneca gostosa.

- hum que maravilha.

- posso te contar uma coisa?

- pode amor... Quero que me conte tudo.

- acho que é uma menina.

- tu também achava que George era. - Juliette riu. - quer mesmo que seja uma menina?

- quero... Desejo tanto.

- ôh meu amor... É um homem tão diferente. Alfonso quer um menino e Bella está bem apreensiva.

- ele tem uma menina. Eu já tenho meu menino, então eu quero nossa princesa.

- eu sou a princesa daqui...

- você é a rainha... Agora é assim que vou te chamar, minha rainha.

- mas eu amo quando me chama de  princesa.

- é tão bom te ter todos dias, princesa. Está tão linda. Eu preciso te dizer que fica linda grávida.

- amor... Acho melhor deixar tantos galanteios para a noite... Assim fica tão difícil.

Rodolffo gargalhou.

- tu é um bobo... Mas o tanto que é lindo.

- já tenho cabelos brancos e a barba tá clareando um pouco já... Os 37 anos já batem na porta. Queria ter te conhecido mais jovem... Na verdade só queria ter conhecido a ti.

- que bom que eu posso dizer que conheci e só amei a ti. Por que na vida de nada nos vale a quantidade sem a qualidade. E eu sei que tenho sorte, é um homem muito bom comigo e com todos que eu amo.

- está certa. A quantidade de nada nos vale, mas que bom que eu encontrei você. - ele deu um beijo apaixonado na esposa.

- meu amor, dessa vez traremos uma parteira para cá. - ela disse abraçada a Rodolffo.

- sim. Quando fizer os oito meses, a mulher terá que vir morar conosco.

- ótimo. Eu fico bem mais tranquila.

- mas não posso te prometer que não vou ficar tenso. Juliette talvez eu invada o quarto.

- meu amor, não quero que faça isso.

- mas...

- vai ficar traumatizado e não quero que fique. Quero que fique bem e feliz por que nosso bebê merece a sua alegria e principalmente se for a princesa que tanto deseja. George te fará companhia com meu pai e ficará sentado lá na sala. Prometa.

- não posso prometer, por que jurei nunca mais mentir para ti. Então, eu vou te falar que vou tentar, tá bem?

- tá bem. Vai dá tudo certo meu amor. Confie.

- eu confio. Estou contigo nesse sonho e sei que é uma mãe completa, forte e acima de tudo guerreira.

- obrigada por me apoiar. Isso é muito importante para mim.

...

Os meses da reta final da segunda gravidez de Juliette foram repletos de amor, sonhos e planos. Ela era feliz, George ansioso e Rodolffo encantado.

- minha filha é feliz... - disse Lourival a
Ruth, enquanto observava a família que vinha voltando de uma passeio pelo rio.

- graças a Deus. Juliette é uma pessoa muito doce e boa, merece tudo isso e muito mais. O caminho até chegar aqui não foi tão fácil, mas hoje ela e o marido conseguem se entender muito bem. Sabe Lourival, a melhor coisa que fez por Juliette foi ter lhe arrumado esse marido, Rodolffo é um homem de um nobre coração.

- é Ruth... Foi um arranjo e eu tive medo dele acabar com a vida dela. Mas graças a Deus eu estava enganado.

- teve medo, mas não recuou. Agradeça por ter uma filha boa como ela, outra não ia te querer aqui.

- Ruth, me perdoa. Por favor. Estou velho.

- eu te perdoei. Mas nunca vou me perdoar. Eu sei que a primeira vez que me deitei com o senhor foi por que me obrigou, mas a segunda e todas as outras vezes foi por que eu quis. Me sinto culpada. Meu marido morreu achando que eu esperava um filho dele e meu caçula não é dele, é seu. Sua mulher morreu de desgosto por minha causa, Fátima era um anjo e hoje está no céu. Eu vou para o inferno Lourival, mas o quê me alivia é saber que tu também irá.

- não me perdôo. Mas eu mereço. Acho que a única pessoa que gosta de mim de verdade é o George. Ele sim sentirá minha falta quando eu partir.

- Juliette também sentirá... Sua filha te ama, mas por pura ignorância nunca deu valor a ela.

Os olhos de Lourival marejaram ao ver George agarrado a mãe.

- George é como se fosse meu segundo filho. Juliette e ele, tem todo o meu amor. - declarou emocionado.

Ruth ficou surpresa com a declaração do Barão e voltou a olhar a família que estava quase chegando em casa.

- que Deus os proteja e os abençoe sempre.

...

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